Por que a tinta de nota fiscal sai rápido?

O papel térmico é o papel utilizado na impressão dos comprovantes de compras e pagamentos

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Por redação

O papel da nota fiscal é revestido com algo chamado corante leuco: um tipo de pigmento que é transparente normalmente, mas se torna colorido graças a uma reação química desencadeada pelo calor. O que a máquina faz é só aquecer o papel nos lugares certos para marcar as letras, números e símbolos em sua superfície. Esse tipo de papel é chamado termossensível.

A impressão é feita através do calor, e não da tinta. Por isso, com o passar do tempo e a ação da temperatura, as letras acabam sumindo. Com o tempo, as moléculas do corante voltam à configuração antiga e o conteúdo se apaga. Contato com luz, solventes, óleos e creme hidratante aceleram o processo.

Para preservar um cupom fiscal, a melhor forma é guardar em um envelope de papel, sem muito atrito e longe de fontes de luz ou de calor. Mas, atualmente, algumas empresas já enviam a versão digital dos cupons por e-mail ou aplicativo no celular.

O papel térmico foi desenvolvido há mais de 40 anos nos Estados Unidos e no Japão. Os benefícios eram o menor custo na produção e o maior detalhamento das compras, como a hora e a data. No Brasil, o papel térmico só se popularizou na década de 80.

A substância mais utilizada no desenvolvimento do papel térmico é o bisfenol A (BPA), por ser o mais barato do mercado. Parece algo comum e inofensivo. O grande problema é que o BPA é uma substância extremamente prejudicial ao meio ambiente e a saúde humana.

No mundo inteiro são produzidos cerca de 8.134 bilhões de metros cúbicos de BPA por ano. Em 2004, apenas os EUA produziram 2.711 bilhões de metros. Considerando o cenário brasileiro, segundo o IBGE, o Brasil tem uma população de mais de 209 milhões de pessoas. O crescente número populacional faz com que o número de contas bancárias no país também seja progressivo. Dessa forma, os comprovantes acompanharão o ritmo. O crescente populacional, não só do Brasil, mas do mundo, faz com que a impressão de comprovantes fiscais torne-se algo inviável.

Em pesquisa realizada na Inglaterra, com aproximadamente 1000 entrevistados, concluiu- se que 89% dos britânicos precisaram do cupom fiscal nos últimos 12 meses, para devolução ou troca de produtos. Mesmo esse número sendo alto, 90% dos entrevistados relataram que quando precisam guardar recibos de papel, acabam perdendo ou não guardam da forma adequada, o que faz com que as informações desapareçam e o papel se torne inútil.

Impacto na natureza

As indústrias de produtos de papel são uma das causas mais significativas de desmatamento. Anualmente, para se produzir os papéis térmicos, estima-se que sejam utilizados 1 bilhão de galões de água, 10 milhões de árvores cortadas e 250 milhões de galões de óleo, apenas na produção dos EUA. Tudo isso gera cerca de 1.5 bilhão de quilos de resíduos sólidos. Vale ressaltar que esses números representam os dados coletados apenas nos EUA.

Um dos maiores problemas ambientais relacionados ao BPA é o descarte. O bisfenol A possui uma baixa solubilidade, caso não seja descartado de forma adequada, o composto é liberado no ambiente, na atmosfera, nos lençóis freáticos e no solo, acarretando a bioacumulação da substância.


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