Inspiração da natureza: O estudo de moléculas que podem mudar o mercado

Conheça o projeto que usa da própria natureza para buscar soluções para o dia a dia

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O meio ambiente, que já inspirou artes, músicas, roupas, poemas e produções audiovisuais, hoje motiva o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) - BIOINSPIR, com sede na Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), na capital. O projeto busca elementos na biodiversidade do Pantanal para criar soluções para o mundo animal e para os seres humanos.

Segundo o coordenador do projeto e professor da instituição, Octávio Luiz Franco, o instituto desenvolve pesquisas voltadas para a descoberta de possíveis moléculas que, após processadas, possam resultar em soluções como remédios, alimentos, nutrientes para animais e até vacinas. “Nossa estrutura foi criada para que possamos buscar no Pantanal fontes de recursos autossustentáveis. O trabalho de pesquisa objetiva identificar moléculas que, após isoladas e estudadas, passem por algoritmos e sejam transformadas em elementos a serem utilizados no dia a dia”.

O professor explica que, com o trabalho de mapeamento que realizam, conseguem reduzir as variáveis na produção de um fármaco, por exemplo, garantindo que sua reprodução em larga es- cala seja fiel ao resultado esperado. O processo é longo e, com o resultado positivo da solução, inicia-se a etapa de distribuição, por meio da busca de parcerias de empresas e instituições para o escalonamento e precificação dos produtos.

Para descobrir quais compostos podem funcionar em determinadas funções, o professor explica que existem duas formas de análise: por conhecimento adquirido ou por força bruta. A primeira, utilizada no instituto, usa bancos de dados existentes e a correlação entre os compostos. “A natureza é repetitiva e já temos um conhecimento prévio de algumas condições. Por exemplo, alguns compostos são encontrados em sementes por serem hidrofóbicos, por não se misturarem com água. Já se tivermos compostos que se misturam melhor em óleo, procuramos em sementes oleaginosas”.

A outra forma de verificação, a por força bruta, é feita em larga escala, por meio de testes com diversas substâncias até que alguma funcione. “Essa técnica é muito usada por grupos de todo mundo. Se testa tudo contra tudo. Geralmente eles têm muita gente, muito recurso. Desta forma, pelas várias tentativas, uma hora a compatibilidade dá certo”, pontua Octávio.

Os principais benefícios do projeto, segundo o professor, são: agregar valor às soluções, melhorar a qualidade dos itens desenvolvidos e a possibilidade de baratear produtos para a população, principalmente a local.

De acordo com o coordenador, além de desenvolver produtos, o instituto fortalece a ciência desenvolvida em Mato Grosso do Sul. “Um estado mais tecnológico é aquele que se preocupa mais com o seu cidadão. Um projeto dessa magnitude, com esse tipo de investimento, melhora muito a qualidade da ciência local. Além disso, ter pessoas mais qualificadas, nas diversas áreas, e com uma visão diferencial agrega valor à cidade”, expõe o professor.

Com sete anos de existência, o instituto envolve hoje 22 países, de todos os continentes, e cerca de 250 pesquisadores espalhados pelo mundo. Os recursos são providos pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect).

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