O barro que vira arte: Saiba tudo sobre arte de cerâmica
Conheça o ateliê de duas amigas que decidiram se aventuram na produção de cerâmica
A cerâmica pode ser definida como a arte ou a técnica de produção de artefatos e objetos, tendo a argila como matéria-prima. Fabricada e usada desde a antiguidade, com ela é possível desenvolver revestimentos, pisos, peças de decoração e, também, peças de uso comum como xícaras e pratos. E foi em uma aula de cerâmica que as amigas Pricila Sandri e Tatiana Engelberg decidiram se aventurar no universo da produção de peças de cerâmica, criando o Guavira Ateliê.
As amigas já se conheciam anteriormente e, após um ano de aulas, já apaixonadas pelo hobby, resolveram montar o espaço na casa de Pricila. Assim nasceu o ateliê, em 2020, com o objetivo de vivenciar experiências e aprimorar técnicas para a produção das peças. No local, a dupla faz estudos, testes de técnicas e de tipos de pinturas, que variam conforme a peça desenvolvida. “Estamos sempre aprendendo um novo método, uma posição de mão, outra forma de queimar. A cerâmica é sempre uma descoberta, cada peça vem de um jeito, a gente nunca sabe como vai ficar no final”, conta Pricila.
Segundo ela, cada uma tem uma preferência no estilo de criação: Tatiana opta por peças mais clean e utilitárias, já Pricila prefere as mais artísticas. Como possuem outras ocupações, as amigas normalmente comercializam as peças desenvolvidas durante os estudos e aprimoramentos, mas também aceitam encomendas. “Somos livres para criar o que quiser. Cada vez as peças têm ficado melhores, a gente vai aprendendo e desenvolvendo”.
O processo de produção começa com a argila bruta. Após trabalhar e moldar a matéria-prima, com o auxílio de equipamentos como o torno giratório ou manualmente, as peças são deixadas para secar. O tempo desse segundo processo depende do calor e da umidade do ar na cidade, já que quanto mais quente a temperatura, mais rápida é a secagem (em torno de um ou dois dias).
Depois de secas, as peças ficam em “ponto de biscoito” - frágeis e facilmente quebráveis. Com esse aspecto, seguem para a primeira queima no forno, a uma temperatura de aproximadamente 980° C. “Ao endurecer, a peça já não quebra mais, passando para o ponto de cerâmica mesmo”, explica Tatiana.
Depois da primeira queima, o material fica pronto para a pintura. As amigas utilizam tintas feitas de componentes naturais, que podem entrar em contato com alimentos sem risco de contaminação. Depois de pintadas, as peças seguem para uma segunda queima, entre 1200 a 1500°C, ficando oito horas no forno e oito horas em resfriamento. Só então estão prontas.
Quanto ao nome do ateliê (Guavira), trata-se de uma homenagem à nossa região. “Somos duas mulheres, temos nosso lado doce, amoroso e somos daqui e a guavira é daqui. Essa fruta lembra minha avó, que sempre tinha guavira em casa. Por isso escolhemos esse nome, por ser daqui, da terra”, pontua Tatiana.
Para ela, a pandemia foi um fator que contribuiu para que as pessoas consumissem mais conteúdos e produtos feitos por outras pessoas, aumentando assim o conhecimento e a demanda na área da cerâmica. “Nos voltamos mais para o que é natural, feito pelas mãos de uma pessoa. A gente não faz para vender, a venda é uma consequência do que a gente produz. Pensamos na qualidade e na experiência de tomar um café numa xícara de cerâmica, que absorve um pouco da temperatura da bebida... É uma conotação diferente, mais íntima”, comenta.
Para conhecer e adquirir uma peça de cerâmica, é possível entrar em contato pelo Instagram @guavira_atelie.
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