Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência e a luta anticapacitista

Diversas formas de violência podem dificultar a fica de PCDs, como a violência física, psicológica e até a linguagem

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Por Ana Laura Menegat

Esta quarta-feira, 21 de setembro, é marcada pelo Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. A data foi instituída em 2005 por meio da Lei Nº 11.133 e atua na conscientização da luta anticapacitista. É também marco das reivindicações feitas desde 1982 pelo Movimento pelos Direitos das Pessoas com Deficiência (MDPD).

A luta anticapacitista visa a educação da sociedade a respeito das múltiplas e plurais realidades que as Pessoas com Deficiência (PCDs) vivem. O capacitismo é caracterizado como a violência sofrida por PCDs, ao serem tratados como incapazes em relação às pessoas que não possuem uma deficiência, que pode ser física, intelectual/cognitiva, auditiva ou múltipla.

Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), a violência pode se dar pelo uso da força física ou poder, ameaça ou prática, a si próprio, contra uma pessoa ou comunidade. A OMS afirma que isso pode causar sofrimento, morte, dano psicológico, desenvolvimento prejudicado ou privação.

Segundo dados do Atlas da Violência de 2021, foram registrados 7.613 casos de violências contra PCDs, sendo a maior concentração em vítimas com idades entre 10 e 19 anos. A violência contra mulheres PCDs foi mais notificada do que em relação aos homens PCDs, sendo, respectivamente, 4.540 e 2.572 registros. Ainda conforme o Atlas, a violência mais recorrente é a física (53%), seguida da psicológica (32%) e da negligência ou abandono (30%).

O dia 21 de setembro foi escolhido para representar essa luta e celebrar a vida de Pessoas com Deficiência, pois é uma data próxima ao início da primavera. Para o MDPD, essa estação simboliza um momento de nascimento e renascimento, vislumbrando um novo florir.

Neste dia 21, o MSConecta reuniu algumas palavras que são usadas em determinadas situações, são capacitistas e mostramos como elas podem ser substituídas do nosso vocabulário:

“Eu tenho problema com atenção, acho que sou meio autista” Troque a palavra autismo por “desatenta/o”, assim, nenhuma pessoa do espectro autista se sentirá reduzida e incapacitada.

“Aquela pessoa fingiu demência o tempo todo da discussão” Troque a expressão fingir demência, por fingir desatenção ou desinteresse.

“Ele deu uma de João sem braço” Substitua “joão sem braço”, por preguiçoso ou “fugiu da responsabilidade”, pois não ter um braço não faz da pessoa menos comprometida ou responsável.

“Nossa, eu dei mancada nisso” Algumas pessoas mancam ao caminhar, e isso não significa que elas estão fazendo algo errado. Substitua por “Nossa, eu errei aqui” ou “falei ou fiz algo que não deveria”.

“Você é cego?” ou “Tá surdo?” Essas expressões invalidam as condições de cegueira ou surdez de uma Pessoa com Deficiência, então busque trocar por “você não prestou atenção no que eu disse?”

“Que retardado!” Muitas vezes esse termo é usado para dizer que alguém é besta ou idiota, então essas palavras podem substituir o termo capacitista da nossa fala.


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