Marquinhos Trad: Candidato pelo PSD

“As pessoas estão passando dificuldade num estado que é recordista no PIB”

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Por redação

Marcos Marcello Trad, conhecido como Marquinhos Trad, é natural de Campo Grande (MS). Se formou em direito no Rio de Janeiro e tem a política como assunto familiar desde cedo, já que sempre esteve envolvido na coordenação dos comitês de campanha de seu pai, o ex-deputado federal Nelson Trad.

Inspirado pelo pai, também desenvolveu o gosto pelo futebol, participando, quando menino, dos jogos que aconteciam no Belmar Fidalgo, parque da capital. Segundo Marquinhos, com o esporte, ele aprendeu valores que levou para a administração pública, como a importância do trabalho em equipe, o respeito à hierarquia e às diferenças e o estímulo às habilidades individuais.

Em 1996, iniciou o seu trabalho na vida pública como secretário municipal de assuntos fundiários, cargo que lhe rendeu popularidade e reconhecimento. Em 2004, submeteu o seu nome para vereador e obteve uma boa votação. Foi também deputado estadual em 2006, sendo reeleito em 2010 e 2014. Já em 2016, concorreu e foi eleito ao primeiro mandato como prefeito de Campo Grande, cargo que ocupava até então, após ter sido reeleito. Para Marquinhos, seus caminhos tanto na política quanto na vida pública estavam nos planos de Deus.

Confira, a seguir, as principais perguntas para o pré-candidato.

Ogg Ibrahim: Marquinhos, você deixou a Prefeitura de Campo Grande no meio do segundo mandato para concorrer ao Governo do Estado. Acredita que cumpriu bem a sua missão como prefeito?

Marquinhos Trad: Sempre tem aquele que fala que cumpriu tudo, que fez tudo, não é verdade? Mas a cidade é um ser vivo que pulsa, que movimenta, que bate o coração, que cresce aceleradamente e sempre existirão demandas. Demandas no trânsito, no transporte coletivo, na tecnologia, na modernização da máquina, na saúde pública, na educação. Isso sempre vai existir e, quando a gente consegue pelo menos se esforçar e se dedicar e ter aprovação de 82% da população sem receber nenhum oficial de justiça, andando sem segurança pela cidade, sem responder a um processo (seja em órgãos de controle, seja no Poder Judiciário), é isso que nos alegra.

OI: Se assumir o Governo do Estado, o que pensa em mudar, em melhorar logo de cara?

MT: O meu gabinete vai ser aberto à população. Não vai ser apenas teoria de municipalista, vamos ter efetivo atendimento à política pública social. O sul-mato-grossense está passando fome, dificuldade. Na última mensuração feita, 21,8% recebem abaixo de um salário mínimo, são quase 540 mil pessoas. Nós não podemos deixar essas pessoas com essa dificuldade toda num estado que bate no peito e fala: “sou recordista do PIB”. Uma parcela muito diminuta, 3 ou 4% está recebendo em dólar, o restante está juntando moeda, tirando do cofre pra poder pagar conta, comprar um pão e leite. Também pudera, a política tributária exercida pelo Governo atrapalhou e machucou muito a classe média, a classe média-baixa… e a classe baixa nem se fala! Nós temos o ICMS mais caro do Brasil.

OI: E você pretende mexer nessa questão da carga tributária do estado?

MT: Tem que ter uma discussão responsável, não leviana. Tem que ter uma discussão, um estudo técnico para ir reduzindo. Nós nunca tivemos ICMS na alíquota do combustível, 30%. Quem colocou isso (30%) foi o governo Reinaldo. Teve pedidos de entidades aqui do Mato Grosso do Sul para ele reduzir essa alíquota, mas o secretário na época, o Eduardo Riedel, mandou uma carta falando que não iria reduzir esses 30%. A cada um litro de gasolina que você coloca no carro, em média, R$2,15 vai pro Governo do Estado. A troco do que? O estado não produz nada, não faz nada, não toca o petróleo, não fura poço nenhum. Em 2014, eram 33 três produtos que tinham taxação, hoje passa de 80 produtos que são taxados nessa média.

OI: Em entrevista recente, o senhor falou que o Estado é violento com a nossa população. É nesse sentido que fala, de impostos?

MT: Olha, violento é um pitbull, o governo é um leão pra cobrar impostos, mas é um gatinho para oferecer as coisas boas pra população. Na educação, fecharam quatro escolas estaduais. E o que fizemos na prefeitura? Fomos lá, reabrimos, municipalizamos e tornamos todas em escolas de tempo integral. Na saúde, quem fez o papel do governo na pandemia fomos nós, eles se omitiram. A cada 100 leitos de UTI aqui, 30 eram ocupados por pessoas vindo do interior, nós fizemos o papel do governo. Campo Grande é hoje a capital do Centro-Oeste com melhor qualidade de vida. Nós saímos do 27º lugar na atenção primária e hoje somos a 8ª colocada. Nós tiramos 10 na transparência pública. Nós não tivemos nenhum contratempo com a Justiça, com Tribunal de Contas, com Câmara Municipal, tudo foi feito à luz do dia, não despachamos nada nas trevas, não teve escuridão de atos e de decretos, fizemos na luz solar.

OI: Quanto ao agronegócio, como pretende conduzir o setor para que continue, e até aumente, o desenvolvimento atual?

MT: Primeiro, a gente vai dar vez e voz a eles, embora alguns queiram me jogar contra eles. Segundo, vamos deixar a critério deles (dos pecuaristas e dos produtores rurais) a aplicação do Fundersul. Eles que vão direcionar e a gente vai regionalizar, vamos criar junto aos sindicatos e conforme o nosso plano de governo. Eles vão saber quanto tem dentro do Fundersul, aonde vai ser aplicado e como será aplicado, vai ter a participação efetiva daqueles que contribuem, nós vamos fazer com que o agronegócio aumente cada vez mais. Nós temos também que ajudar os assentados, as aldeias indígenas, os quilombolas, são irmãos nossos que passam dificuldades e nós não queremos fazer esse conflito de terra, que não vai ser bom pra ninguém dentro do estado, como a gente vê em alguns municípios. Nós vamos conciliar, nós vamos pacificar, nós vamos fazer com que o agro se torne cada vez mais aumentativo, mas nós vamos estender as mãos aos mais vulneráveis. Isso, sem sombra de dúvida.

OI: A pandemia nos alertou muitas coisas, certo? Vimos uma saúde pública fragilizada, de forma geral. Ainda há muito o que fazer pela saúde do nosso estado ou a pandemia nos trouxe a experiência de que precisávamos para tocar o setor?

MT: A pandemia mostrou pra todo o estado que a capital é a âncora. Fizemos na capital, volto a repetir, o papel do governo. O interior está totalmente desassistido da saúde pública. Inclusive estão terceirizando a saúde de alguns pequenos hospitais que existem em alguns municípios do estado. A saúde pública não é prioridade, estão fazendo medicina de ocasião, mas a doença não pode ficar esperando. O enfermo não pode esperar uma caravana passar de quatro em quatro anos.

OI: Com a sua candidatura, qual é o seu grande desejo para Mato Grosso do Sul?

MT: Meu desejo é fazer um estado mais justo, onde, se o PIB crescer 4%, que esses valores sejam repartidos para todos e não apenas para 3% da população. Um estado onde o governo construa mais casas e os governantes não saiam no cenário nacional com sirenes de polícia ou invasão em seus apartamentos. Eu sonho com Mato Grosso do Sul com uma saúde de responsabilidade e que o governo não corte 30% do salário dos educadores convocados. Um Mato Grosso do Sul que não construa mais presídios e menos escola, que não coloque R$ 270 milhões num aquário e sim construa casas e saúde para a população. Eu sonho com um Mato Grosso do Sul conectado tecnologicamente. Sonho com um estado justo, onde as aldeias, os assentados, os quilombolas possam viver em paz com os fazendeiros e com os grandes agricultores. Um Mato Grosso do Sul com melhor qualidade de vida para todos, para quem está nascendo e para aquele que está envelhecendo. Eu sonho com um Mato Grosso do Sul semelhante à harmonia que o Evangelho determina: que os irmãos vivam em paz, que não tenhamos guerra entre aldeias e fazendeiros, que se respeitem os quilombolas, que se abrace os assentados, porque todos somos iguais.

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*A ordem das entrevistas nas páginas da revista e de divulgação em nossas redes sociais (YouTube, Spotify e Instagram) foi definida por meio de sorteio, com ciência e acompanhamento das assessorias. Todos foram entrevistados entre 19 de maio e 14 de julho, enquanto, ainda, pré-candidatos ao Governo do Estado (o registro de candidatura ainda não havia sido formalizado).

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