Tacada certa: Saiba um pouco mais sobre o golfe

A prática do golfe envolve consciência corporal, concentração e muito amor ao esporte

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Por Ana Laura Menegat

Reza a lenda que o golfe teria sido criado no século XV, na Escócia, por dois pastores de ovelhas. Um deles teria batido com o cajado em uma pedra, que rolou e caiu em um buraco de coruja. O outro duvidou que o companheiro pudesse repetir o feito e, assim, iniciaram a disputa de quem acertava mais vezes. A quantidade de buracos nas partidas variava de acordo com o número de doses de whisky que os jogadores tomavam durante o jogo para se manterem aquecidos no frio escocês. Quando a bebida acabava, também acabava a competição.

O esporte, após passar por transformações ao longo da história, mantém em sua essência a necessidade de concentração e autocontrole no decorrer do percurso. A tacada busca imprimir velocidade à bola, não necessariamente força. O corpo se articula de modo que o foco do movimento fique concentrado nos ombros, não nas mãos que seguram o taco. Com isso, a paciência e a consciência corporal são os aspectos mais importantes para um bom desempenho. Para José Neto, empresário e gerente do Terras do Golfe, campo privado de nove buracos na capital, “É preciso deixar todos os problemas e questões pessoais fora do campo para, assim, ter um bom rendimento no jogo”. Segundo o empresário, quem é afoito e ansioso precisa “baixar a bola” ou vai jogar muito mal.

O golfe se tornou esporte olímpico oficial em 2016, apesar de já ter sido disputado nas Olimpíadas de 1900 e 1904. Para praticá-lo, é preciso um conjunto de 14 tacos que possuem diferentes angulações e, consequentemente, proporcionam variadas direções e alcance nas tacadas. A escolha do “ferro” vai de acordo com o movimento desejado. Segundo José, cada uma das escolhas de taco e estratégias das jogadas giram em torno da paixão pelo esporte. “Todo golfista é, antes de tudo, um aficionado”.

Pablo De La Rua, que cresceu em uma família apaixonada por golfe, se tornou jogador profissional e head pro do Terras do Golfe. Ele acredita que o que a modalidade proporciona vai além do jogo. “O que mais me encanta no esporte é a longevidade que ele tem. Eu tenho um filho de cinco anos e outro que não chega a dois, eles têm os ‘taquinhos’ deles e mandam ver. Meu avô faleceu aos 83 anos e jogava golfe todos os dias. Acho que nenhum esporte proporciona essa diferença tão grande de idade”, afirma o golfista.

O Terras do Golfe também é reconhecido pelo protagonismo feminino. Andreia Munaro é a capitã do clube “Monstrinhas do Golfe”, composto por mais de 30 mulheres. Para ela, o esporte impulsiona uma visão consciente a respeito das ações realizadas, de forma que após uma jogada correta, quem está jogando “quebrará a cabeça” para tentar reproduzir o lance. “O golfe é um esporte fascinante, você não usa só o físico, usa também a mente. É um jogo de estratégia, que nos faz pensar o tempo todo”.

Nos Estados Unidos, existem muitos campos públicos em que os jogos acontecem ao mesmo tempo em que as pessoas passeiam na rua ao lado. Lá, o esporte interage com a cidade. Já no Brasil, a maioria dos campos de golfe são privados, limitando o acesso das pessoas. Para José, a dificuldade de tornar o golfe um esporte mais democrático se origina da cultura do futebol existente no país, que faz com que outras práticas esportivas sejam escanteadas em termos de financiamento.

Na contramão dessa tendência, a Associação Golfe Público de Japeri (AGPJ) começou a sonhar com uma transformação cultural e implementou o Japeri Golfe, um campo de nove buracos na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, que atua como projeto social de educação pelo esporte. A iniciativa busca apresentar o golfe aos jovens e torná-lo menos elitizado em nosso país.

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