Amazônia brasileira já perdeu mais de 300 milhões de árvores em 2022
Em um ano o desamatamento da área atingiu 8.590km²
Por Vinícius Reis
Dados do Monitor do Planeta do PlenaMata mostram que a Amazônia brasileira perdeu mais de 300 milhões de árvores desde o início do ano até agora. Isso significa que, em média, mais de 1,4 milhão de árvores foram derrubadas por dia, 1.024 a cada minuto, 17 a cada segundo.
A plataforma do PlenaMata utiliza os alertas diários de áreas desmatadas do sistema DETER/INPE e multiplica pela quantidade média de árvores para cada hectare de floresta na região amazônica, que de acordo com cientistas, o número é de 565 árvores por hectare. “Tudo isso para representar de forma mais concreta o significado da derrubada da floresta. Em vez de falarmos em áreas, abordamos em números de árvores, o que dá um pouco mais de noção do tamanho do desastre”, explicou Tasso Azevedo, coordenador-geral do MapBiomas, ao InfoAmazonia.
O desmatamento na Amazônia cresceu em 2022, com 5.457 km² de florestas perdidas entre 1º de janeiro e 29 de julho, de acordo com o monitor. Esse é o maior valor já registrado para o período desde o início da série histórica, em 2016. A área desflorestada representa um aumento de 9% em relação aos primeiros sete meses de 2021.
Esse é o terceiro ano consecutivo em que a marca de 8.000 km² é ultrapassada. O recorde da série histórica é de agosto de 2019 e julho de 2020, quando os alertas de desmatamento somaram 9.216 km². De agosto de 2020 a julho de 2021 foram 8.780 km². Os alertas de desmatamento são feitos pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Inpe. O sistema mostra diariamente sinais de alteração na cobertura florestal. Os dados produzidos não são oficiais, mas alertam sobre onde o problema está acontecendo e a dimensão.
Entre os estados que mais perderam árvores em 2022 estão o Amazonas (95,8 milhões), Pará (89,5 milhões), Mato Grosso (59 milhões) e Rondônia (41,6 milhões). Cinco das 10 cidades que mais desmataram na temporada de 2021/2022 estão no Pará: Altamira, São Félix do Xingu, Itaituba, Portel e Novo Progresso. As demais estão no Amazonas (Lábrea, Apuí e Novo Aripuanã), Rondônia (Porto Velho) e Mato Grosso (Colniza).
A floresta amazônica contribui para a manutenção do clima na Terra ao estocar grande quantidade de dióxido de carbono (CO2), um dos gases responsáveis pelo efeito estufa e aquecimento global. No entanto, um estudo liderado pela pesquisadora do Inpe, Luciana Gatti, publicado em julho de 2021 na revista científica Nature, aponta que o lado leste da Amazônia tem perdido a função de reter o gás carbônico.
LINK|-|https://www.nature.com/articles/s41586-021-03629-6|-|Estudo
A pesquisa, uma das mais completas sobre o assunto, apurou a concentração de CO2 em diferentes regiões da Amazônia entre 2010 e 2018 e mostrou que o nordeste e sudeste da floresta, os mais desmatados e queimados, já emitem mais dióxido de carbono do que absorvem, ou seja, tornaram-se fontes de emissão de CO2.
No Brasil, o desmatamento é a maior fonte de gases-estufa, responsáveis pelo aquecimento anormal no planeta. Para diminuir o desmatamento, é necessário fortalecer os orgãos ambientais responsáveis pelas fiscalizações para combater de forma eficiente crimes como garimpo ilegal, grilagem de terras e invasões de florestas públicas e áreas protegidas.