A pandemia da covid-19 acabou? Como chegar a essa conclusão?

A covid-19 ainda circula pelo país mas com pequenos casos e poucas mortes

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Por redação

Com o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras, grandes festivais ocorrendo pelo mundo e pouca preocupação com aglomerações, a impressão é que a pandemia da covid-19 já é coisa do passado. O Ministério da Saúde, inclusive, já decretou o fim da 'Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional da Covid-19 no Brasil'. Mas, oficialmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda mantém o decreto de pandemia.

Para explicar o assunto, é preciso entender o significado de cada termo.

O que é a pandemia?

De acordo com a definição da OMS, a pandemia da covid-19 é um surto global da doença infecciosa causada pelo vírus da síndrome respiratória aguda grave coronavírus 2 (SARS- CoV-2), declarada em 11 de março de 2020.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) ainda acrescenta que o termo 'pandemia' é usado quando uma epidemia - surto que afeta uma região - se espalha por diferentes continentes com transmissão sustentada de pessoa para pessoa. É como aconteceu em outras épocas, como na gripe espanhola, que atingiu um quarto da população mundial entre 1918 e 1920.

Então, o que define o fim da pandemia?

No caso da covid-19, a OMS tem analisado, de três em três meses, os critérios que levaram o órgão a declarar a pandemia de covid-19 no mundo. Essa análise é feita por um comitê formado por especialistas internacionais que verificam, por exemplo, se a doença ainda é uma ameaça para todo o mundo e se o vírus continua se disseminando.

Também, durante o comitê, os membros chegam a uma conclusão a fim de aconselhar o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, a declarar, ou não, o fim da pandemia. Só que essa análise não é tão objetiva, pois depende de dados de todos os países, que muitas vezes são imprecisos.

Outro ponto a ser destacado é que não faria sentido declarar o fim da pandemia se ainda houver regiões (mesmo menores) em que o vírus ainda circula de forma intensa.

Para a OMS, mesmo em uma pequena região, existe a possibilidade do vírus se modificar e criar uma versão mais letal ou infecciosa que consegue driblar parte da imunidade das vacinas, como aconteceu com a variante Ômicron. Portanto, não existe um número 'x' ou condições fixadas que definem quando uma pandemia começa ou termina, mas já existe no horizonte uma noção de que o fim da pandemia da covid-19 está se aproximando.

"Nunca estivemos em melhor posição para acabar com a covid-19 como uma emergência de saúde global. O número de mortes relatadas semanalmente está próximo do menor, desde o início da pandemia. Além disso, dois terços da população mundial estão vacinados, incluindo 75% dos profissionais de saúde e idosos", afirmou Tedros Adhanom no dia 14 de setembro.

Outro dado importante é que o número de novas mortes semanais diminuiu 17% nas últimas duas semanas, segundo o mais recente boletim da OMS. Apesar disso, cerca de 9 mil mortes foram relatadas durante o período. Ao todo, são mais de 622 milhões de casos registrados, com 6,5 milhões de mortes pela doença no mundo.

No mesmo comunicado do dia 14 de setembro, Tedros fez questão de alertar que o fim da pandemia ainda requer um trabalho global, especialmente nessa atual fase. O principal desafio ainda é manter a testagem e garantir a vacina para os países mais pobres.

"Apenas 19% da população de países de baixa renda são vacinados, em comparação com 75% em países de alta renda. Um novo relatório publicado ontem pelo ACT Accelerator Council destaca a queda das taxas de testes em todo o mundo. (...) Essas desigualdades não são apenas um risco para aqueles que afetam diretamente; eles são um risco para todos nós. (...) Temos as ferramentas para acabar com a fase aguda desta pandemia, mas somente se vacinarmos todos os profissionais de saúde e idosos, continuarmos testando e expandirmos o acesso a antivirais eficazes", disse o diretor-geral da OMS.

*Dados UOL Notícias