Não me KAHLO: Conheça Frida Kahlo

A vida, obra e militância da artista

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Por Ana Laura Menegat

Com olhos profundos, sobrancelhas pretas e expressivas e a marca registrada de flores nos cabelos, a pintora mexicana Frida Kahlo fez de seu nome um importante símbolo do movimento feminista. Nascida em 6 de julho de 1907 como Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón, a artista é criadora de inúmeros autorretratos que registraram diversas fases e dores de sua vida.

Filha de alemão e de mexicana com descendência indígena, nasceu, cresceu e morreu na famosa “Casa Azul”, localizada na Cidade do México. Nasceu três anos antes da Revolução Mexicana e se considerava filha do movimento, por se identificar com os ideais do socialismo e do comunismo, correntes ideológicas marcadas em algumas de suas obras, como “Marxismo dará saúde aos doentes” (1954). Frida se tornou um símbolo do movimento feminista e em suas pinturas retratou a vulnerabilidade, a violência de gênero e diversas realidades vividas por outras mulheres.

Aos seis anos, contraiu poliomielite, uma doença viral que gerou uma paralisia em seu pé direito, que a fez mancar enquanto andava. Aos 18 anos, estudava para ser médica, mas ao sofrer um acidente de ônibus, um pedaço de metal atravessou seu corpo, o que a deixou com várias sequelas. Precisou, anos mais tarde, ter os pés amputados e usar coletes de gesso na coluna. Estima-se que a artista passou por 30 a 40 cirurgias ao longo da vida.

Toda essa tragédia foi retratada em suas pinturas e a dor ali marcada por suas pinceladas e cores vibrantes foi o motor propulsor para o sucesso de seu trabalho. Muitos artistas a caracterizavam dentro do estilo surrealista de pintura, mas ela nunca aceitou essa nomenclatura, pois defendia que suas obras retratavam a realidade e o real na vida de Frida sempre foi doloroso e tumultuado.

“As Duas Fridas” (1939) é uma de suas obras mais conhecidas, a qual conta com a representação de duas versões dela. Uma, à direita, está coberta de um vestido azul e marrom, com detalhes em amarelo. A outra, à esquerda, está vestida de branco. Ambas possuem os corações arrancados para fora e interligados entre si e as duas Fridas se mantêm sentadas e de mãos dadas. Dentre as várias interpretações possíveis desta obra, uma delas é a relação de acolhimento e afastamento da artista em relação a si mesma, já que uma está com trajes tipicamente europeus e a outra com vestimentas indígenas, representando as suas duas linhagens.

Apesar de ainda em vida ter ficado famosa no exterior, em seu país natal ela não possuía tanto reconhecimento e foi pouco antes de sua morte que conquistou sua primeira exposição individual no México. Como estava debilitada e acamada, a forma que encontrou para ir à sua própria exposição foi contratar muitas pessoas e um caminhão para a levar em sua cama até o local. Frida Kahlo morreu em 13 de julho de 1954 de embolia pulmonar, mas a hipótese de suicídio não é descartada, pois a última coisa escrita em sua diário é “espero que a minha partida seja feliz - e espero nunca mais voltar”.

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