Aluno de psicologia realiza vakinha para adquirir uma cadeira elétrica motorizada

Vinícius possui fraqueza nos braços e pernas e para poder se locomover com mais autonomia precisa de uma cadeira de rodas que seja dobrável e prática

10/08/2022 00h00 - Atualizado em 12/08/2022 às 17h53

Por Ana Laura Menegat

Vinícius possui 20 anos e um sonho: ter autonomia. Luis Vinícius Quintana nasceu no dia 21 de outubro de 2001 e aos 12 anos recebeu o diagnóstico clínico de Miopatia Nemalínica Congênita, uma deficiência física neuromuscular progressiva, que faz com que ele tenha fraqueza nos braços e nas pernas, disfunção motora grave, fadiga, hipotonia global, entre outros sintomas. Para ampliar a facilidade em seus deslocamentos, ele precisa de uma cadeira que seja mais leve que a atual, porém, o valor da nova ultrapassa os 20 mil reais. A solução encontrada foi criar uma vakinha online.

Vinícius fala baixo, mas sabe o que quer. Por trás das lentes de seus óculos, vislumbra um futuro possível e promissor, no qual ele pode ir e vir livremente para a clínica de terapia na qual um dia trabalhará. O sul-mato-grossense é estudante de psicologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e já cursa o oitavo semestre da graduação. Vinícius conta que a escolha do curso foi boa para ele e que se identifica mais com a área comportamental. “É uma área que trabalha com vários campos, então tem o campo educacional, clínico, do trabalho, você consegue diversificar bastante a atuação com ela”, explica.

A cadeira que Vinícius possui atualmente é uma ottobock b400, que é motorizada, porém pesa 98 kg e não é dobrável, o que dificulta o transporte do acadêmico em ônibus e até mesmo em carros. Ele conseguiu esta cadeira em 2020 através do SUS e com ela consegue se deslocar tranquilamente em casa, mas a situação é mais complicada para ir em locais distantes, como à UFMS. Por isso, mesmo após o retorno das aulas presenciais após pandemia da covid-19, Vinícius segue estudando em casa.

Ele sente falta do contato humano proporcionado pelo ambiente universitário e afirma ter dificuldade em acompanhar as disciplinas. “O primeiro ano do isolamento foi bastante difícil, mas a gente se adaptou. Agora todo mundo praticamente já voltou, então estou só eu na minha turma em regime especial, acaba sendo mais difícil de acompanhar quando você é o único que está em regime diferente da turma”, afirma.

Para Vinícius, a parte mais difícil de conviver com a doença é depender de outras pessoas. “São as dificuldades do dia a dia, que para a maioria das pessoas são simples, mas que para mim acabam sendo mais difíceis, tipo trocar de roupa, comer uma comida, sair de casa, porque geralmente não tem acessibilidade [na cidade]”.

Ele acredita que existe uma falta de conscientização da população a respeito das necessidades das Pessoas com Deficiência (PCDs) e que a maioria dos estabelecimentos, mesmo quando minimamente adaptados, não são inclusivos para todas as pessoas. Vinícius afirma que ter autonomia representa para ele basicamente tudo. Ele precisa de ajuda em vários momentos do dia e quando está em casa esse suporte vem de sua mãe. “Pelo menos com a cadeira eu consigo me deslocar de um lugar para o outro sem a ajuda de ninguém e com ela eu também vou poder andar de carro. Autonomia é algo que eu acabo não tendo muito, mas a cadeira vai me proporcionar sair de casa, porque eu acabo ficando mais recluso por conta da dificuldade de sair”.

No primeiro ano de graduação, os colegas de turma de Vinícius o ajudavam a atravessar algumas partes do campus da UFMS, como cruzar uma ponte para chegar até a sala de aula. “Eu lembro que nas primeiras semanas os meus colegas se juntavam para erguer a cadeira, para subir as escadas e para conseguir me carregar durante o percurso da ponte, depois eu consegui a van interna. Na sala de aula também, a própria estrutura da sala acaba dificultando, são vários degraus, é difícil entrar e sair de uma mesa”.

Esse isolamento que ainda não acabou para o Vinícius pode ter fim, ou pelo menos uma maior abertura, com a aquisição da nova cadeira, que seja dobrável, mais leve e compacta. O modelo que melhor se adapta é uma Divinitá, que com os acessórios necessários, custa R$ 26.141,00. Na vakinha criada online, o valor doado até o momento é de R$ 5.652,00, vindo de 47 apoiadores.

Para doar, é possível acessar o link da vakinha ou realizar um pix ou transferência para Vinícius. E quem quiser acompanhar a trajetória dele, é só o seguir no Instagram, @vinni_quintana.

LINK|-|https://www.vakinha.com.br/vaquinha/cadeira-de-rodas-motorizada-luis-vinicius-quintana-borges?utm_campaign=whatsapp&utm_content=3004920&utm_medium=website&utm_source=social-shares|-|Link da vaquinha

PIX (chave aleatória): 744a9738-f975-4970-9aeb-9d0a33d3b65c (Luis Vinícius Quintana Borges) - Conta corrente Banco do Brasil: - Agência: 4421-0 - Conta: 30587-1


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