André Puccinelli: Candidato pelo MDB

“É um desafio grande, eu aceitei e quero trabalhar”

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Por redação

André Puccinelli nasceu na região da Toscana, em Viareggio, na Itália. Veio para o Brasil no pós-guerra com menos de um ano e cresceu no Sul do país. Escolheu a Medicina por vocação e fez a graduação em Curitiba. Ao se formar, em 1973, um amigo o chamou para exercer a profissão e a sua especialidade em cirurgia geral na cidade de Fátima do Sul, interior de Mato Grosso do Sul.

Entrou na política cedo ao ser convidado pelos moradores mais velhos da cidade a frequentar as reuniões de partidos na década de 80, ainda no interior do estado. Ao longo da sua trajetória política, foi secretário de saúde de MS, deputado estadual, deputado federal, prefeito de Campo Grande por dois mandatos e governador do estado, eleito e reeleito, finalizando a gestão em 2014.

André relembra com carinho e gratidão da época de prefeito e garante que a aproximação com a população faz a diferença na gestão. Agora, conta com essa proximidade para estruturar seu plano de governo, entender as demandas atuais e as prioridades do eleitorado.

Confira, a seguir, as principais perguntas para o pré-candidato.

Ogg Ibrahim: Quando prefeito de Campo Grande, muitos falavam que o senhor conhecia cada buraco da cidade. Suas andanças de Fiat Uno vermelho o ajudaram a conduzir a capital?

André Puccinelli: Sem dúvida. Nós disputamos a prefeitura em 1996, eu já tinha sido secretário de estado de saúde, deputado estadual e deputado federal, no meio do mandato eu disputei a prefeitura. E aí eu tinha que andar, passei a conhecer a prefeitura como ninguém. Eu mesmo procurava no mapa, como se dava o acesso a cada bairro e até hoje, apesar do crescimento enorme que a nossa Campo Grande teve, eu ainda dirijo o meu carro, não preciso de taxista nem de Uber pra me conduzir, nem mesmo de GPS.

OI: Quando foi prefeito, acredita que a prefeitura lhe credenciou para o governo?

AP: Sou grato a Campo Grande, ela me projetou pro estado e pro país. Em 2004, fui considerado o melhor prefeito das capitais brasileiras, fruto do respeito que Campo Grande nos deu, fruto da projeção que Campo Grande deu à minha gestão. Minha gratidão a Campo Grande é imensa.

OI: O senhor poderia estar descansando, sem os incômodos que a política traz. Por que se candidatou novamente ao Governo do Estado?

AP: Pra mim não é sacrifício trabalhar, eu gosto de trabalhar, eu gosto de andar, eu gosto de fazer reuniões, eu gosto de participar, eu gosto de conhecer. Quando o pessoal disse: ‘Vamos buscar o André de volta’, eu confesso que fiquei lisonjeado. Então, vamos tocar o barco, vamos trabalhar. Eu estou andando bastante no estado, vendo as novas peculiaridades de cada cidade e estou fazendo um projeto que vai ser registrado no nosso programa de trabalho. Nós estamos andando nos municípios coletando opiniões. O que nós fizemos na prefeitura? Andamos. Então, muito do que realizaremos chegando ao Governo do Estado será ouvindo a população, levando o desenvolvimento ao encontro das necessidades e das prioridades que a população de cada município elencar, disser que é prioridade.

OI: E ouvindo tudo que o senhor tem ouvido da população? O que o senhor vai adotar como prioridade?

AP: O pessoal depois dessa pandemia diz assim: ‘queremos desenvolver o nosso município, os pequenos, os grandes municípios’. Mas que é desenvolvimento? Emprego para quem não tem emprego, casa para quem não tem casa, melhoria das condições de vida. Além disso, a população tem clamado pela presença da sua autoridade, dos seus líderes mais perto. Ficamos quase dois anos isolados, então o pessoal tem carência de conversar, de se comunicar, de ser ouvido. Pelo que temos visto, a prioridade tem sido saúde, emprego, habitação e segurança - considerando que cada região tem a sua peculiaridade e que a política tem que se adaptar às questões locais e regionais para dar atendimento à população. É por isso que nós estamos andando e recolhendo as informações, para respondermos e para resolvermos com a população quais são os seus problemas. Por isso nosso slogan é “André resolve”. Fui eu que escolhi? Não. Foi a população. A gente sabe que ninguém resolve tudo, a gente sabe que todo mundo tem problemas, mas queremos alguém que venha nos ouvir para tentar resolver os problemas juntos, por isso “André resolve”. O governador não é obrigado a resolver, mas é obrigado a tentar resolver, é obrigado a trabalhar, trabalhar e trabalhar para tentar resolver, junto com a população, em parceria com ela.

OI: Quanto aos impostos, que impactam tanto na vida dos cidadãos, o senhor acha que dá para mexer nessa questão?

AP: Dá pra fazer alguma coisa sim, mas é preciso separar os impostos municipais dos impostos estaduais e federais. O que é que a população quer? Quer um governador que tente resolver os problemas, que vá ao encontro disso. E mais, que explique o que faz e por que faz. “Ó, eu vou fazer isto por causa disso, disso, disso e disso.” Se você for transparente, for ao encontro da população, fizer um governo que possa atender Caarapó, Campo Grande, os 79 municípios, indo em loco resolver os problemas, a pessoa te respeita porque sabe que você está imbuído de boa vontade, leva a equipe e tenta resolver - muitos problemas são passíveis de resolução.

OI: Segundo as pesquisas, o senhor está brigando pela liderança junto com o prefeito da capital, mas com o peso de uma rejeição muito grande. Como o senhor analisa e administra isso?

AP: Indo atrás das informações corretas. Os dois maiores competidores contra mim estão com uma intenção de voto bem abaixo da minha e com a rejeição bem próxima da minha, então isso não me tira o sono. A solução, a resolução, a definição será das pessoas. Nós estamos acompanhando as pesquisas qualitativas e quantitativas, todas elas, e em nenhuma das mais recentes eu fico sem estar seis pontos à frente do segundo colocado e a rejeição não tem essa distância do segundo colocado - ou seja, o outro candidato está mais próximo de mim na rejeição do que na intenção de voto.

OI: Por fim, o que o André Puccinelli não conseguiu fazer com dois mandatos como governador que pretende fazer agora caso seja eleito?

AP: Não consegui dar emprego pra todo mundo. Conseguimos colocar todos os que não tinham escola estadual dentro da escola, isso nós conseguimos fazer. Construímos 64 mil casas, mas apesar disso não conseguimos dar casa pra todo mundo. Então, nunca se vai conseguir gerar emprego para todos, ter desemprego zero, casa para todos. O que eu gostaria de fazer mais, mais daquilo que a população achou que é bom, mais daquilo que a população entende que vai ao encontro das suas reivindicações. Então, pretendo fazer o que nós estamos planejando no nosso plano de governo. As prioridades do momento são as que a população nos disse: arrumar emprego, arrumar casa, gerar empresa e indústria para abrigar o pessoal, para não passar fome. Auxiliar as micro e pequenas empresas, adquirir da agricultura familiar para que possam ter, através das compras governamentais, os 35% que a lei diz que pode comprar diretamente dos que produzem na agricultura familiar de assentamentos e de quem queira produzir. Então, é isso: fazer mais.

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*A ordem das entrevistas nas páginas da revista e de divulgação em nossas redes sociais (YouTube, Spotify e Instagram) foi definida por meio de sorteio, com ciência e acompanhamento das assessorias. Todos foram entrevistados entre 19 de maio e 14 de julho, enquanto, ainda, pré-candidatos ao Governo do Estado (o registro de candidatura ainda não havia sido formalizado).


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