Fronteira: Divisa entre Bolívia e Brasil permanece fechada
A divisa dos países segue em protestos contra o atual governo boliviano
Por Vínicius Reis
A fronteira entre Brasil e Bolívia segue fechada por causa de protestos contra o atual governo boliviano. O acesso ao país vizinho está fechado para veículos e já reflete prejuízo ao setor de logística e transporte de R$ 51 mil em dois dias consecutivos de mobilização. O trecho está fechado em protesto denominado Paro Cívico, onde os moradores pedem a suspensão do adiamento do Censo Demográfico para 2024.
Na fronteira está permitido somente o trânsito de pedestres. A expectativa é de que o bloqueio seja retirado na quarta-feira (10), somando 48 horas de manifestação. Caminhoneiros aderiram à paralisação, prevista para acontecer entre ontem e hoje. Outras duas regiões do país boliviano têm atos semelhantes.
Em diferentes pontos da Bolívia, sobretudo em Santa Cruz de La Sierra, civis montaram barricadas com terra, paus, pedras e pneus para impedir o trânsito nas principais vias da cidade.
Os manifestantes bolivianos exigem que o governo realize o Censo, estudo estatístico para atualizar informações, como o número de habitantes. Eles alegam que esses dados são importantes para aumentar os repasses de recursos financeiros aos municípios, que estão defasados. Manifestantes aguardam reunião com o governo para discutir o assunto. Caso não haja acordo, o protesto pode durar ainda mais tempo.
De acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte e Logística do Pantanal (Setlog Pantanal), mais de 100 caminhões que levam e trazem diferentes cargas para a Bolívia devem atrasar o cronograma de viagem.
O governo presidido por Luis Arce (MAS) adiou a pesquisa para 2024, sendo que inicialmente, seria feita em novembro de 2022. Este é o segundo "Paro Cívico" em protesto ao adiamento, o primeiro foi em 25 de julho.
O departamento de Santa Cruz, onde está situada a cidade mais populosa do país, além de Puerto Quijarro, no limite com Corumbá, tem apoiado as manifestações. O governador Luis Fernando Camacho (UCS), de oposição, declarou estar do lado do movimento. A justificativa é que as regiões são prejudicadas na redistribuição de recursos econômicos públicos, por conta do adiamento do recenseamento, já que os dados utilizados são defasados.