Rose Modesto : Candidata pelo União Brasil

“Quem tá com fome e com dor não pode esperar”

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Por redação

Rosiane Modesto de Oliveira, conhecida como Rose Modesto, nasceu em Fátima do Sul, cidade do interior de Mato Grosso do Sul. Criada em Culturama, distrito próximo de sua cidade natal, é a filha caçula de uma família de seis irmãos. Seus pais trabalhavam no campo e, aos oito anos, a família veio para Campo Grande. Morou na periferia da cidade e tinha o sonho de ser professora.

Aos 21, se formou em história e deu aulas em escolas públicas de bairros pobres, onde desenvolveu, em 2001, o projeto “Aprendendo com Música” para ensinar os alunos a cantar e a tocar instrumentos musicais, além de ajudá-los com cestas básicas. Com o projeto, Rose ganhou visibilidade e foi convidada para entrar na carreira política, defendendo a educação, o esporte, a cultura e outras pautas sociais.

Ela acredita que as dificuldades e experiências que passou a ajudaram a entender o próximo e compreender as necessidades reais da população.

A pré-candidata ao Governo do Estado já esteve nos cargos de vereadora, vice-governadora e deputada federal, que ocupava até então. Durante a trajetória política, sempre recebeu apoio dos professores, alunos e pais dos alunos que a conheciam da época da docência, somados aos eleitores que a conheceram nos anos de atuação.

Confira, a seguir, as principais perguntas para a pré-candidata.

Ogg Ibrahim: Rose, quando você entrou na política, sentiu alguma discriminação por ser mulher?

Rose Modesto: Tanto no período da eleição quanto durante o mandato, ainda temos um ambiente muito masculino. Essa é, inclusive, uma das razões de eu estar hoje aqui como pré-candidata a governadora. Faz 20 anos que o Mato Grosso do Sul não tem uma candidata mulher. Nas campanhas eu até digo: “Olha, gente, você não vai votar numa mulher só porque ela é mulher, mas você também não pode deixar de votar em uma mulher porque ela é mulher”. Entende?

OI: Hoje a população fala muito em renovação política. Você já esteve em outros cargos públicos, não teme não fazer parte dessa renovação que os eleitores desejam?

RM: A renovação que as pessoas estão buscando é renovação das ideias, da postura de cada um, daquilo que cada político resolve ter como bandeira e como prioridade. Eu estive no Legislativo como vereadora e as minhas pautas e os projetos de leis que eu criei sempre foram canalizados para a defesa das pessoas, em especial dos mais vulneráveis. Como deputada federal, não tem sido diferente. As leis que nós votamos, o trabalho que a gente participou, as comissões que eu quis entrar continuaram com a intenção de defender a população. No Executivo, a minha prioridade não vai ser diferente: vou continuar priorizando as pessoas. Eu sou e represento a renovação, não só pelo fato de ser mulher, mas porque pretendo renovar as ideias e estou preparada para comandar um governo.

OI: Você tem concorrentes fortes na disputa, qual vai ser sua estratégia?

RM: Bom, falando agora da ciência da política. Pra mim, a melhor pesquisa é da urna, mas as pesquisas de intenção de voto nos dão um norte, demonstram o que o eleitor busca nesse momento. Hoje eu estou em terceiro lugar nas pesquisas e eu tenho uma rejeição muito baixa. E essa rejeição não é porque eu sofri algum tipo de problema com justiça ou porque as pessoas não gostam de mim ou me acham corrupta, a dificuldade que tenho é que as pessoas não me conhecem. Segundo os dados, apesar de eu ter sido vereadora, vice-governadora e, até então, deputada federal, 40% da população do Mato Grosso do Sul ainda não me conhece.

OI: Por que esse nível alto de desconhecimento?

RM: Setenta por cento dos eleitores não sabem nem quem são os pré-candidatos a governador do estado. Eu percebo que, quando a eleição iniciar, quem tiver uma rejeição menor e os candidatos com maior índice de desconhecimento têm a tendência de crescer mais. E eu estou dentro desse grupo, por isso eu sou muito otimista. E mais do que isso, eu estou como pré-candidata a governadora porque muita gente, por onde eu passei, falou: “Rose você tem que ir, é o seu momento”. Tem que vir do povo esse desejo e eu tenho a convicção de que estou pronta. Hoje há milhares de pessoas sonhando comigo essa possibilidade da gente chegar ao Governo do Estado.

OI: E qual é seu principal projeto para Mato Grosso do Sul?

RM: Priorizar o que de fato é mais urgente. A minha proposta é primeiro fazer a máquina pública rodar mais rápido. Eu não quero inventar a roda, ela já foi inventada, está criada, já existe, só que precisa funcionar mais rápido. Quem tá com fome não pode esperar, quem tá com dor não pode esperar. O meu olhar para o meu governo é o de priorizar a saúde, a geração de emprego e a valorização do servidor público - afinal, o servidor público também precisa ser uma prioridade.

OI: Segundo pesquisas recentes, o estado lidera o ranking de estupros no Brasil e está no topo da lista de feminicídios. O que fazer para sairmos dessas estatísticas?

RM: Começa com educação. Nós precisamos educar os meninos de hoje para a cultura da paz, do respeito. A educação começa em casa, vai para escola e, depois, contagia todos os setores, inclusive as empresas. Além disso, é preciso combater com firmeza os casos de violência e a rede de apoio precisa estar estruturada, com casas-abrigos, viaturas específicas para atender essas ocorrências e até a disponibilização do botão do pânico (uma lei, inclusive, de minha autoria) para evitar esses crimes.

OI: Fiquei sabendo nos bastidores que você foi convidada para ser vice de uma outra chapa, por que não aceitou?

RM: O meu sonho é poder realmente cuidar do Mato Grosso do Sul, cuidar das pessoas que estão aqui e, como vice, eu não, terei essa condição, né? Eu estaria ao lado de novo. Poderia apoiar, ser ouvida - ou não, como algumas vezes aconteceu. Então, para poder realmente avançar naquilo que eu sonho para o estado, preciso exercer o cargo de governadora. Além disso, hoje essa candidatura não é mais minha. Deixou de ser minha há muito tempo, ela é de muita gente do Mato Grosso do Sul que eu fiz compromissos, que estão caminhando comigo, que acreditam também nesse sonho. Então, eu agradeci os convites para ser vice. Mas isso tem um lado bom, né? Se me querem para estar ao lado, é porque devem ver alguma qualidade em mim.

OI: O que a Rose Modesto gostaria de fazer como governadora que não conseguiu realizar nos outros cargos que ocupou?

RM: Investir na vida das pessoas que mais necessitam, quero um governo que não deixe ninguém para trás. Nós vamos cuidar do produtor rural, do grande empresário, do pequeno e do médio empresário, do servidor público e também daqueles que estão morando embaixo de lona - isso eu quero transformar e sei que através do cargo de governadora, do Executivo, é possível. É inadmissível que em Mato Grosso do Sul 20% da população ainda sobreviva com meio salário mínimo - quem recebe isso não consegue nem se alimentar duas vezes por dia. É inadmissível ver pessoas morrendo esperando por um atendimento e não conseguir. Em tudo isso é possível avançar, né? No cargo de governadora, eu tenho certeza que nós vamos conseguir.

OI: Mas como pensa em fazer para mudar essa realidade?

RM: Nós vamos construir isso dialogando com a Assembleia Legislativa, mostrando para os deputados estaduais que o nosso orçamento precisa estar lá para mudar a vida das pessoas que mais necessitam. O Estado, quando não chega na vida de uma família que, do ponto de vista econômico, tem uma renda melhor, ele traz um impacto, sim. Mas quando o Estado não chega na vida de uma família pobre, que tem pouco ou quase nada, pode ser uma tragédia - e é isso que a gente tem que evitar. O Estado vai chegar na vida de todos e, no nosso governo, vai chegar muito forte, muito presente na vida das pessoas que mais necessitam.

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*A ordem das entrevistas nas páginas da revista e de divulgação em nossas redes sociais (YouTube, Spotify e Instagram) foi definida por meio de sorteio, com ciência e acompanhamento das assessorias. Todos foram entrevistados entre 19 de maio e 14 de julho, enquanto, ainda, pré-candidatos ao Governo do Estado (o registro de candidatura ainda não havia sido formalizado).