Por Vinícius Reis
O medicamento de cannabis medicinal da farmacêutica brasileira GreenCare, do fundo global especializado em cannabis Greenfield Global Opportunities, começou a ser vendido no varejo por meio de delivery. Esse é o primeiro modelo de entrega por delivery de medicamentos à base de cannabis do Brasil.
Com autorização sanitária obtida junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que permitiu a empresa ter localmente estoque desses itens, a companhia consegue encurtar de 30 dias para 48 horas o prazo de entrega do medicamento ao paciente. Antes de obter essa autorização, a importação era feita diretamente pelos pacientes e demorava cerca de um mês até ser finalizada.
"Em 70% do território nacional, vamos conseguir retirar a receita azul (controlada) na casa do cliente em 24 horas após o pedido telefônico e retornamos com o produto no local depois de 24 horas" explica o sócio e diretor comercial da empresa, Fábio Furtado.
Fábio afirma que se trata do primeiro delivery de medicamentos à base cannabis do Brasil, um modelo já usado em outros países. Segundo o presidente da farmacêutica e controlador do fundo, Martim Prado Mattos, com a estratégia, feita por meio de call center exclusivo, a expectativa da companhia é ampliar em 40% a base de clientes no prazo de um ano. Hoje, a empresa atende em média 20 mil pacientes.
O primeiro produto a ser vendido é o extrato de cannabis. A companhia planeja disponibilizar ainda outras duas formulações para o varejo em outubro e dezembro. A expectativa é que seis novos produtos à base de cannabis sejam vendidos no ano que vem.
A cannabis medicinal já é uma realidade em diversos países, como Alemanha, Israel, Canadá, Argentina, Chile, Colômbia e Uruguai, entre outros. Nos Estados Unidos, está legalizada em 36 estados. A cannabis é considerada um remédio há muito tempo e todos os seres humanos possuem substâncias semelhantes às da planta em seus organismos, tendo em vista o nosso sistema endocanabinoide.
Os efeitos positivos constatados em condições como autismo, dores crônicas, esquizofrenia, esclerose múltipla, mal de Parkinson e falta de apetite pós-quimioterapia tem recebido atenção. O Senado brasileiro já realizou alguns debates sobre a liberação da cannabis e o ponto de concordância tem sido exatamente os objetivos terapêuticos.