Upcycling: sustentabilidade e novas possibilidades de criação na moda
A douradense Alana Turatto lançará no próximo domingo (25) a segunda coleção feita a mão com reaproveitamento de materiais
Por Ana Laura Menegat
Brechó, upcycling, economia circular, roupa de segunda mão, slow fashion, produção em pequena escala, retalhos, ideias, criatividade, sustentabilidade. A nova tendência do mundo da moda é o upcycling, técnica que reutiliza materiais de maneira criativa e sustentável. Roupas velhas que não servem mais, retalhos de tecido, plástico e até câmara de pneus podem se tornar blusas, saias, calças, bolsas, cintos e o que mais vier na mente de quem está criando. Em resumo, qualquer coisa que seria descartada pode virar moda.
Essa prática existe há muito mais tempo do que o termo “upcycling”, que foi cunhado em 1994 pelo ambientalista alemão Reine Pilz. A prática mais conhecida desse universo é a compra em brechós, que promove o reaproveitamento de peças e o consumo consciente. Isso caracteriza a economia circular, que une o desenvolvimento econômico e o aproveitamento consciente dos recursos naturais. Em Campo Grande, diversos brechós chamam a atenção do público e reúnem inúmeras peças já existentes que estão à procura de um novo lar, como Elevê Brechó, Falco Brechó, Las Chicas, Camaleão Brechó, entre outros.
Upcycling no MS
A douradense e estudante de moda da Faculdade Santa Marcelina, Alana Turatto, lançará no próximo domingo (25) a segunda coleção de sua marca “AT Design”. As criações de Alana não são feitas 100% a partir do upcycling, mas grande parte sim. Ela conta que costuma comprar retalhos de tecidos de fábricas e tem uma imensa variedade de tecidos guardada em seu quarto. “Às vezes, estou aqui à toa no meu quarto, cato uma tesoura e já vou fazendo. Preciso de uma agulha, uma linha, pego um short, um vestido que não uso mais e transformo em outra coisa”.
Suas criações na AT Design nascem de sua mente e coração e criam forma dentro das quatro paredes de seu quarto. Alana faz tudo sozinha: procura referências, faz o desenho da ideia, separa tecido, costura, costura, costura e costura mais um pouco. Sua primeira coleção, “Noite paulistana", foi criada no ano passado em uma disciplina da faculdade. A inspiração veio da vista da janela do apartamento de Alana em São Paulo, local em que ela adorava olhar a vida que acontece ali fora: os extremos entre glamour e miséria da noite paulistana. A segunda coleção que está quase chegando ao mundo, “Nostalgic future” é inspirada na Space Age e vem recheada de tecidos metálicos e brilho.
Alana relata que sempre gostou de moda e, influenciada pela mãe, desde pequena faz experimentações com roupas e maquiagens, de forma a refletir a sua personalidade. Para ela, não faz sentido usar algo só por sua beleza estética. “Eu acho que a moda é igual à arte, ela é muito subjetiva. Não precisa ser bonita, porque você pode usar a moda para falar de um sentimento ou de questões políticas. Você transmite o que você pensa, as suas emoções e opiniões”.
Para ela, o encanto em criar é o ponto chave. “Ser livre criando algo ou até poder me expressar. Eu sou muito daquele pensamento: isso aqui tá brega, feio, fora de moda? Não! Se tá bom e bonito para você, se passa a mensagem de quem você é, é isso que importa”, afirma.
Nesse cenário, sente falta de políticas públicas em prol da sustentabilidade na moda e acredita que empresas de diversos âmbitos também deveriam colaborar. “As empresas no geral, às vezes muitas coisas que vão ser descartadas poderiam ser direcionadas para alguma marca pequena que está começando agora. Acho que deveria ter um movimento de descarte [direcionado] para essas iniciativas, porque teria muito menos descarte e com certeza que seria tudo reaproveitado”.
Alana se identifica com o movimento do upcycling e acredita ser a alternativa mais consciente que apaixonados e apaixonadas por moda deveriam adotar. “Depois que você vai aprendendo, vê que não faz sentido amar a moda, amar o mundo, amar esses movimentos e ao mesmo tempo comprar sem pensar. Na moda, existem muitas tendências que passam rápido, mas, quando mais você gosta desse mundo, você entende que consumir menos é a maior demonstração de admiração e o upcycling é muito acessível”.
A douradense também customiza roupas e cria peças sob encomenda. Para entrar em contato e ver mais do trabalho de Alana, acesse no Instagram
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