Afroempreendedorismo: cinco projetos que incentivam negócios de pessoas negras
BlackRocks, PretaHub e BlackWin são algumas das organizações que fomentam projetos de pessoas pretas e pardas
Por redação
A população brasileira é composta por 55,8% de pessoas negras e 51,2% de mulheres, de acordo com o IBGE. Porém, quando falamos sobre a inserção desses grupos no mercado de trabalho, os números são drasticamente reduzidos. Se considerarmos apenas as mulheres negras e pardas, apesar de corresponderem a 28% da População em Idade Ativa (PIA), elas têm a menor taxa de participação no mercado de trabalho em 2022 (51%) e representam o maior grupo desempregado (16%).
O segmento das startups escancara ainda mais essa desigualdade: apenas 5,8% das startups brasileiras são lideradas por pessoas pretas, de acordo com a Associação Brasileira de Startups, e 4,7% são comandadas por mulheres, segundo o Female Founders Report 2021.
Diante desse contexto, a demanda por políticas e iniciativas que promovam a equidade e inclusão da população negra e das mulheres cresce cada vez mais. Nos últimos anos, houve um aumento do número de programas, fundos e incentivos voltados a empreendedores afrodescendentes. Esses projetos promovem de capacitações e mentorias para startups ou lideranças a jornadas de aceleração de investimentos ou acesso a investidores-anjo.
Nesta lista, reunimos cinco iniciativas voltadas para a população negra brasileira com o objetivo de fomentar o afroempreendedorismo e o desenvolvimento de carreiras.
BENSÀ
Criada por Bárbara Lopes, a Bensà tem como objetivo trazer educação sobre empreendedorismo para mulheres negras. Com sede em Natal, no Rio Grande do Norte, a edtech já mentorou ao menos 50 mulheres.
A Bensà foi acelerada pelo BlackRocks e Bárbara também foi selecionada pelo programa Aceleração de Negócios de Empreendedoras Negras, liderada por Meta e PretaHub.
Em parceria com instituições como Itaú Mulher Empreendedora, International Finance Corporation (IFC) e Sebrae, a edtech consegue realizar suas aulas de forma gratuita para as empreendedoras interessadas.
BLACKROCKS
“Somos uma empresa liderada por mulheres negras que apoia pessoas e negócios inovadores, lucrativos e tecnológicos.” Maitê Lourenço é a mulher à frente da BlackRocks, que busca fomentar a inovação e o empreendedorismo entre a população negra. Seus programas e eventos promovem discussões e mentorias para aqueles que querem tirar suas ideias do papel.
O Arena BlackRocks é um festival online sobre transformação digital. Já o Grow Startups trata-se de um programa de aceleração de startups focado em crescimento econômico e escalável. O IdeiAção é um programa para quem ainda está no plano das ideias e não sabe como começar.
Por fim, a BlackRocks também promove o Quartzo, que está em sua segunda edição, e foca no desenvolvimento e impacto social de negócios liderados por mulheres negras do Rio Grande do Norte.
PRETAHUB
O PretaHub é uma rede de criatividade, inventividade e tendências pretas, com mais de 10.600 empreendedores impactados e R$ 11 milhões de reais investidos, com Adriana Barbosa como sua CEO.
O Hub inclui a tradicional Feira Preta, Afrolab, Bioma PretaHub, Programa de Aceleração de Mulheres Negras e Indígenas, Pretas Potências – Programa e Festival, Conversando a gente se aprende e Casas PretaHub, cada um com sua proposta dentro do universo do afroempreendedorismo.
O Afrolab abre inscrições de tempos em tempos e promove capacitações para empreendedores negros. Este ano, o Programa de Aceleração de Mulheres Negras e Indígenas, em parceria com a Meta, investiu R$ 1,6 milhão em negócios de 50 mulheres e ofereceu, além do aporte financeiro, mentorias, formação e apoio psicológico para empreendedoras.
Já o Preta Potências é voltado ao mercado da economia criativa, e em 2022, contou com a parceria do Instituto Alok e a Cervejaria Black Princess. Foram 20 mulheres negras e afro- indígenas contempladas com mentorias e R$ 20 mil cada.
MOVIMENTO BLACK MONEY
O MBM trata-se de um “Hub Digital para inserção e autonomia da Comunidade Negra na Nova Economia e na Era digital”, fundado por Nina Silva. Dentro do ecossistema estão o Black Money Project, Mercado Black Money, D’Black Bank, Afreektech, Black Vagas e Impactando Vidas Negras.
O D´Bank Black é uma fintech que conecta empreendedores negros e consumidores antirracistas, e oferece facilidades para correntistas pretos e pretas. O Afreektech capacita a comunidade negra para o mercado digital, em especial empreendedoras e jovens. Já o Mercado Black Money é um marketplace que conecta consumidores e afroempreendedores.
CONSELHEIRA 101
Com um objetivo um pouco diferente das outras iniciativas, a Conselheira 101, que está em sua terceira edição, quer capacitar profissionais mulheres negras para ocuparem os conselhos administrativos de empresas no Brasil.
De acordo com o Instituto Ethos, apenas 4,2% dos conselhos são formados por profissionais pretas, por isso, o intuito da iniciativa, co-fundada por Lisiane Lemos, é promover a diversidade e inclusão das mulheres negras nestes espaços.
Até então, o projeto já formou 37 profissionais que foram escolhidos pelas fundadoras e que apresentavam alta qualificação profissional.