Neca Bumlai: A história da empreendedora que cresceu influenciada pelos pais
E hoje revoluciona a educação da capital com a Faculdade Insted
Por: Ogg Ibrahim
É impossível olhar para Neca Chaves Bumlai e não a associar à educação. A sua história é imersa na área e ela nunca se viu fazendo outra coisa. Filha de pais professores, Neca cresceu em meio a reuniões e planejamentos de aula e se apaixonou logo cedo pela arte de educar.
Desde muito nova, antes mesmo de escolher os rumos da vida, Eva Elise Domingos dos Santos Bumlai, como foi batizada, costumava acompanhar a mãe nas atividades da antiga Escola Mace. Ela sempre estava presente nas conversas da professora Reni com os demais docentes e no atendimento aos alunos.
Mestre em Ciência da Informação pela Universidade de Brasília (UNB), com mais de 23 anos de experiência em administração educacional, Neca poderia ter mudado de área quando a Mace e a Uniderp - instituições onde trabalhava - foram vendidas. Mas a sua vocação falou mais alto e ela construiu um novo e inovador projeto: o Instituto Avançado de Ensino Superior e Desenvolvimento Humano - Faculdade Insted, a primeira instituição de ensino do Centro-Oeste a oferecer metodologias ativas - forma de ensino em que o estudante aprende exatamente o que vai vivenciar na prática.
Essa metodologia proporciona ao acadêmico o contato com a futura profissão desde a primeira semana de aula, por meio de atividades coletivas, problemas reais e interação com a sociedade. A Insted, criado em 2018, disponibiliza cursos presenciais e à distância e inova, ano a ano, com a aprovação de novas formações e pós-graduações. Recebemos Neca Chaves Bumlai para um bate-papo agradável sobre sua paixão pela educação.
Ogg Ibrahim: Já são mais de 23 anos na educação. Sua inspiração começou em casa, com seus pais?
Neca Chaves Bumlai: Com certeza. Eu comecei a trabalhar na área aos 20 anos, mas muito antes já respirava educação. Participava das reuniões na Mace, ouvia minha mãe conversando com professores, atendendo os alunos. Isso realmente é contagiante, apaixonante. Me formei e comecei a trabalhar na Uniderp, junto com meu pai. Trabalhei no campus de Ciências Agrárias, depois fui para a matriz. Trabalhei em todas as áreas da universidade, acompanhei o processo de recredenciamento e frequentemente ia com meu pai a Brasília, participar dos processos de autorização de cursos. Sempre gostei muito da educação. Eu nunca me vi fazendo outra coisa.
OI: A Mace e a Uniderp foram referências educacionais e você passou boa parte da sua vida nessas instituições, até elas serem vendidas. Como foi esse processo de desvinculação?
OI: A Insted trabalha de forma híbrida. Como chegaram nesse formato?
a área, falei: “Vou montar um projeto bem diferenciado”, e surgiu a Insted. Visitei várias faculdades do país, peguei referências no exterior para ver que modelo iríamos adotar. Eu queria que fosse inovador, não queria o modelo tradicional, aquele ensino que existe desde muito tempo atrás, no qual o estudante é passivo, fica sentado, só ouvindo o professor falar. Nós acreditávamos que tínhamos que mudar isso, então fomos buscar algo que realmente pudesse vir ao encontro dessa nova realidade, marcada pelas novas tecnologias. A Insted surgiu em 2018, mas foram três anos de pesquisa e estudos até formatar um projeto que diminuísse a distância entre a academia e o mercado de trabalho. Nosso objetivo sempre foi o de formar um profissional preparado para as demandas do século XXI, disputado pelo mercado de trabalho e, também, com alta capacidade para o empreendedorismo.
NB: Na Uniderp, já trabalhávamos com metodologias ativas, baseadas em estudos de casos reais. Meu pai foi vanguardista na época, implantando essa forma de ensino nos cursos de medicina e psicologia. Ela realmente funciona. Nos países mais desenvolvidos, só se fala em metodologia ativa, com diferentes abordagens. Nesse modo de aprender, o estudante trabalha mais que o professor, tem autonomia de pensamento e é protagonista do seu aprendizado. Ele vive o que está sendo estudado, coloca a mão na massa, discute soluções reais, traz o seu cotidiano para a sala de aula. Com a metodologia ativa, o acadêmico tem mais de 80% de chance de reter a informação, em comparação ao aluno que só escuta ou lê um conteúdo. Ele aprende mais porque o seu aprendizado é totalmente voltado para o sentido prático.
OI: Quantos cursos a Insted oferta hoje com essa metodologia?
NB: Nós temos oito cursos de graduação: direito, administração, ciências contábeis, pedagogia, psicologia, tecnólogo em análise e desenvolvimento de sistemas e tecnólogo em estética e cosmética, todos presenciais. Na educação à distância, temos: gestão pública, administração e pedagogia. Nos cursos presenciais, o acadêmico recebe o conteúdo prévio online e depois debate em sala de aula com o professor. Na EaD, o universitário também tem a possibilidade de interagir com o professor, mesmo à distância, como se estivesse em sala.
OI: Como você vê o crescimento do ensino EaD? Já é difícil prender a atenção do aluno em sala de aula, imagina no online...
NB: O crescimento é surpreendente - foi de 300% do ano passado para cá. As adesões do online já estão quase alcançando as do presencial. Chega a 44% do total de universitários! A EaD possibilita que estudantes do interior tenham maior acesso a boas faculdades. O ensino se tornou mais inclusivo, apesar de mais desafiador para o universitário, porque é preciso maior disciplina. Reconheço que é bem mais difícil manter a atenção no online que no presencial, porém o estudo é mais flexível, já que há a possibilidade de adequação pessoal aos horários de estudo.
OI: Vimos durante a pandemia o despreparo de muitos professores em dar aulas online. Você ainda acha que ainda prevalece o despreparo dos professores?
NB: Com a pandemia, todos nós fomos pegos de surpresa. Alguns professores já possuiam facilidade com as câmeras, mas muitos eram acostumados apenas com o modelo presencial, não tinham essa intimidade. Apesar da dificuldade inicial, acredito que todos se adaptaram. Demos suporte para os nossos professores, para que pudessem dar as aulas da melhor maneira possível. Foi um aprendizado para todos, a tecnologia já existia, só não a usavamos com frequência. Penso que entramos em um caminho sem volta. Os professores aprenderam e gostaram, e os estudantes também.
OI: Neca, na nossa época havia um tremendo respeito pelo professor. Hoje não vemos isso na maioria das escolas. Você acha que o nosso ensino precisa melhorar muito nessa questão?
OI: Quais as novidades da Insted, vem mais coisa por aí?
NB: Eu acredito que precisa muito. Precisamos resgatar de alguma forma o respeito ao professor. Vejo muitos tratarem o aluno como cliente - e “não se pode perder o cliente” -, mas a escola e a família precisam se unir na educação das crianças. É preciso achar um equilíbrio e não vejo solução sem uma real conexão da comunidade escolar como um todo.
NB: Estamos ampliando muitas coisas. Nossos projetos, mesmo na pandemia, não pararam. Criamos vários cursos de formação e de pós-graduação nas áreas de direito, gestão e saúde. A EaD nos proporcionou trazer vários ministros, gente de peso, para dar aula para os nossos estudantes e não paramos por aí. Acabamos de aprovar o curso tecnólogo em estética e cosmética e o de psicologia, todos presenciais, mas com o uso de recursos online para que os acadêmicos tenham acesso ao conteúdo e possam levar as discussões para a sala de aula.
OI: Voltando à sua história, como vê a vivência política do seu pai?
NB: A vida do meu pai sempre foi a educação. Mesmo como político, atuou em vários projetos em defesa da educação, participou da reforma do ensino médio, etc. Essa influência dele sempre foi muito forte, porque sempre foi professor, educador, pesquisador e sempre procurou fazer a diferença.
OI: Hoje ele interfere na administração da Insted?
NB: Ele traz toda a sua bagagem para a Insted. Discutimos, trocamos ideias e ele sempre participa das reuniões importantes. O máximo que posso, procuro trazer a experiência dele para somar conosco. Meu esposo também participa do projeto comigo, desde o início trabalhamos juntos, e meu pai segue sempre presente de alguma forma.
OI: O Fernando (Bumlai, marido) vem de outra área. Como se adaptou a esse mundo?
NB: Ele é veterinário, mas desde cedo entrou comigo na educação. Quando eu quis abrir a Insted, eu perguntei: “Você topa esse projeto comigo?”. Aí fomos conhecer várias experiências e ele voltou deslumbrado. Hoje está sempre do meu lado, dando apoio aos projetos.
OI: Qual ainda é o seu grande sonho em relação à educação?
NB: O meu sonho é transformar cada vez mais vidas por meio da educação. Eu vi tantas vidas serem mudadas na época da Mace, amigos meus que se formaram médicos, advogados, empresários. Acompanhar essa evolução pessoal é algo muito gratificante. Com a educação, trabalhamos com o sonho das pessoas. Então, meu sonho é ver o futuro de cada vez mais pessoas ser transformado.
LINK|-|https://drive.google.com/file/d/1F3H2tHFv-8s_GnLTFRmAmge5Ua8YU2lg/view?usp=sharing|-|Confira a 7° edição da CGCity!