Curso de Jornalismo da UFMS denuncia censura ao Ministério Público Federal

O documento foi escrito em nome do Centro Acadêmico e assinado por mais de 100 estudantes, sendo enviado nesta terça-feira (31) ao Ministério Público Federal (MPF)

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Por Ana Laura Menegat

Na noite desta terça-feira (30) o curso de Jornalismo da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) encaminhou um documento ao Ministério Público Federal (MPF) manifestando insatisfação com a retirada dos sites do curso do ar. Ainda ontem, essas redes voltaram a ter o acesso liberado, mas alunas e professores defendem que a luta continua.

A petição foi protocolada em nome do Centro Acadêmico de Jornalismo (CAJOR), com apoio de estudantes do curso de graduação. O documento explica a situação dos sites de jornalismo e defende que as medidas tomadas pela Reitoria da UFMS são inconstitucionais e ferem os direitos à informação, à educação e à liberdade de imprensa.

A bacharel em Direito e acadêmica do segundo semestre de Jornalismo, Glenda Rodrigues, defende que a difusão de informações jornalísticas faz parte do Estado Democrático de Direito. “Fechar essa porta para a população e para os acadêmicos significa uma violação da nossa Constituição Federal, que prevê todas essas garantias, então a gente precisa ficar atento para que a Constituição não seja violada nem desrespeitada”.

Ela ressalta também que alunos e alunas que estão cursando a graduação precisam desses espaços na web para experimentar e colocar em prática os conhecimentos. “Precisamos desses espaços para aprender e evoluir, não só como estudantes, mas também como cidadãos”.

O documento pede ao MPF que recomende à Reitoria da UFMS a reativação das páginas “sem suprimir qualquer conteúdo do acervo histórico, ou quaisquer ferramentas para integral e eficiente utilização e funcionamento”. A petição foi assinada por 104 estudantes.

Além disso, o texto reivindica outras medidas jurídicas em face da violação de direitos. “Em havendo o descumprimento da Recomendação ministerial, requer a adoção de medidas no âmbito administrativo, cível e criminal, em especial, o ajuizamento de Ação Civil Pública com pedido liminar”.

Mesmo com o retorno dos sites, na tarde de ontem (30), o corpo docente e discente mantém suas reivindicações e afirma que a luta continua, pois foram dois meses de censura. A acadêmica do oitavo semestre e Diretora de Comunicação do CAJOR, Rafaella Moura, reforça que outros desmontes ainda seguem em curso. “A volta dos sites não tem que ser um motivador para esvaziar o movimento. Nós consolidamos uma rede conjunta de pessoas que se solidarizaram com nossa situação e que estão do nosso lado por melhores condições no curso, então temos que nos prender a isso e continuar nossas reivindicações. As manifestações seguem tendo seu devido valor, isso não apaga a censura que sofremos por meses. E mais uma vez, nenhuma explicação concreta e sólida foi dada, tudo o que nos foi dito foram informações que não tinham embasamento em nada, sequer em “Leis Eleitorais”, como foi justificado”.

O professor Mário Fernandes comenta que os sites apenas voltaram por conta da movimentação realizada. “Temos que estar vigilantes sempre. Os sites, assim como foram colocados agora, amanhã também podem ser usadas as mesmas justificativas e serem retirados de novo, então, a gente precisa de garantia de que as coisas vão ser resolvidas definitivamente. Porque é aquela história, hoje está lá, daqui a pouco, para tirar, é um clique, em meio segundo você tira um site do ar”.

Rafaella acredita que a participação do Centro Acadêmico (CA), aliada aos professores e às professoras, tem sido fundamental nesse processo. “Primeiro porque o centro acadêmico ecoa a voz dos estudantes, nesse caso ecoou a insatisfação de todos pelos atrasos e retrocessos que o curso estava sofrendo. Então, pra mim, o CA foi um mobilizador, a gente tinha um espaço em que pudemos expor tudo aquilo que vinha sendo reivindicado, além de conseguir alcançar outros setores, como o apoio da União Nacional dos Estudantes (UNE), por exemplo”.

A participação e solidariedade da UNE possibilitou que mais pessoas ficassem sabendo da situação e ajudou na organização do ato que vai ser realizado hoje (31) às 16h, em frente à Reitoria da UFMS. Essa movimentação também possui apoio de professores e professoras, da empresa júnior de comunicação BRAVA e de outros centros acadêmicos, para mostrar para os gestores e gestoras da faculdade que o curso de Jornalismo não irá se calar e acomodar diante de boicotes. O CAJOR e a UNE convidam as pessoas que se sensibilizarem com a causa a participarem também da manifestação.

Conforme o cronograma divulgado pelo CAJOR, amanhã (1), durante a reunião do Conselho Universitário (COUN), também haverá um tuitaço e instagramação com a #CensuraNaUFMS. Na sexta-feira (2), o foco será em realizar um mutirão de reclamações de denúncias da ouvidoria da Universidade.

Para mais informações, entre em contato através do instagram @ufms.cajor ou pelo email ufms.cajor@gmail.com.