Por Ana Laura Menegat
O Ministério da Saúde confirmou a primeira morte por varíola dos macacos, a monkeypox, no Brasil. A pessoa afetada era um homem que possuía baixa imunidade e o óbito foi registrado na última quinta-feira (29) na cidade de Uberlândia (MG).
O vírus monkeypox é da mesma família que o vírus da varíola humana e pode ser transmitido por macacos, ratos, esquilos e, posteriormente, por pessoas infectadas. Se caracteriza como uma infecção que desencadeia febre, dor e aparecimento de lesões e feridas em algumas partes do corpo, como boca, mãos, anus e genitais.
Há uma semana, no sábado (23), a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde global em relação à doença. As formas de transmissão e contágio se dão através de contato próximo com as lesões, por fluidos corporais, gotículas respiratórias ou materiais contaminados, como roupas de cama, louças e toalhas.
Esse tipo de infecção não foi caracterizado como uma infecção sexualmente transmissível (IST), mas pode ser transmitida no ato sexual devido à proximidade e contato do corpo e da pele entre as pessoas. Ainda não há informações sobre a efetividade da camisinha de proteção em relação à esta doença, mas a importância do preservativo continua na proteção de outras ISTs, como HIV, sífilis, gonorreia e algumas hepatites.
Outra forma de contágio do vírus é em decorrência da proximidade com animais contaminados, o que acontece de forma recorrente no continente africano, onde o vírus da varíola dos macacos é endêmico há décadas.
A doença já está presente em 15 estados brasileiros e no Distrito Federal e não mais se limita a apenas adultos, pois a cidade de São Paulo confirmou nesta semana os primeiros casos em crianças. Até quarta-feira (27) o país registrava 978 casos da varíola dos macacos e a maior concentração está no estado de SP. O Mato Grosso do Sul apresenta apenas um caso até o momento.
Especialistas indicam que é importante manter atenção em relação aos sintomas e buscar avaliação médica caso eles apareçam. As feridas na pele começam com uma vermelhidão, depois incham, formam bolhas e casquinha. Os sintomas da monkeypox também são compartilhados por outras doenças, mas na dúvida, recomenda-se o atendimento com profissionais da saúde.
Vacinas
A doença ainda não possui uma vacina específica, mas três imunizantes usados para a proteção contra a varíola humana podem ser aplicados. São elas a MVA-BN, a ACAM2000 e a LC16. Ainda não se sabe o quão efetivas elas são na proteção da varíola dos macacos, mas já estão sendo aplicadas nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e países da União Europeia. O Brasil ainda não teve acesso aos imunizantes, mas, em nota, o Ministério da Saúde afirmou que “articula com a Organização Mundial da Saúde (OMS) as tratativas para a aquisição da vacina monkeypox”.
A OMS orienta que em países como o Brasil, em que a transmissão acontece de forma comunitária, é preciso realizar uma vacinação direcionada às pessoas com alto risco de exposição à doença. Esses grupos incluem homens que fazem sexo com outros homens, profissionais da saúde na linha de frente de combate, profissionais de laboratório e pessoas que possuem relações sexuais com múltiplos parceiros. Essa forma de vacinação direcionada também deve ser avaliada para grupos vulneráveis, como pessoas imunossuprimidas, crianças e pessoas grávidas.