Pedidos de demissão no Brasil batem recorde no mês de agosto

Os últimos dois anos têm sido intensos em transformações nos diversos setores da economia global

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Por Vinícius Reis

No Brasil, o mercado de trabalho vem crescendo cada vez mais e isso influencia diretamente na economia global. Mesmo com diversas áreas com vagas de trabalho o desemprego não para de crescer em todo o país. No mês de agosto, milhares de brasileiros pediram demissão de empregos com carteira assinada.

Um levantamento realizado pela LCA Consultores, com base nos dados disponibilizados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mostra que, em agosto de 2022, 632.798 pessoas pediram demissão de seus empregos. O número é o maior desde janeiro de 2020, quando se iniciou a série histórica

Em agosto, foi identificado que foram 1.773.161 desligamentos. Ou seja, 35,7% do total se deu por parte dos trabalhadores. Até então, o recorde havia sido registrado em março de 2022, com 603.136 pedidos de demissão, equivalentes a 35,7% de todos os fins de contratos que aconteceram naquele mês.

No acumulado de 12 meses, também houve novo recorde no número de pedidos de demissão, com mais de 6,5 milhões de pedidos nos últimos 12 meses até agosto entre os trabalhadores com carteira assinada. Entre os 26 estados e o Distrito Federal, apenas no Amapá, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul não houve recorde nos pedidos de demissões no mês.

A busca por realização pessoal, além da profissional, através de mais flexibilidade no trabalho e da priorização da saúde mental, mantendo distância de ambientes corporativos tóxicos, estão entre as principais motivações de quem decide pedir demissão de forma voluntária no Brasil.

Grande parte dessas demissões ainda é de um grupo privilegiado, geralmente de perfil jovem, masculino e com escolaridade alta, que não teria dificuldades de se recolocar no mercado de trabalho. De toda forma, o movimento do mercado deixa claro que a relação dos profissionais com o trabalho mudou, tanto as prioridades quanto a tolerância com condições de trabalho ruins diminuíram, obrigando as empresas a repensarem seus modelos de negócios, levando em consideração, cada vez mais, a experiência do colaborador.

Em relação ao estoque de vagas, ou seja, o total de empregos com carteira assinada, o setor de Alojamento e Alimentação foi o que mais registrou pedidos de demissão em agosto. Já os setores de Atividades Administrativas e Serviços Complementares; Agricultura, Pecuária, Produção Florestal, Pesca e Aquicultura e Atividades Profissionais, Científicas e Técnicas estão em seguida na maior proporção de pedidos de demissão dentro do total de vagas.

Com isso, mostra-se um movimento de pedidos de demissão vindo principalmente de profissionais mais qualificados e de setores mais aquecidos, como de TI.

A flexibilização de serviço, é uma das áreas mais buscadas no mercado de trabalho, muitas pessoas conseguem ganhar a vida e encontrando emprego a distância em países diferentes, ganhando em outra moeda, o que muitas vezes é o maior incentivo para pedir demissão nas empresas brasileiras.