Programa "Dignidade Menstrual" vai distribuir absorventes em escolas da capital

O programa prevê também rodas de conversa sobre saúde da mulher

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Por redação

Começou a sair dos papéis a lei que institui o “Programa Dignidade Menstrual” no município de Campo Grande. O objetivo é distribuir absorventes higiênicos descartáveis para as estudantes em situação de vulnerabilidade social para garantir que elas continuem frequentando as aulas. A ação faz parte da comemoração dos 122 anos de Campo Grande.

Nesta quinta-feira (10) foi aberta uma licitação para comprar até R$ 331,1 mil em absorventes para iniciar a distribuição em 2023.

A Secretaria Municipal de Educação (Semed) vai atuar com orientações nas unidades escolares, além da distribuição dos absorventes e acompanhamento da frequência das estudantes. Também cabe à pasta orientar as escolas para que promovam rodas de conversas e outras formas de diálogo para conscientização sobre os cuidados com a saúde, bem como o acompanhamento das estudantes para evitar evasão escolar por conta de situações envolvendo o período menstrual.

“É um projeto que busca dar dignidade para as mulheres em situação de vulnerabilidade, especialmente as adolescentes na fase escolar. O acesso ao absorvente higiênico é essencial e necessário. A dignidade menstrual é um assunto de extrema importância e que é tratado de forma global. Aqui em Campo Grande, graças a atuação da vereadora Camila Jara, que teve este olhar de cuidado, saímos na frente e estamos atendendo nossas alunas que necessitam”, afirmou Tatiana Trad, ex-primeira-dama e presidente do Comitê Gestor do Fundo de Apoio à Comunidade (FAC).

A estimativa é de que 28% das mulheres brasileiras já tiveram dificuldade em ter acesso a absorventes em algum momento da vida, conforme os dados apresentados por Camila Jara, na defesa do projeto. A situação prejudica muito a vida das meninas e mulheres, inclusive o desempenho escolar.

A distribuição às mulheres de baixa renda, no entanto, está prevista no PPA (Plano Plurianual) para valer a partir do ano que vem. A Câmara Municipal derrubou veto à emenda da vereadora ao orçamento deste ano, que garante R$ 2,4 milhões ao projeto. Outra emenda na lei garante a realização de mutirões de saúde da mulher.

Para a ex-secretária municipal de Educação, Elza Fernandes, o projeto vai agregar o que já ocorre nas unidades escolares. “É um projeto de grande importância para as nossas jovens alunas. Parabenizo pela sensibilidade e o atendimento para as pessoas que realmente precisam. Muitas vezes as famílias não dispõem de recursos para comprar o absorvente, podemos pensar que é algo simples, mas para muitas meninas é algo inacessível e vamos possibilitar qualidade para que ela frequente a aula e tenha uma vida normal, como deve ser”.

“Esta lei vai possibilitar que as alunas consigam frequentar as aulas no período menstrual, e mais, dar a elas a possibilidade de se cuidarem. A menstruação pode deixar de ser um tabu social e econômico”, afirmou a subsecretária municipal de Políticas para Mulher, Carla Stephanini.