Por redação
As eleições de 2022 bateram recorde de governadores reeleitos desde 2006 – dos 20 candidatos, 18 confirmaram o segundo mandato. Apenas em dois estados, São Paulo e Santa Catarina, os eleitores escolheram não dar continuidade ao governo atual.
Dos 18 governadores reeleitos, 12 tiveram a vitória ainda no primeiro turno. Outros seis estados precisaram dos dois turnos. 2022 ultrapassou os números de 2006. Naquele ano, dos 20 candidatos que tentaram a reeleição, 14 conseguiram. Neste ano, dos 20, 18 foram reeleitos.
Já 2018 registrou a menor taxa de reeleição desde 2006. Na última eleição, 10 governadores conseguiram manter o mandato – 20 tentaram.
Em 2010, 20 governadores tentaram reeleição e 13 conseguiram. Em 2014, 18 candidatos tentaram a reeleição e 11 foram bem-sucedidos.
Acima da média
Desde quando um segundo mandato passou a ser possível para cargos executivos, de 1998 a 2018, cem governadores haviam disputado a reeleição. Pouco mais de 70% deles conseguiram: 71, no total.
Neste ano, 20 mandatários concorreram a um novo mandato. Com 18 reeleições, a taxa ficou em 90%.
Partidos políticos
PT e União Brasil lideram o ranking dos partidos com mais governadores eleitos nas eleições de 2022. Cada legenda conseguiu a chefia de quatro estados. Os quatro estados governados pelo PT são do Nordeste: Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, os mesmos que já eram governados pelo partido.
O União Brasil conquistou um estado a mais em comparação a 2018 e passará a governar a partir de 2023: Amazonas, Goiás, Mato Grosso e Rondônia. Em seguida na lista, vêm PSDB, MDB e PSB, com três estados cada um. Em crise e rachados na disputa deste ano, os tucanos reverteram os cenários do primeiro turno e conquistaram três governos: Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Rio Grande do Sul.
PSB ganhou no Maranhão no primeiro turno e na Paraíba e no Espírito Santo na eleição de hoje, com dois reeleitos. Já o MDB havia vencido no Distrito Federal e no Pará e neste domingo adicionou Alagoas à sua lista. Neste ano, houve uma distribuição menor de governadores eleitos por partido, o que pode ser explicado pela união do DEM com o PSL em 2021, formando o União Brasil.
Conheça mais dos governadores eleitos em 2022
ACRE
Gladson Cameli (PP), 44 anos. Foi reeleito em 1º turno com 56,75% dos votos. Em 2018, ele rompeu a hegemonia de 20 anos de governos petistas no estado. Sua família tem empresas de construção civil e exploração de madeira. Durante seu mandato, defendeu pautas conservadoras nos costumes e liberais na economia.
ALAGOAS
Paulo Dantas (MDB), 43 anos. Foi reeleito no 2º turno com 52,33% dos votos válidos. Se tornou governador do estado em maio deste ano (2022) para um mandato-tampão, eleito indiretamente pela Assembleia Legislativa alagoana. Em outubro, o STJ o afastou do cargo por causa de acusação de desvio de dinheiro para o pagamento de funcionários fantasmas quando Dantas era deputado estadual. Em 24 de outubro, o STF o recolocou no comando de Alagoas.
AMAPÁ
Clécio Luis (Solidariedade), 50 anos. Foi eleito em 1º turno com 53,69% dos votos. Foi prefeito de Macapá de 2013 a 2020. Também trabalhou como vereador da cidade. À frente da prefeitura, realizou PPPs (parcerias público-privadas) na política de regularização fundiária.
AMAZONAS
Wilson Lima (União Brasil), 46 anos. Foi reeleito governador no 2º turno com 56,65% dos votos válidos. Sua gestão foi marcada pela crise de escassez de oxigênio durante a pandemia, resultando em milhares de mortes. O colapso foi investigado pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da covid, que pediu 80 indiciamentos por crimes na pandemia. O governador foi acusado de cometer crime de prevaricação, de responsabilidade e de epidemia com resultado morte.
BAHIA
Jerônimo Rodrigues (PT), 57 anos. Foi eleito em 2º turno com 52,79% dos votos válidos. Foi secretário de Educação do Estado da Bahia no governo de Rui Costa. Também foi secretário executivo adjunto do ministério do Desenvolvimento Agrário, secretário nacional do Desenvolvimento Territorial e assessor especial do ministro do Desenvolvimento Agrário. Filiou-se ao PT em 1990. Começou a campanha atrás de ACM Neto (União Brasil), segundo as pesquisas, ultrapassando o adversário na reta final e terminando o 1º turno em 1º lugar.
CEARÁ
Elmano de Freitas (PT), 52 anos. Foi eleito em 1º turno com 54,02% dos votos. É deputado estadual desde 2014. Nesse intervalo, disputou a prefeitura de Caucaia, cidade da Região Metropolitana de Fortaleza, em 2020, mas perdeu. Também foi vice da chapa do PT à Prefeitura de Fortaleza em 2016, porém também não foi eleito.
DISTRITO FEDERAL
Ibaneis Rocha (MDB), 51 anos. Foi reeleito em 1º turno com 50,30% dos votos. Foi o 1º candidato à reeleição a vencer no 1º turno na história de Brasília. Foi presidente da Ordem de Advogados do Brasil do Distrito Federal (OAB-DF) de 2013 a 2015. Dono de um escritório de advocacia desde a década de 1990, ele disputou pela 1ª vez um cargo público em 2018, quando foi eleito governador.
ESPÍRITO SANTO
Renato Casagrande (PSB), 61 anos. Foi reeleito no 2º turno com 53,80% dos votos válidos. Ele foi eleito governador do Espírito Santo pela 1ª vez em 2010, mas não conseguiu a reeleição em 2014. Perdeu para Paulo Hartung (MDB). Voltou a ser eleito em 2018.
GOIÁS
Ronaldo Caiado (União Brasil), 73 anos. Foi reeleito em 1º turno com 51,81% dos votos válidos. Foi deputado federal por 5 mandatos e senador de 2015 a 2018. No Congresso, atuou em pautas relacionadas à agricultura e à pecuária. Sua gestão ficou marcada pelo rompimento com o presidente Jair Bolsonaro (PL) por diferenças de posicionamento em relação à gestão da pandemia e pela entrada de Goiás no Regime de Recuperação Fiscal.
MARANHÃO
Carlos Brandão (PSB), 64 anos. Foi reeleito em 1º turno com 51,29% dos votos válidos. Assumiu o cargo em 2 de abril depois que Flávio Dino (PSB) renunciou. Comandou diversas secretarias no Estado, como Agricultura, Meio Ambiente e Casa Civil. Também foi deputado federal.
MATO GROSSO
Mauro Mendes (União Brasil), 58 anos. Foi reeleito em 1º turno com 68,45% dos votos. Foi eleito prefeito de Cuiabá em 2012. Em 2018, venceu a disputa pelo governo mato- grossense no 1º turno. Seu mandato foi marcado por ações voltadas à infraestrutura.
MATO GROSSO DO SUL
Eduardo Riedel (PSDB), 53 anos. Foi eleito no Mato Grosso do Sul no 2º turno com 56,90% dos votos válidos. Em 2015, ele passou a ocupar cargos no governo do Estado na gestão de Reinaldo Azambuja. Atuou como secretário de Governo e Infraestrutura, deixando o cargo em abril para disputar as eleições de 2022.
MINAS GERAIS
Romeu Zema (Novo), 58 anos. Foi reeleito em 1º turno com 56,18% dos votos válidos. Foi presidente do grupo Zema, empresa do ramo de varejo, até 2016. Em sua gestão, enfrentou desafios para ajustar as contas públicas do Estado. Sua administração foi marcada por uma tentativa de ajuste nas contas públicas de Minas Gerais.
PARÁ
Helder Barbalho (MDB), 43 anos. Foi reeleito em 1º turno com 70,41% dos votos válidos. Assumiu o Ministério da Pesca e Aquicultura no 2º mandato de Dilma Rousseff (PT). Sua gestão ficou marcada pelo cumprimento de 22 das 50 propostas de seu 1º plano de governo. Em 2020, seu gabinete foi alvo de buscas pela PF por supostos desvios de recursos na pandemia.
PARANÁ
Ratinho Jr. (PSD), 41 anos. Foi reeleito em 1º turno com 69,64% dos votos válidos. Filho do apresentador de TV Ratinho, ele já atuou como deputado estadual, deputado federal e secretário de Desenvolvimento Urbano do Paraná.
PARAÍBA
João Azevêdo (PSB), 69 anos. Foi reeleito no 2º turno com 52,51% dos votos válidos. Já foi secretário de Infraestrutura de João Pessoa e ocupou a Secretaria de Estado da Infraestrutura, Recursos Hídricos, Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia.
PERNAMBUCO
Raquel Lyra (PSDB), 43 anos. Foi eleita em 2º turno com 58,70% dos votos válidos. Ela foi delegada da PF (Polícia Federal) e procuradora do Estado. Foi eleita deputada estadual por 2 mandatos. Em 2016, chegou à prefeitura de Caruaru, onde foi reeleita em 2020. O marido de Lyra teve um mal súbito e morreu em 2 de outubro, data do 2º turno. Ela chegou a pedir o adiamento do início do horário eleitoral gratuito na televisão e no rádio em razão da morte do marido, mas a campanha da sua adversária Marília Arraes (SD) optou por manter o calendário eleitoral. Raquel terminou atrás de Marília no 1° turno.
PIAUÍ
Rafael Fonteles (PT), 37 anos. Foi eleito em 1º turno com 57,17% dos votos. De 2015 a 2022, foi secretário da Fazenda do Piauí. Ele deixou a função neste ano para concorrer pela 1ª vez a um cargo político.
RIO DE JANEIRO
Cláudio Castro (PL), 43 anos. Foi reeleito em 1º turno com 58,67% dos votos. Ele assumiu o governo fluminense depois do impeachment de Wilson Witzel (PSC), em abril de 2021. Em sua gestão, foi criticado por policiais nas comunidades, sendo a mais letal a do Jacarezinho, com 28 mortes.
RIO GRANDE DO NORTE
Fátima Bezerra (PT), 67 anos. Foi reeleita em 1º turno com 58,32% dos votos. Já atuou como deputada estadual e federal pelo Estado. Em 2014, elegeu-se senadora. Deixou o cargo para assumir o governo potiguar. Sua gestão ficou marcada por denúncias de irregularidades durante a pandemia.
RIO GRANDE DO SUL
Eduardo Leite (PSDB), 37 anos. Foi eleito no 2º turno com 57,12% dos votos válidos. Ele foi eleito governador do Estado em 2018, mas deixou o cargo em março para tentar o Planalto. Perdeu as prévias do PSDB para João Doria. Os tucanos, no entanto, decidiram apoiar a candidatura de Simone Tebet (MDB). Leite então se candidatou ao governo gaúcho.
RONDÔNIA
Marcos Rocha (União Brasil), 54 anos. Foi reeleito em 2º turno com 52,47% dos votos válidos. Começou sua carreira política em 2018. É militar e sua gestão ficou marcada pela redução do limite das unidades de preservação.
RORAIMA
Antônio Denarium (PP), 58 anos. Foi reeleito em 1º turno com 56,47% dos votos válidos. Além de político, é empresário, agricultor e pecuarista. Durante sua gestão, apoiou o setor industrial extrativista mineral do Estado e incentivou seu crescimento.
SÃO PAULO
Tarcísio de Freitas (Republicanos), 47 anos. Foi eleito no 2º turno com 55,27% dos votos válidos. Foi ministro da Infraestrutura do governo Bolsonaro. Carioca, esta foi sua 1ª eleição. Por ter nascido no Rio de Janeiro, foi alvo de críticas por parte de seus adversários, Fernando Haddad (PT) e Rodrigo Garcia (PSDB). Na campanha, ele não soube responder qual era o seu local de votação.
SANTA CATARINA
Jorginho Mello (PL), 66 anos. Foi eleito no 2º turno com 70,69% dos votos válidos. É senador pelo Estado. Foi deputado federal por dois mandatos e eleito deputado estadual quatro vezes. É presidente do PL em Santa Catarina.
SERGIPE
Fábio Mitidieri (PSD), 45 anos. Foi eleito no 2º turno com 51,70% dos votos válidos. Já foi secretário de Estado do Trabalho e comandou a Secretaria Municipal de Esportes. Elegeu- se vereador de Aracaju em 2008. Foi deputado federal por três mandatos.
TOCANTINS
Wanderlei Barbosa (Republicanos), 58 anos. Foi reeleito em 1º turno com 58,14% dos votos válidos. Ele assumiu o cargo interinamente em outubro de 2021, depois que o STJ determinou o afastamento do governador Mauro Carlesse (Agir) por suposto pagamento de propinas. Barbosa foi empossado oficialmente em março deste ano depois que Carlesse renunciou.