Pesquisa mostra que a bioeconomia do Estado do Pará pode gerar R$170 bilhões em 2040

A bioeconomia alia a sustentabilidade e a biodiversidade à tecnologia e à inovação

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Por Ana Laura Menegat

Segundo pesquisa feita pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e pela ONG The Nature Conservancy, o Estado do Pará pode gerar R$170 bilhões em bioeconomia no ano de 2040. A bioeconomia é uma área científica que estuda sobre o potencial das novas tecnologias de se aliarem aos recursos naturais em uma produção sustentável. No Pará, essa ciência representa 96% do Produto Interno Bruto (PIB), somado em 5,4 bilhões em 2019, com base no açaí, cacau-amêndoa, castanha-do-pará e seu óleo, palmito, borracha, tucumã, cupuaçu-amêndoa, cumaru, murumuru.

Essa forma de produção econômica está intimamente ligada com a preservação das florestas e dos povos indígenas. Para o produtor de castanha e presidente da Associação Bebo Xikrin do Bacajá, Bebere Tekakmeiti Xirin, a falta de demarcação de territórios indígenas é a principal barreira na produção e comercialização dos produtos. “Tem que se garantir a floresta em pé, garantir terras indígenas para os indígenas, para a economia e vida dos povos. E também garantir que não tenha invasores da área dos castanhais”.

A bioeconomia está presente também na produção de vacinas, enzimas industriais, novas variedades de vegetais, biocombustíveis e cosméticos. Esse modelo econômico defende a interdependência da economia com os ecossistemas, e, assim, busca aliar a biodiversidade, a tecnologia e a inovação. Além do impacto sustentável ao meio ambiente, a bioeconomia também estimula o avanço tecnológico, atrai mais investimentos no Brasil e contribui para a geração de empregos, conforme Confederação Nacional da Indústria.

A pesquisa do Banco Interamericano de Desenvolvimento e da ONG The Nature Conservancy foi coordenada pelo professor do Núcleo de Altos Estudos da Amazônia da Universidade Federal do Pará (UFPA), Dr. Francisco de Assis Costa, que defende a iniciativa. “São produtos muito importantes para a discussão do desenvolvimento da região, que tem agregação de valor de 2,9 vezes mais em relação à produção rural”.

O pesquisador ressalta que esse desenvolvimento só será possível a partir da criação e efetivação de políticas públicas, pois a maior parte dos produtos do estado são comercializadas no território brasileiro. Segundo Costa, essa bioeconomia exposta apenas 2% para outros países, o resto vai para o consumo local e regional, nas chamadas ‘cadeias curtas’. “Uma estratégia paraense é tratar com muita ênfase esse tipo de produto, valorizando o consumo local e não dar ênfase ao que seria a exportação internacional”.

Dentre as políticas públicas que a área deveria receber, está, na visão do professor, as possibilidades de crédito. Ele afirma que apenas 5,3% dos produtores e produtoras que atuam na bioeconomia possuem financiamentos, enquanto a agropecuária recebe 22%.


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