Ataques cibernéticos têm se tornado cada vez mais comuns. Atualmente, este tipo de atividade criminosa revela a vulnerabilidade do ambiente virtual, deixando todos expostos à ação de hackers. Ao mesmo tempo em que iniciativas de combate aos crimes cibernéticos avançam, surgem novos formatos de vírus que infectam, danificam e roubam informações de redes, sistemas e computadores.
Um estudo recente publicado pela Fortinet, empresa especializada em segurança digital, descobriu que, somente na América Latina, foram registrados 91 bilhões de tentativas de ataques no primeiro semestre de 2021. O México lidera o ranking de ameaças nas Américas, com 60,8 bilhões, seguido pelo Brasil, com 16,2 bilhões de ataques. De acordo o especialista em tecnologia da informação, Phelipe Gomes, a abrangência cada vez maior de ataques tem correlação com a adoção de modelos híbridos (presencial e online) de trabalho e de ensino, situação que fez com que a ação desses hackers fosse intensificada.
A disseminação dos vírus pode ser feita por diversos meios, principalmente através de falhas operacionais causadas pelos usuários, e os alvos são, prioritariamente, organizações empresariais ou governamentais. No entanto, pessoas físicas também estão entre as vítimas. No caso delas, os objetivos por trás desses ataques podem ser pessoais ou políticos e, também, para obtenção de pagamento em dinheiro em troca da devolução das informações e arquivos pessoais roubados. Por meio do sequestro de dados confidenciais e do acesso a informações sensíveis de empresas privadas ou instituições públicas, os criminosos visam, na maioria dos casos, lucrar com pedidos de resgate para restituição dos dados.
O especialista explica que há dois tipos de ataques: direcionado e não direcionado. “Os ataques direcionados são aqueles em que o hacker já sabe o indivíduo que quer atacar, seja um político, empresário ou qualquer outra pessoa. Já o ataque não direcionado é aquele em que se utiliza uma ferramenta de busca para encontrar uma brecha no sistema e, então, disparar diversos tipos de iscas para tentar obter a informação”, esclarece.
O ataque mais comum no Brasil é o phishing ou spearphishing, que consiste em enganar os usuários por meio de e-mail ou mensagens de textos para ter acesso a informações confidenciais, como senhas e números de cartões de crédito. Outro tipo de ameaça recorrente é o Cavalo de Tróia, um método de roubo de dados com o uso de páginas infectadas ou download de softwares piratas. “Nada mais é que o indivíduo dar permissão para executar uma aplicação no aparelho. E a partir do momento que ele dá a autorização, seja qual for o comando, o hacker vai conseguir obter a informação”, explica Phelipe. Outra forma de ataque cibernético é por Ransomware, um tipo de vírus que criptografa dados em seu próprio local de arquivamento com o posterior pedido de resgate para liberá-los.
Esses tipos de ameaça podem causar ao indivíduo perda financeira e de credibilidade, estresse psicológico e danos a terceiros. Mas há algumas formas de prevenção, como a utilização de antivírus, firewalls e backups, além da verificação das redes de wi-fi e do cuidado com as páginas acessadas e endereços de e-mails recebidos. “A melhor forma de se prevenir é ter consciência que a segurança digital ocorre antes, durante e depois. Mas, o depois é sempre mais complicado, porque a partir do momento que o usuário fica refém, é difícil amenizar o estrago”, reforça o especialista.
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