Faltam zero km, bombam os seminovos: O problema que abalou o setor automotivo

Ausência de veículos zero km por falta de componentes e redução das linhas de produção em fábricas provocam corrida atrás dos seminovos

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O mercado automotivo nacional está sofrendo cada vez mais com a pandemia da covid-19. Ora são fábricas que reduzem a produção na linha de montagem, dispensando trabalhadores, ora são montadoras que cessam a produção no Brasil de carros de passeio e vão embora do país. Mas a vilã da vez é a escassez dos semicondutores.

O componente em questão é vital em diversos recursos dos modelos mais novos que chegaram ao mercado. Em muitos deles, da central multimídia, airbags, sistema de ABS dos freios, ao sistema de injeção eletrônica, todos dependem dos semicondutores. Isso fez, por exemplo, a Chevrolet paralisar, em março, a linha de montagem do Onix em Gravataí (RS), o que resultou na falta de veículos nas concessionárias. Situação que se repete em outras marcas.

Foram poucas as fábricas que fizeram a lição de casa nessa pandemia, como a Fiat. A marca italiana mostrou que se preparou bem para a crise econômica e sanitária e está a todo vapor em Betim (MG), com novidades como o novo SUV Pulse e as novas Toro e Strada.

Enquanto a maioria dos fabricantes reduziu seus pedidos aos fornecedores, a Fiat manteve boa parte dos planos. Otimista, a empresa acreditou que o mercado se recuperaria e viu na crise uma oportunidade. Se, por um lado, faltam carros zero quilômetro no pátio da maioria das marcas; por outro, os seminovos que sobravam nas lojas multimarcas começaram a ter saída e dispararam de preço! O mercado está superaquecido para veículos usados, tanto que os showrooms vazios das concessionárias deram lugar aos seminovos.

Segundo dados da Federação Nacional de Veículos Automotores (Fenabrave), houve um incremento de 15,1% nas vendas de veículos usados no mês de fevereiro, em comparação com o mesmo período do ano passado. Esse índice tende a crescer ainda mais no primeiro semestre de 2021.

Hoje em dia, um bom carro com dois anos de uso não fica mais de 30 dias anunciado em sites ou lojas especializadas. Tudo isso porque o brasileiro gosta de trocar de carro. Só não espere encontrar aquele modelo que você tanto sonhou pelo preço de tabela de antes. No atual cenário, é possível encontrar carros com 2 ou 3 anos de uso que valorizaram ao invés de perder valor – uma situação bastante incomum e que subverte as regras do mercado.

Mas carro sempre vai ser uma paixão dos brasileiros. É sinal de status e, cá entre nós, sempre é bom trocar um veículo antigo por um mais novo, por mais que ele não seja “zero”.

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