Entenda de onde vem a renda da família real britânica

A morte da rainha Elizabeth II, aos 96 anos, interfere diretamente na economia do país, mas não altera os repasses

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Por redação

A morte da rainha Elizabeth II, aos 96 anos, abala a Família Real Britânica pela transição de seu trono e mobilização familiar em torno da trágica perda da monarca que esteve à frente do Reino Unido por 70 anos. Contudo, seu óbito interfere também no funcionamento do conjunto de países, inclusive na economia, assunto alvo de polêmica devido aos custos altos para manter a luxuosidade da monarquia

Por outro lado, se engana quem acredita que a Família Real Britânica é autossustentável. Perpetuada no poder desde sua fundação por George V, em 1917, ela coordena ações sociopolíticas junto com o Parlamento, visto que o sistema político no país é o parlamentarismo. A família real britânica é, sem dúvidas, umas das mais ricas da Inglaterra. O seu financiamento, porém, depende de uma espécie de “bolsa família real”, o Sovereign Grant.

Ele é pago anualmente pelo Tesouro do Reino Unido aos Windsor e o montante pode variar. De início, a bolsa equivale a 15% do lucro da Crown Estate (propriedades da Coroa, que não são de posse da família real e nem do Estado, funcionando como uma empresa privada).

Hoje, a Crown Estate tem 16,4 bilhões de libras em patrimônio líquido. O grosso (14,2 bilhões) está em imóveis e propriedades rurais que são alugados ou recebem royalties de exploração. Boa parte do centro de Londres, uma das regiões com o metro quadrado mais caro no mundo, faz parte deste portfólio. Entre março de 2021 e março de 2022, a Crown Estate lucrou 312,7 milhões de libras.

Em 2021, as despesas com a família real somaram o equivalente, em libras, a R$ 652 milhões – um salto de 29% em relação aos valores do ano anterior por conta de reformas no Palácio de Buckingham, no Castelo de Windsor e outras residências reais. Isso num período em que a renda média familiar no Reino Unido caiu 1,3%.

Dinheiro para monarcas

O governo do Reino Unido, sob responsabilidade do primeiro-ministro, deve repassar à conta do monarca um único pagamento, uma vez por ano, chamado de Sovereign Grant ("Subsídio Soberano", em tradução live).

O valor se baseia em 25% da receita do chamado Crown Estate, empresa comercial responsável por propriedades de áreas cobertas ela monarquia, além do parque real de Windsor e do autódromo de Ascot, em Berkshire, semelhante a cobertura dos imóveis que pagam a chamada 'taxa do imperador', na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro.

O valor, no entanto, não é referente ao ano anterior, mas sim, a dois anos antes, visto que o cálculo é demorado e requer validação pela Receita, individualmente. Logo, em 2021, entretanto, o repasse do Sovereign Grant alcançou 85,9 milhões de euros (mais de R$ 400 milhões na cotação da época), arrecadados em 2019-2020.

O novo rei, Charles, filho de Elizabeth II, excepcionalmente possui uma renda extra proveniente do Ducado de Cornuália, também recebendo um repasse decorrente do pagamento de impostos de propriedades residenciais e comerciais.

Devido à concentração dos recursos em uma única pessoa, a atribuição financeira ao ex- príncipe chega a ser maior do que o da família, que divide a quantia aos membros, manutenção de bens e pagamentos de serviços.

Dessa forma, os rendimentos de Charles com a receita advinda do Ducado de Cornuália ultrapassaram uma quantia de 22 milhões de euros no ano de 2020, como reportou um levantamento do jornal britânico BBC no ano seguinte.