Por Ana Laura Menegat e Vinícius Reis
O mês de setembro é voltado à prevenção do suicídio no Brasil. Todos os anos a campanha do Setembro Amarelo realiza ações de conscientização de amparo que contribuam para compreensão deste fator social, que ainda é visto como tabu. É recomendado buscar apoio de familiares, amigos ou profissionais da saúde. O Centro de Valorização da Vida (CVV) também pode ser acionado através do número 188.
A fim de expandir os diálogos no Brasil, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) criaram, em 2015, a campanha do Setembro Amarelo. Dia 10 de setembro é marcado pelo Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio.
De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada 40 segundos, uma pessoa tira a sua própria vida em algum lugar do mundo, contabilizando mais de 700 mil mortes em razão de suicídio durante todo o ano de 2019. O suicídio é a quarta maior causa de mortes entre os jovens de 15 a 29 anos, de forma que 58% dos suicídios cometidos em 2019 foram por pessoas com menos de 50 anos.
Dados levantados antes da pandemia, apontam que o Estado do Mato Grosso do Sul está entre as três maiores taxas de mortalidade por suicídio no país. Apuração divulgada pelo Governo do Estado informa que a taxa média de mortalidade é de 9,5 por 100 mil habitantes conforme os dados de 2019, número expressivo se comparado com a taxa nacional que é de 5,7. A faixa etária que apresenta os índices de suicídios de MS são os jovens de 20 e 39 anos.
No Brasil, Campo Grande é a quarta capital com mais casos de depressão, conforme pesquisa de 2021 feita pela Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas. Dados da OMS apontam que quase 100% desses casos estão associados a algum transtorno, doença ou sofrimento mental. Porém, a psicóloga Lígia Burton e a psicanalista Natalie Bezerra destacam que outros fatores sócio-econômicos também interferem. Lígia apresenta fatores e sentimentos que podem levar ao suicídio, como desespero, desamparo e desesperança, além da perda de emprego, crise econômica, agressão sexual, bullying, perda de uma ente querido, crise amorosa, entre outros.
Para Natalie, a campanha do Setembro Amarelo possui um grande potencial de sensibilização a respeito do suicídio e atua desestigmatizando o tema. “Entender que o suicídio é um ato humano, mas é importante destacar também um outro aspecto, que são as outras questões para além do indivíduo que podem levar ao suicídio, então a gente pensar as questões sociais, políticas, econômicas e como elas têm um papel nesse fenômeno, que não é individual, pois afeta a sociedade como um todo”.
“Prevenção do suicídio inclui segurança alimentar, moradia de qualidade, acesso à cultura, melhores condições de trabalho, creches para que as mães possam deixar seus filhos. Tudo isso faz parte da prevenção ao suicídio, porque o suicídio é muitas vezes a última solução que alguém encontra diante de um sofrimento insuportável, então pensar a prevenção do suicídio a partir de um lugar moral, de dizer ‘ah, a vida é muito boa, olha quando coisa legal você vai abrir mão, como vão ficar as pessoas’, isso de culpabilizar a pessoa que tem uma ideação suicida é algo muito reducionista, como se o suicídio dizesse respeito apenas ao indivíduo e não ao social”, complementa Natalie.
FALAR DE SAÚDE MENTAL É IMPORTANTE
Lígia entende o suicídio como uma questão de saúde pública e que é de responsabilidade coletiva. “O cuidado com o outro é uma atitude fundamental. Por isso, a gente precisa aprender a reconhecer os sinais de alerta, tanto em si, quanto em alguém que está próximo de nós. Isso é o primeiro, e talvez o mais importante, passo para se salvar uma vida”.
Segundo a revista Veja, o Brasil é um dos países com o maior número de casos de ansiedade e depressão na América Latina. Motivos como o crescimento da pobreza e do desemprego, o abuso de álcool e drogas, são os grandes responsáveis por influenciar a saúde mental do brasileiro, trazendo um aumento na incidência de transtornos psíquicos. Muitos desses transtornos e síndromes, como o Burnout, desencadeado pelo cansaço e trabalho excessivo, por exemplo, são intensificados pela dificuldade em lidar com os sentimentos causados por essas desordens, ou seja, pela falta de inteligência emocional.
Lígia aponta que esse assunto é complexo, carregado de dores, preconceitos e tabus, mas ressalta que não falar sobre, não faz com que essa realidade deixe de existir. “A gente precisa ampliar o entendimento de cuidado para a saúde mental, porque ele precisa ser diário e para todo mundo, não é só para especialistas ou para momentos de crise”.
É fundamental a busca por ajuda, existem diversos centros e unidades que oferecem serviços de apoio emocional e prevenção ao suicídio de forma gratuita, como o Centro de Valorização da Vida (CVV), através do número 188, por e-mail ou chat.
O suicídio pode ser evitado e os especialistas apontam o diálogo e a escuta como as formas mais efetivas de prevenção e a busca por ajuda é uma etapa fundamental. Natalie descreve a escuta psicanalítica como desprovida de julgamentos. “É um lugar de escuta das singularidades, é abrir um lugar seguro para que a pessoa possa falar da sua dor, de uma forma que ela se sinta à vontade para falar dos seus horrorres”.
Existem diversos centros e unidades que oferecem serviços de apoio emocional e prevenção ao suicídio de forma gratuita, como o Centro de Valorização da Vida (CVV), através do número 188, por e-mail ou chat online através do link abaixo.
LINK|-|https://www.cvv.org.br/|-|Link
O Serviço Escola de Psicologia (SEP) da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) oferece atendimentos gratuitos e sem necessidade de agendamento. O horário de funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 7h às 11h e das 13h às 17h. O atendimento é feito por ordem de chegada na SEP, localizada ao lado do Instituto Integrado em Saúde (Inisa) e da Faculdade de Odontologia (Faodo), na Cidade Universitária.
Em Campo Grande, existem também os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Confira:
CAPS III Aero Rancho - Avenida Rachel de Queiroz, S/N - Aero Rancho - Telefone: (67)3314-6415
CAPS III “Afrodite Dóris Contis” - Rua São Paulo, 70 - Monte Castelo - Telefone: (67)2020-1897
CAPS III Vila Almeida e Centro de Apoio Psicossocial Pós Trauma (CAPPT) - Rua Marechal Hermes, 854 - Vila Almeida - Telefone: (67)2020-1715 / (67)3314-9963
Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil III “Dr. Samuel Chaia Jacob” – CAPS IJ III - Rua São Paulo, 70 – Esquina com a Rua Pedro Celestino – Bairro Monte Castelo - Telefones: (67) 2020-2086
Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas III “Fátima M. Medeiros” - Endereço: Rua Theotônio Rosa Pires, 19 – São Bento - Telefone: (67) 2020-1904
Para mais informações sobre a prevenção do suicídio, acesse a cartilha da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e do Conselho Federal de Medicina (CFM), “Suicídio: informando para prevenir”.
LINK|-|https://www.hsaude.net.br/wp-content/uploads/2020/09/Cartilha-ABP-Preven%C3%A7%C3%A3o-Suic%C3%ADdio.pdf|-|“Suicídio: informando para prevenir”