Economia mundial deve crescer 2,2% em 2023, uma redução de 0,6% com a previsão anterior
Trata-se da 13ª queda consecutiva na expectativa dos investidores para a inflação, de acordo com o Banco Central
Por Vinícius Reis
A quebra nas economias globais com a guerra na Ucrânia e o aumento das taxas de juros para conter a inflação levaram a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE) a rever para baixo suas projeções de crescimento em todo o mundo. Em seu relatório "Pagando o preço da guerra" a organização prevê um crescimento global modesto de 3% para economia em 2022, que deve desacelerar para 2,2% em 2023, estimativa 0,6% menor que anterior, divulgada em junho.
Os economistas do mercado financeiro reduziram de 6% para 5,88% a estimativa de inflação para este ano. Esta foi a 13ª queda seguida da estimativa para a inflação deste ano. Também é a primeira vez desde março deste ano que a previsão fica abaixo de 6%. Os dados são do relatório "Focus", divulgado nesta segunda-feira (26) pelo Banco Central. Foram ouvidas mais de 100 instituições financeiras na semana passada.
Para 2023, os analistas de mercado preveem inflação em 5%; em 2024, de 3,5%; e de 3% em 2025. Em 2022, a previsão está acima da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. A meta, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3,5% para este ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 2% e o superior 5%.
Em agosto, a inflação teve recuo de 0,36%, após queda de 0,68% em julho. Com o resultado, o IPCA acumula alta de 4,39% no ano e 8,73% em 12 meses, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Quanto maior é a inflação, menor é o poder de compra das pessoas, principalmente aquelas que recebem salários baixos. Isso porque os preços dos produtos aumentam sem que o salário necessariamente acompanhe esse crescimento. Para atingir a meta, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central aumenta ou diminui a taxa básica de juros, a Selic. Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano, o maior percentual dos últimos seis anos.
A nova redução da estimativa de inflação para 2022 coincide com o corte de impostos sobre itens essenciais, como combustíveis e energia elétrica. Esses produtos já impactam a inflação. Além disso, influenciam indiretamente os preços de outros itens.
Por exemplo, se o preço do diesel aumenta, o transporte de um determinado produto fica mais caro. O dono da loja que revende esse produto, então, repassa o aumento para o consumidor, que acaba pagando mais caro pelo mesmo item. A diminuição dos impostos, em ano eleitoral, foi uma estratégia adotada pelo governo e pelo Congresso.
Acompanhe os dados de novas projeções de taxas e inflação que devem mudar para o próximo mês de outubro.