Datafolha: Oito a cada dez jovens tiveram problemas recentes de saúde mental

Pesquisa apontou que ansiedade e pensamentos suicidas afetaram brasileiros de 15 a 29 anos

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Por redação

Oito em cada dez brasileiros de 15 a 29 anos apresentaram recentemente algum problema de saúde mental, segundo dados inéditos de pesquisa Datafolha. A maioria desses jovens sofreu com pensamentos negativos (66%), dificuldade de concentração (58%) e crise de ansiedade (53%). Uma minoria significativa relatou ter transtornos alimentares (20%) e pensamentos suicidas (13%) ou ainda ter ferido o próprio corpo por meio de automutilação (6%). Mais da metade (51%), considera sua saúde mental como regular, ruim ou péssima.

No levantamento, foram ouvidos mil jovens entre 15 e 29 anos em 12 de algumas das maiores capitais do país. Feita em 20 e 21 de julho deste ano, a pesquisa tem margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

A identificação dessas sensações e comportamentos não pode ser tomada como diagnóstico, afirma a psiquiatra da infância e adolescência Gabriela Viegas Stump, que atua no Hospital das Clínicas e no Sírio Libanês, ambos em São Paulo.

Por outro lado, os relatos da sensação de tristeza, ansiedade ou do que os jovens autodenominavam como depressão, afirma a profissional, ou indicam que essas pessoas estão com um problema de saúde mental ou precisam ser tomadas como fator de risco de desenvolverem problemas no futuro.

Esses e outros sintomas enfrentados pelos jovens brasileiros em tempos recentes se intensificaram após a pandemia da covid-19, ao mesmo tempo em que aumentou o diagnóstico formal de ansiedade e de depressão entre crianças e adolescentes no mundo inteiro, numa espécie de pandemia de adoecimento mental.

“Estudos mostram claramente um aumento do índice de problemas de saúde mental entre jovens e uma intensificação desse aumento no pós-pandemia”, afirma Stump. Ela aponta que houve tanto uma crescente nos problemas entre pessoas que já tinham patologias prévias quanto uma ampliação de quadros novos de depressão e ansiedade.

Especialistas apontam que a vulnerabilidade jovem tem a ver também com a maior exposição a violência doméstica e parental que ocorreu no período de confinamento e com a perda de fatores importantes de proteção da mente, como a frequência à escola ou universidade e a prática de atividades esportivas, aspectos prejudicados nos últimos anos por causa da pandemia.

Stump salienta a importância do crescente movimento de atenção à saúde e de diminuição de estigmas, o que permite que mais pessoas se sintam à vontade para buscar ajuda.

“É preciso que haja uma maior conscientização de que existem possibilidades de tratamento psicológico e psiquiátrico para problemas de saúde mental”, alerta. “São condições tratáveis, e com repercussões muito importantes no bem-estar das pessoas.”

Recentemente, uma influenciadora conhecida como Evelyn Félix publicou imagens feitas por ela mesma durante suas crises de ansiedade. Ela passou a filmar seu próprio rosto com as expressões e como isso transparecia o que ela sentia, às vezes com os olhos cheios de lágrimas.

“Queria mostrar um outro lado da minha vida, muito diferente daquela rotina fake das redes sociais. Cheguei num lugar em que me sentia vazia e desesperada. Às vezes, não queria nem acordar”, lembra ela, que hoje está em tratamento. As imagens foram publicadas numa rede social e o vídeo viralizou.

“Fiquei anos tentando viver de maneira boa sem o auxílio de ninguém e, depois de muito sofrimento, decidi buscar ajuda de alguém que não me julgasse pelos meus pensamentos e que me ajudasse a encontrar novos meios de lidar ou reverter minhas crises”, diz. “A ajuda profissional tem sido fundamental”, comemora Evelyn.


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