Carros por assinatura crescem e são alternativa para ter veículo 0km

Em média a mensalidade custa a partir de R$ 1.400 e o setor registra forte alta este ano, superando os 100 mil veículos

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Por redação

Com a alta do preço dos carros novos nos últimos anos, o modelo de carro por assinatura vem ganhando espaço e oferece cada vez mais opções. Montadoras, transportadoras, locadoras, rastreadoras e startups estão investindo nesse serviço e disputando os motoristas.

Neste modelo, ao invés de comprar o carro, o cliente faz uma assinatura por um período a partir de um ano. As mensalidades costumam incluir, além do veículo, as despesas com seguro, impostos, revisões e manutenções programadas. É possível assinar desde carros 1.0 manuais até modelos esportivos blindados e furgões.

Conquistando seu espaço, o carro por assinatura vem cresecndo no mercado mobilistico. De acordo com o último levantamento realizado pela Similarweb, empresa especializada em análise de dados na internet, a busca por esse serviço cresceu 56,5% no início do ano passado.

O avanço da modalidade é reflexo da crise que atingiu o mercado automotivo em 2020, com a pandemia de covid-19, que resultou na escassez de semicondutores. Naquele ano, as vendas de veículos 0km foram 26% menor que no ano anterior, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

As mensalidades de modelos populares, como Renault Kwid e Fiat Argo, ficam entre R$ 1.400 e R$ 2.100. O preço de um mesmo carro pode variar bastante de um serviço para o outro. O tempo mínimo de contratação costuma ser de 12 meses. Quanto mais longo, menor a mensalidade.

Analistas financeiros apontam que a assinatura traz mais vantagens porque o cliente deixa de perder dinheiro com juros e depreciação, e também não fica com patrimônio imobilizado: em vez de colocar R$ 100 mil na compra de um carro à vista, a pessoa pode investir o dinheiro e ter rendimentos, por exemplo.

"No geral, o modelo de assinatura é em média 40% mais barato que financiar o mesmo veículo e 14% mais barato que adquiri-lo à vista (considerando contratos com duração de 24 meses)", aponta um relatório do banco BTG Pactual. O BTG considera que o mercado de locação está em estágio inicial no Brasil e que tem grande potencial de expansão, especialmente no setor de PME (Pequenas e Médias Empresas) e de pessoas físicas.

Dados da ABLA (Associação Brasileira de Locadoras de Automóveis) indicam que o mercado de assinatura de veículos no país já abrange 106 mil veículos. Entre 2014 e 2019, em média, foram vendidos 2,5 milhões de carros por ano no Brasil.

A Porto Seguro, por exemplo, teve 76% de crescimento de receita e 26% de aumento de frota, em sua divisão de assinaturas no serviço no terceiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2021. A frota atual supera 14 mil veículos.

"Iniciamos em 2016. Desde então, o crescimento tem sido constante. A demanda tem superado as nossas expectativas, principalmente em períodos mais recentes", diz Gustavo Fehlberg, responsável pelo serviço na Porto.

"O número de assinantes do Movida Zero KM cresceu 40% em 2022 na comparação com o mesmo período de 2021", diz Felipe Zogbi, diretor-executivo do serviço. "A estimativa é que a modalidade continue com esse ritmo de crescimento em 2023. Apenas o estado de São Paulo representa cerca de 60% do total de clientes".

"Este ano teve um saldo muito positivo na locação de veículos em geral. As pessoas declararam a sair de casa e viajar", diz David Silva, diretor comercial da Livre, ligado à locadora Unidas. "Com a retomada dos eventos e atividades comerciais, a demanda está cada vez mais aquecida".

"O preço dos carros novos subiu muito depois da pandemia. Antes, modelos como HB20 custavam R$ 50 mil, R$ 55 mil. Hoje estão na faixa de R$ 75 mil a R$ 80 mil. Mas o preço das assinaturas se manteve mais ou menos estável, o que gera vantagem ao consumidor", avalia Carlos Castro, CEO da Super Rico, uma plataforma de planejamento financeiro.

Castro fez um comparativo com a aquisição de um HB20 1.0 manual zero km, no valor de R$ 79.481. Após um ano, o consumidor teria desembolsado ao todo R$ 89 mil, incluindo os gastos com seguro, taxas, revisão e depreciação. Ao alugar, o gasto total seria de R$ 22.788.

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