Por redação
Com o fim das eleições gerais de 2022, Mato Grosso do Sul elegeu o 12° governador do estado. Eduardo Riedel (PSDB) levou a vitória com 56,90%, totalizando 808.210 votos. Pela primeira vez disputando um cargo eletivo, o tucano assumirá a continuidade do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) nos próximos quatro anos. Esse é o terceiro mandato do partido no estado.
Eduardo Riedel tem 53 anos e chegou ao primeiro escalão do governo em 2015. Em sete anos, comandou as secretarias de Governo e de Infraestrutura. Também presidiu o Prosseguir, programa que ordenou as atividades econômicas na pandemia de coronavírus. Agora, na primeira eleição, conquistou o mais alto cargo político de MS.
No último domingo (30), quando foi anunciado no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), Riedel disse que a expectativa agora é de muito trabalho e o sentimento é de responsabilidade. “Como eu falei durante toda a campanha, temos um projeto para Mato Grosso do Sul de desenvolvimento, distribuição de renda, inclusão e qualificação para as pessoas entrarem nas oportunidades oferecidas e política pública de qualidade. Esse é o caminho e para isso há muito trabalho e responsabilidade”.
Apontou também que está aberto ao diálogo e que tem grandes planos para melhorar a qualidade de vida e bem estar dos sul-mato-grossenses.
Conheça o plano de governo e um pouco mais da biografia do novo governador de Mato Grosso do Sul no link abaixo.
LINK|-|https://www.msconecta.com.br/paginas/43e7acc4-1f14-49de-a2e3-e86f669ae7c1|-| Eduardo Riedel
Saiba um pouco da história política de MS
Criado pela Lei Complementar nº 31, em 11 de outubro de 1977, Mato Grosso do Sul tem história recente na disputa eleitoral pelo governo do Estado.
No período da ditadura militar, o cargo em MS era indicado pelo Presidente da República, já que, entre 1966 e 1981, a população havia perdido o direito de eleger o governador. Em 1979, com a homologação do Estado, o primeiro gestor indicado foi Harry Amorim Costa, seguido de Marcelo Miranda e Pedro Pedrossian. Entre os dois primeiros, demitidos do cargo, o Presidente da Assembleia Legislativa, Londres Machado, chegou a ocupar a cadeira no Executivo.
A história político-social e econômica remonta, porém, a acontecimentos do fim do século XIX, que deram início às mobilizações e manifestos em favor da divisão do MT, que aconteceria quase um século depois. Quando já era considerado uma causa perdida, o movimento ganhou força com o recrudescimento do regionalismo sul-mato-grossense, mas lideranças políticas da época asseguram que pesou no desmembramento do uno Mato Grosso a visão militarista sobre a geopolítica brasileira.
Em 1982, eleitores sul-mato-grossenses foram às urnas pela primeira vez para escolher o governador em eleições diretas. Desde então, só um mandatário conseguiu fazer o sucessor.
Naquele ano, o eleito foi Wilson Barbosa Martins (PMDB), com 258.192 votos. Ele venceu a disputa com José Elias Moreira (PDS), que obteve 237.144 votos. Wilson Martins governou de 15 de março de 1983 a 5 de maio de 1986, quando pediu exoneração para concorrer ao Senado. O vice, Ramez Tebet, assumiu a função até 14 de março de 1987.
Seguindo a tendência de eleger nomes fortes da política, o próximo governador eleito também era conhecido desde o Mato Grosso uno. Marcelo Miranda Soares manteve o PMDB na administração, com 412.974 votos. O segundo colocado, Lúdio Martins Coelho (PTB), havia conquistado 243.026 votos.
Na eleição seguinte, o PMDB não conseguiu se manter no poder. Pedro Pedrossian (PTB), anteriormente indicado ao cargo pelo governo militar, venceu na disputa realizada em 1990, com 417.589 votos. O segundo colocado, Gandi Jamil (PDT), teve 217.289 votos. Jamil fazia chapa com o PMDB, em que a vice era Celina Jallad.
A disputa de 1994 marcou a volta de Wilson Barbosa Martins (PMDB) ao governo, eleito aos 77 anos, com 392.365 votos, (53,70%). Derrotou outra figura histórica da política de MS, Levy Dias (PPR), que havia conquistado 243.366 votos (33,31%).
O segundo mandato de Martins foi marcado por protestos e atrasos salariais dos servidores, conforme documentos do arquivo da FGV (Fundação Getúlio Vargas). Na gestão de 1983- 86, foi favorecido pela democratização, mas, na segunda administração (1995-1998), enfrentou greve do setor judiciário, atraso nos salários e Estado endividado.
Martins poderia ter se candidatado à reeleição, favorecido pela mudança ocorrida em 1997, sob a presidência de Fernando Henrique Cardoso. Mas, optou por não disputar o cargo. As versões que circularam é que teria optado em não concorrer pela idade, 81 anos, mas também, pela possível dificuldade de se reeleger após os problemas enfrentados.
MUDANÇAS
A eleição de 1998 é marcada por um fato inédito na história de Mato Grosso do Sul. Pela primeira vez, um candidato do PT assumiu a função: José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, vence o 2º turno com 548.040 votos, derrotando Ricardo Augusto Bacha (PSDB), que teve 346.466.
Em 2002, Zeca do PT concorreu à reeleição e, novamente, obteve a vitória no 2º turno. Com 581.545 votos, derrotou Marisa Serrano (PSDB) com 500.542 votos.
O PT não conseguiu se manter no Executivo. Na eleição em 2006, o candidato à sucessão, Delcídio do Amaral Gomez, conquistou 450.747 votos, mas não conseguiu bater André Puccinelli (PMDB), que venceu ainda no 1º turno, com 726.806 votos.
PT e PMDB voltaram a se enfrentar pelo governo de MS na campanha de 2010. José Orcírio se candidatou na tentativa de evitar a reeleição de Puccinelli, mas não conseguiu. O candidato do PMDB foi escolhido por 704.407 eleitores (56%). Zeca obteve 534.601 votos (42,50%).
A exemplo do que aconteceu com PT, o PMDB não conseguiu emplacar o sucessor. Em 2014, Nelson Trad Filho foi o candidato de Puccinelli, mas terminou em terceiro lugar. Neste ano, a disputa foi para o 2º turno, entre Delcídio do Amaral (PT) e Reinaldo Azambuja (PSDB). O tucano virou o jogo, com 741.516 votos (55,34%). O petista contou com 598.461 eleitores (44,66%).
Na eleição de 2018, Azambuja teve que ir ao 2º turno para garantir a eleição. Venceu com 677.310 votos (52,35%), derrotando Odilon de Oliveira, que teve 616.422 votos (47,65%).
Nesse ano, o primeiro turno foi marcado por surpresas, já que todas as pesquisas prévias apontavam o ex-governador, André Puccinelli (MDB), como primeiro colocado. Porém, o mesmo terminou em 3º lugar, com 247.093 votos (17,18%).
Para a disputa do segundo turno, concorreram então o candidato do governo, Eduardo Riedel (PSDB) e o Deputado Federal Capitão Contar, ambos em suas primeiras campanhas para o cargo. Riedel foi eleito com 808.210 votos (56,90%), tendo sido o primeiro governador dos 12 estados que tiveram segundo turno a ser anunciado como vencedor.