NFTs: A tecnologia dos criptoativos e como esse mercado movimenta bilhões

Conheça mais sobre o mercado que movimentou mais de US$ 2 bilhões no primeiro trimestre deste ano

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A tecnologia moderna que permitiu a criação de moedas virtuais revolucionou o mercado financeiro com os NFTs (tokens não-fungíveis). Eles são considerados uma espécie de criptoativo, que oferece ao seu dono, de forma digital, a propriedade ou algum tipo de direito sobre produtos e serviços. Estas representações digitais já existem desde 2012, mas somente nos últimos meses o termo ganhou visibilidade mundial.

Ainda que os NFTs sejam provenientes da mesma tecnologia, eles não são equivalentes a criptomoedas e utilizam a blockchain (ferramenta para registrar e contabilizar todas as transações financeiras) em sua concepção. Essa nova forma de token criptográfico tem como singularidade o fato de ter valor único e não cambiável, o que cria um produto escasso, que transforma recursos ou obras digitais em algo único, rastreável e verificável por meio de tecnologia blockchain.

Esse mercado movimentou US$ 2 bilhões no primeiro trimestre deste ano, montante mais de 20 vezes superior ao observado nos três meses anteriores e 131 vezes maior que todo o dinheiro movimentado entre janeiro e março de 2020, segundo dados do site NonFungible.com. De acordo com o especialista da área Tim Balabuch, nos NTFs tudo é escrito em códigos e de forma descentralizada: “Não existe um órgão superior responsável por isso. E essa característica traz mais segurança, já que não dá para falsificar e copiar. Tudo é feito por meio de códigos que são impossíveis de serem duplicados”.

Para facilitar o processo de criação e de venda de NFTs, existem plataformas que auxiliam os interessados, como o OpenSea e o Foundation. Para Tim, esses sites permitem que os usuários criem os tokens não-fungíveis. “Se alguém trabalha com arte gráfica e quer atrelar suas obras a um NFT, muitas vezes isso cria um valor. Mas há alguns cuidados que devem ser tomados com esse procedimento, já que ele não é gratuito”.

Como toda tecnologia nova, há riscos e vantagens. Segundo Tim, tanto para as criptomoedas como para os NFTs, as pessoas são responsáveis pelos tokens, “Em muitos casos, as pessoas perdem as chaves privadas e todo o acesso aos itens. E fica perdido para todo o sempre, não tem uma maneira de recuperar”. Agora, um dos benefícios é que não há um intermediário nas vendas, “não tem uma taxa para pagar na galeria, que, às vezes, é muito alta. O artista vai ser recompensado diretamente e além de gerar uma segurança de autonomia, já que tudo estará registrado de forma transparente”.

Dentre os motivos para o crescimento exponencial do setor estão as comercializações de NFTs milionários, como a obra de arte virtual do artista Beeple vendida por mais de US$ 70 milhões. Mas, além de obras de arte, os tokens não-fungíveis estão abrangendo filmes, jogos e músicas. Como é o caso do ator galês Anthony Hopkins que está atuando em um filme que será distribuído apenas em NFT e não estará em nenhuma plataforma de streaming.

O cofundador e diretor da Brazilian’s NFTs, primeira galeria de arte do Brasil focada na tecnologia em tokens não-fungivéis, João Victor Vasques, lançou a exposição “Pantanal”, elaborada pela artista plástica Isabê. A coleção de pinturas representa o sofrimento do bioma brasileiro, que teve grande parte de sua biodiversidade devastada pelas queimadas. “Eu falo que a gente tem que ser a vitrine do Brasil para o exterior e também atrair o público brasileiro para a nossa empresa. Na coleção, vamos direcionar 20% do valor arrecadado para ONG SOS Pantanal, para ajudar no combate as queimadas”, complementa.

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