Eduardo Riedel: Candidato pelo PSDB

“A população quer menos política e mais resultado”

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Por redação

Eduardo Corrêa Riedel nasceu no Rio de Janeiro e passou parte da infância na fazenda da família, no interior de Mato Grosso do Sul. Morou no Rio durante a juventude e, pelo contato com o agro desde criança, cursou Ciências Biológicas e fez mestrado em Zootecnia. Ainda nessa época, conheceu sua esposa, Mônica.

Quando seu avô enfrentou problemas de saúde, em 1994, veio para MS cuidar dos negócios da família. Percebeu que para gerir a fazenda era necessário mais do que o conhecimento técnico, era preciso entender de gestão. Foi quando fez cursos em gestão estratégica e empresarial. No interior, deu aula como professor universitário e começou a atuar em entidades do agro, quando foi presidente do Sindicato Rural, da Federação de Agricultura do Estado, do Sebrae-MS e vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil.

Apesar de ser sua primeira eleição, o pré-candidato ao Governo do Estado fez parte dos dois últimos mandatos do antigo governador, iniciados em 2014, como secretário estadual de Governo e Gestão Estratégica e secretário de Estado de Infraestrutura. No serviço público, usou sua bagagem para implementar métodos de gestão nas ações do governo.

Confira, a seguir, as principais perguntas para o pré-candidato.

Ogg Ibrahim: Você sempre foi uma pessoa discreta e atuante na iniciativa privada. Como foi para você sair dos bastidores e assumir cargos públicos importantes?

Eduardo Riedel: Eu sempre fui um homem de gestão, de trabalho e de resultado. A minha vida foi pautada nisso, os nossos negócios cresceram pautados nisso - e no governo não foi diferente. Os seis anos que estive à frente da Secretaria de Governo foram para que a gente conduzisse o trabalho para essa gestão por resultados. No primeiro ano de governo, eu fiz uma parceria com a Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) para trazer um modelo de gestão baseado nos contratos e nas métricas que cada secretaria teria que entregar a partir do objetivo que estava proposto. A gente transformou o plano de governo num planejamento estratégico, desdobrou ele para o orçamento anual e informatizou tudo isso. Foi um trabalho silencioso, mas muito eficiente pensando no resultado. Então, eu fui pra Secretaria de Infraestrutura para concretizar tudo aquilo que foi planejado.

OI: E como surgiu a candidatura ao Governo do Estado?

ER: Foi uma decisão de um conjunto, de um grupo ao longo do tempo. As pesquisas têm mostrado cada vez mais uma sociedade que amadureceu politicamente e, dentro da democracia, hoje as pessoas querem menos política e mais resultado, né? Eu acho que isso resume um pouco o interesse e a essência da minha pré-candidatura. Eu acho que eu represento um modelo.

OI: A covid pegou todos de surpresa, não estávamos preparados. Como você vê o estado hoje, depois da pandemia? Nós amadurecemos ou ainda tem muita coisa para fazer na saúde?

ER: A pandemia nos ensinou muito sobre a saúde e, talvez, um dos maiores desafios da minha vida foi ter sido o gestor do Prosseguir. No Prosseguir, implementamos uma busca obsessiva para tomar decisões baseadas na ciência e no conhecimento dos indicadores. O estado de Mato Grosso do Sul nunca politizou nem a pandemia nem a vacina. Nunca tivemos grandes discussões judiciais, lockdowns, os municípios tiveram participação ativa. Na saúde, estruturamos rapidamente um sistema capaz de receber a demanda que multiplicou por N vezes a normalidade, em termos de internação. Quando foi a vez da vacina, fomos o primeiro lugar do Brasil, o ano inteiro. Cuidamos da nossa população pelo sistema público e o SUS foi o que mais cresceu. Eu acho que por si só esses indicadores mostram o quão exitosa e equilibrada foi a nossa gestão durante a pandemia. Sim, ainda tem muita coisa pra melhorar no SUS, mas ele é um modelo que se mostrou muito robusto durante a pandemia, porque foi através do SUS que a gente conseguiu gerar uma resposta para atender a nossa gente.

OI: A educação também sofreu uma perda de qualidade na pandemia, como você pretende lidar com isso?

ER: A gente tem algumas linhas, mas primeiro precisamos concluir o processo de ensino em tempo integral. Nós ainda temos mais da metade dos alunos para serem inseridos dentro desse modelo - que é um modelo que traz uma melhora muito grande nos indicadores de conhecimento e de evasão escolar, repetência, perda de fluxo, além do reflexo na melhoria do conhecimento dos alunos. Mato Grosso do Sul é o estado com maior número de alunos proporcionais dentro desse modelo, mas nós temos que avançar, porque isso é resultado concreto no nosso futuro.

OI: Mato Grosso do Sul sempre foi conhecido pela sua força da agropecuária, mas ainda falta industrialização. O que pode ser feito para trazer a produção de bens para cá?

ER: A gente tem avançado muito na atração de empreendimentos por meio da nova Lei de Incentivos. Ela foi extremamente bem elaborada no que diz respeito à isonomia dos setores e na agressividade na atração desse capital. Eu acho que, junto com isso, vem também um trabalho de infraestrutura que é fundamental para a competitividade dessas indústrias. Veja que nós estamos com os portos do rio Paraguai, nós temos uma Rota Bioceânica saindo do papel, uma ponte e uma ferrovia ligando o Paraná ao Mato Grosso do Sul. Olha a transformação de competitividade que a gente tem pela frente. Era isso que faltava: uma excelente política isonômica de incentivo fiscal e atração, juntamente com uma visão de investimento logístico que vai transformar as possibilidades desses negócios.

OI: O setor do agronegócio caminha com as suas próprias pernas, sem depender muito de governo. O que ainda pode ser feito para esse setor?

ER: Esse é, sem dúvida nenhuma, o setor que mais cresceu no Brasil inteiro mesmo com a pandemia. A FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura] publicou recentemente que o Brasil é o único país que pode contribuir efetivamente para a segurança alimentar em 2050 e é dos poucos países que pode aumentar a produção sem derrubar uma árvore sequer. Estamos falando de um país que pode expandir a sua produção pela produtividade, converter áreas de baixa produtividade, pastagem degradada em produção agropecuária de alta produtividade sem derrubar uma árvore. Isso é muito poderoso e entra numa agenda de sustentabilidade, de segurança alimentar, segurança hídrica e segurança energética que atende ao mundo inteiro. Então, a gente precisa dar a esse segmento competitividade pela infraestrutura. A gente, ao trazer esmagadoras de grãos, produção de etanol, frigoríficos, começa a criar um parque industrial e de processamento que leva o alimento processado para o mundo inteiro. Isso agrega muito valor em emprego e renda para o Mato Grosso do Sul e a logística é fundamental para esse processo e a nossa política de atração fiscal é a grande responsável pela vinda dessas empresas para cá.

OI: Para finalizarmos: o que Eduardo Riedel não conseguiu fazer como secretário de governo, como secretário de infraestrutura e que pretende dar ênfase agora caso seja governador?

ER: O nosso estado tem um potencial incrível. Eu digo que ele decolou e está pronto para voar. No nível cruzeiro, a gente conseguiu atrair aqui grandes empreendimentos, isso se desdobra em oportunidade de emprego para nossa gente. Mas nós ainda temos que diminuir a nossa desigualdade social, né? Pensar com muito carinho nessas pessoas que ficaram à margem desse crescimento. Eu acho que essa é uma função pública. A educação tem o grande dever e obrigação de preparar toda uma geração pra frente, toda uma transformação de cultura, da nossa sociedade. É aí que eu aposto bastante na nossa atuação, nessa mudança de conceito e em concluir alguns processos que não acabaram e também inovar, né? A gente vê com muito otimismo o futuro do nosso estado.

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*A ordem das entrevistas nas páginas da revista e de divulgação em nossas redes sociais (YouTube, Spotify e Instagram) foi definida por meio de sorteio, com ciência e acompanhamento das assessorias. Todos foram entrevistados entre 19 de maio e 14 de julho, enquanto, ainda, pré-candidatos ao Governo do Estado (o registro de candidatura ainda não havia sido formalizado).