Ensino básico no Brasil pode passar por uma defasagem de 235 mil professores nos próximos anos

Pesquisa realizada pelo Instituto Semesp aponta que o país deve enfrentar uma crise em seu sistema educacional dentro de 20 anos

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Por Vinícius Reis

No ano de 2040, existe um grande risco de o Brasil enfrentar um "apagão" de professores na educação básica: faltarão 235 mil docentes nas escolas do país, segundo a projeção divulgada nesta quinta-feira (29) pelo Instituto Semesp.

A situação é preocupante e deve começar a ser levada a sério pelos órgãos federais, visto que o desinteresse pelas áreas de licenciatura está diminuindo cada vez mais. Parte das razões para o déficit na categoria é o envelhecimento do corpo docente e o abandono da profissão.

Parte desse problema é prioritariamente atribuído ao desinteresse dos jovens em trabalhar como educadores do ensino básico, visto que de 2010 a 2020, a participação de alunos até 29 anos como calouros dos cursos de licenciatura apresentou queda de quase 10%. Algo extremamente preocupante pois, sem novos professores, as escolas não terão como renovar seu corpo docente logo mais.

Para chegar a esse resultado, o cálculo considerou a tendência atual de 20,3 alunos entre 3 e 17 anos para cada professor. Caso a rota permaneça inalterada, é necessário o contingente de 1,97 milhão para ensinar os estudantes. Atualmente, a atividade docente registra 1,74 milhão de professores. Logo, fazendo a subtração de um pelo outro, chega-se a essa deficiência. O estudo aponta ainda o problema da evasão. Nos dez anos analisados, o percentual de estudantes que concluíram os cursos de licenciatura aumentou apenas 4,3%.

A pesquisa foi feita a partir de dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que é vinculado ao Ministério da Educação. Ainda a partir dessa base de dados, os dados mostram que o percentual de novos alunos em cursos de licenciatura com até 29 anos de idade caiu de 62,8%, em 2010, para 53%, em 2020.

Outro fator que leva ao afastamento dos jovens da carreira de professor é a baixa remuneração. Em 2020, os professores do ensino médio recebiam, em média, R$ 5,4 mil por mês, o que representa 82% da renda média das pessoas empregadas com ensino superior (R$ 6,5 mil). Além disso, o estudo aponta também o abandono da profissão devido às condições de trabalho precárias, como a falta de infraestrutura em algumas escolas, de equipamentos e de materiais de apoio, somados a violência na sala de aula e problemas de saúde, agravados com a pandemia de covid-19.

Com o avanço do ensino à distância nas faculdades, nas modalidades EAD, em alta desde 2016, parte dos alunos acaba optando pela evasão dos cursos, o que dificulta ainda mais a formação de novos profissionais.

De acordo com dados do Inep, as áreas que apresentaram maior queda de conclusão na graduação entre os anos de 2016 e 2020 foram: biologia, química, ciências sociais, letras, história e geografia. Na área de pedagogia, houve um aumento de 9,8%, visto que foi aplicada a obrigatoriedade de educação infantil a partir dos 4 anos de idade, o que ampliou o mercado de trabalho.

É um momento para todos se atentarem às escolas e que a educação seja propagada com maior cuidado. Caso essa marca de déficit aconteça dentro de 20 anos, todo o sistema educacional apresentará uma crise que levará anos para se recompor novamente.