Por Vinícius Reis
A última pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apresentou o número de brasileiros endividados, e com isso, atingiu um novo recorde em agosto, subindo para 79% do total de famílias.
Para esse indicador, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC, considera dívidas a vencer no cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro e de casa.
Na retomada da crise econômica causada pela covid-19, o aumento do endividamento ajudou a impulsionar o consumo das famílias. Mas, em meio à inflação elevada, as finanças saíram do controle. As taxas de juros aumentaram e, em agosto, 29,6% das famílias brasileiras tinham contas com pagamento em atraso, também recorde na pesquisa.
Em Campo Grande, o número de pessoas endividadas aumentou no mês de agosto, atingindo 59,7%, contra 59,3% no mês de julho. O percentual representa aumento de 1.458 famílias, chegando ao total de 190,6 mil.
Segundo os coordenadores da pesquisa, os resultados refletem um momento de inflação ainda próxima de dois dígitos e de alta de juros. Além de comprometer o orçamento do brasileiro, pode afetar a trajetória de retomada da economia passado o impacto da pandemia.
“Principalmente depois dos dados do último PIB (referentes ao 2.º trimestre), sabemos que o crédito tem sido uma via relevante para dar suporte ao consumo, tanto que o endividamento vem crescendo desde o ano passado”, afirma Izis Janote Ferreira, economista da CNC. Ela alerta que o alto endividamento pode comprometer a capacidade de consumo, principalmente, no próximo ano.
A população campo-grandense tem os maiores problemas com os cartões de crédito, atingindo 71% dos endividados. Em seguida, estão os carnês (23,2%); financiamento de casa (10,5%) e financiamento de carro (9,7%).
Os dados ainda apontam que 55% da população tem contas com pagamento em atraso por mais de 90 dias; 20,3% entre 30 e 90 dias; e 13,5% atrasado até 30 dias.
Veja os destaques da pesquisa da CNC: