Sistema proporcional: como funciona a eleição de vereadores no Brasil
Nem sempre o mais votado é eleito: conheça os cálculos que influenciam as eleições municipais
Por Lauren Netto
No último domingo (6), mais de 58 mil vereadores foram eleitos nos 5.569 municípios brasileiros. Diferente da eleição para prefeitos, a escolha dos vereadores segue o sistema proporcional, que nem sempre garante vaga ao candidato mais votado.
Como funciona o sistema proporcional O sistema proporcional tem como base dois cálculos importantes:
1. Quociente Eleitoral (QE): Este número é obtido dividindo-se o total de votos válidos pelo número de vagas na câmara municipal. É o mínimo de votos que um partido precisa para conquistar ao menos uma cadeira. Por exemplo, se um município tiver 100 mil votos válidos e 10 vagas, o quociente eleitoral será de 10 mil.
2. Quociente Partidário (QP): Após calcular o QE, é necessário saber quantas cadeiras cada partido conquistou. Isso é feito dividindo-se o número de votos válidos que o partido recebeu pelo quociente eleitoral. Se um partido obteve 30 mil votos, e o QE é 10 mil, o partido terá direito a três cadeiras.
Quem fica com as vagas Após a distribuição das cadeiras entre os partidos, os candidatos mais votados dentro de cada legenda ocupam as vagas. Vale lembrar que os candidatos precisam ter pelo menos 10% dos votos do QE para serem eleitos, mesmo que o partido tenha garantido uma cadeira. Por esse sistema, candidatos com mais votos podem acabar ficando de fora se o partido não atingir o quociente eleitoral necessário.
O papel do vereador Os vereadores são responsáveis por propor e aprovar leis que regulam aspectos fundamentais da vida municipal, como ordenamento urbano, comércio, educação e saneamento básico. Além disso, fiscalizam o trabalho do prefeito, garantindo a correta aplicação dos recursos públicos e o cumprimento de metas e programas.
As câmaras municipais podem ter entre 9 e 55 vereadores, dependendo do número de habitantes do município, conforme estabelecido na Lei Orgânica.