Mulheres no topo: Tendências para o futuro da arquitetura e design de interior
Profissionais do ramo de arquitetura e design de interiores falam sobre os segmentos que atuam, a pandemia e as tendências para o futuro
Por Ogg Ibrahim
Durante a pandemia, a arquitetura ganhou espaço e força. A necessidade de ficar mais tempo em casa, imposta pelas autoridades para conter a disseminação do vírus, transformou a relação das pessoas com o lar e exigiu adaptações nas moradias para transformá-las em ambientes multifunções, confortáveis, práticos e eficientes.
Como consequência disso, houve um aumento na procura por arquitetos e designers de interiores - movimento contrário à desaceleração imposta pela suspensão das atividades nos demais setores. No pico da pandemia, o mercado da construção civil viveu um crescimento acelerado e constante que vem se mantendo até agora. Nos meses de agosto, setembro e outubro de 2020, os resultados foram os mais expressivos desde o final de 2012 e a previsão para 2021 é de um crescimento no PIB da construção de mais de 4%.
Diante desse cenário otimista, quem atua na área tem motivos para sorrir. E com belos sorrisos, pudemos conferir essa euforia em um bate-papo descontraído com cinco representantes do segmento. Conversamos, por indicação da Todeschini Campo Grande, com as arquitetas Jaqueline Menin, Mariana Paro, Juliana Viganó e Alessandra Gibran e com a designer de interiores Anapaula Moreira.
Carismáticas, bem resolvidas e com as agendas cheias de projetos, as profissionais, de referência no estado, traçaram uma radiografia do momento pelo qual a arquitetura está passando em Campo Grande.
Ogg Ibrahim: Como e quando veio o desejo de se tornar arquiteta?
Jaqueline: Desde pequena sempre gostei de desenhar casas, de criar algo novo e me identificava com as matérias de exatas... Amava isso!
Mariana: Já eu, quando criança, gostava de desenhar rostos, roupas. E meu pai era engenheiro, então, eu tentava copiar alguns desenhos das plantas dele. Acho que veio daí. Alessandra: No meu caso, acho que no fundo eu já tinha uma veia artística.
Juliana: Já eu, decidi que faria arquitetura na sétima série do colégio. Adorava folhear revistas de decoração, mas nem sabia exatamente o que era a profissão. Eu decidi e nunca mudei de ideia, sequer tive dúvidas.
OI: E você Anapaula, quando se descobriu designer?
Anapaula: Meu primeiro vestibular foi para jornalismo, mas ainda que tivesse passado, faria design. Na universidade, percebi que minha vida sempre foi rodeada de arte e design. Meu avô paterno foi um talentoso alfaiate em uma cidadezinha pequena no interior de Minas Gerais, ele produzia os melhores ternos da cidade. Isso é arte! Já meu pai tinha uma loja de cortinas. Em casa, ele e minha mãe sempre valorizavam a decoração com móveis antigos e telas de artistas locais e gostavam de fazer produções para receber visitas, tanto que meu pai abriu uma casa de decoração de festas. Fui seguindo esses caminhos, sem me dar conta que cresci rodeada de criatividade e arte.
OI: O que mais vocês priorizam em seus projetos?
Mariana: Funcionalidade e conforto em primeiro lugar. Não adianta ser um projeto lindo e não ser funcional e prático. Jaqueline: Concordo: conforto e funcionalidade. Detesto espaço mortos e sem função, que dão trabalho ao proprietário. Além disso, sempre prezo por projetos que enchem os olhos.
Alessandra: Já eu priorizo mais a harmonização e a expectativa gerada no cliente.
Anapaula: Eu costumo priorizar o design aliado à utilidade, a partir do ser humano e ao redor do ser humano. Gosto de criar para oferecer experiências. Um design para bem viver.
Juliana: No meu caso, penso no que o cliente deseja no resultado final e uno à visão que tenho de arquitetura e interiores, com as tendências e novidades que vão nascendo a cada dia.
OI: Como vocês veem hoje a evolução da arquitetura em relação às novas tendências, materiais e tecnologias?
Jaqueline: Vejo uma evolução avançada e com estilo conservador. Tenho 12 anos de escritório e muitos materiais que eu usava no início, ainda são tendência.
Alessandra: Mas a arquitetura hoje ampliou muito o leque, há várias opções de revestimentos, materiais, etc.
Anapaula: A integração desses materiais e tecnologias contribui para a evolução do segmento, tanto no aspecto construtivo quanto na “trabalhabilidade” e no tempo de obra. Isso nos dá uma gama de opções e facilidades de instalação e manutenção.
Mariana: Hoje há tecidos que resistem à água, porcelanatos quase iguais a mármores com impressão 3D, empresas pensando em sustentabilidade e softwares que deixam os projetos cada vez mais reais. Isso agrega e nos permite, cada vez mais, criar sem limitações.
Juliana: Percebo que cada dia mais a arquitetura vem sendo valorizada, não somente para um “morar bonito”, mas para trazer conforto, praticidade e tecnologia em prol do bem-estar. Por meio da internet, as pessoas estão cada vez mais antenadas nas novidades no mercado e mais dispostas a investir em construções, reformas e decoração.
OI: Vocês costumam acompanhar a execução do projeto “com o pé no barro”, desde o início?
Juliana: Sim, no escritório em que sou associada hoje, temos o pacote completo, desde projeto de arquitetura, projeto de interiores, execução de obra de ambos e assessoria de interiores. Então, eu acompanho junto com a equipe desde o início da obra.
Alessandra: No meu caso, acompanho mais os acabamentos, a fase final da obra.
Anapaula: Com certeza! Acompanhar a reforma ou a obra desde o início é fundamental. Ver e tirar dúvidas do projeto junto com os construtores e fornecedores evita vários desgastes, prejuízos com material e tempo.
Jaqueline: Sim, quando eu era contratada, até deixei de executar obras por um período. Mas o amor mais forte pela obra me fez querer voltar.
Mariana: Sim, adoro estar nas obras, ver tudo sair do papel e ficar ainda mais lindo do que no projeto. Já tentamos parar com as execuções, porque é uma etapa bem trabalhosa e desgastante, mas não conseguimos largar. É muito satisfatório, apesar de todo trabalho, ver tudo pronto.
OI: E como vocês conduzem a conversa com os clientes antes de elaborar um projeto?
Mariana: No escritório, iniciamos o primeiro atendimento com perguntas sobre as principais necessidades, costumes e informações gerais. Depois, enviamos um questionário, tipo uma entrevista, para o cliente responder com calma sobre cores e estilos, costumes particulares, gostos peculiares, etc. Tento captar bem o estilo do cliente.
Jaqueline: Nós também fazemos uma super análise do perfil do cliente para identificar tudo o que ele deseja (sonhos, necessidades, estilo) e qual investimento deseja fazer para que o projeto se torne real e não saia totalmente fora do orçamento planejado.
Juliana: Gosto de sentar, conversar e entender a necessidade, a rotina e, principalmente, qual o resultado que o cliente espera. Assim fica mais fácil conhecer e iniciar os processos para dar início ao projeto.
Anapaula: Sim, são muitos encontros, cafés e pães de queijo (risos). É o momento em que o cliente fala dos seus sonhos e desejos. Escuto na essência, por que é a partir dessas conversas que a criatividade e a inspiração me fazem construir um projeto que possa surpreender e encantar.
OI: A pandemia, ao deixar as pessoas mais tempo em casa, trouxe mudanças significativas no contexto dos projetos?
Alessandra: Sim, começamos a olhar para os lares de forma diferente, com mais carinho.
Mariana: Percebi que as pessoas deram mais valor aos seus lares por estarem passando mais tempo em casa e resolveram investir mais para reformar os ambientes.
Juliana: A pandemia serviu, de certa forma, para que todos nós passássemos a olhar para dentro de nossas casas com outros olhos, enxergando que a casa não é feita só para dormir. Ela precisa ter a nossa cara, ter aconchego, abraçar a gente. Além de beleza e funcionalidade, a casa precisa causar bem-estar.
Jaqueline: Hoje as pessoas viram a importância do lar, de ter uma casa bem projetada e que supra todas as necessidades com muito conforto, proporcionando bem-estar e o “querer ficar em casa”!
Anapaula: Penso que a pandemia fez com que as pessoas começassem a desfrutar mais dos cômodos, já que houve um aumento na convivência com toda família. Com isso, projetos foram sendo alterados e residências reformadas, acomodando novas atividades e individualidades e mantendo a função acolhedora.
OI: E falando em acolher, como descrever os projetos da Todeschini?
Anapaula: A Todeschini é atemporal, acompanha as tendências do mundo, oferecendo projetos que atendem o estilo de cada cliente. A loja agrega em seus móveis acabamentos como pedras, couro e tecidos em uma sofisticação única. A tecnologia dos metais, corrediças, trilhos, puxadores e acessórios nos dão segurança e facilidade na aplicação.
Mariana: Eles são versáteis, têm opções limpas e contemporâneas e também uma linha mais clássica. Além disso, disponibilizam variadas opções de cores, assim como diferentes materiais e puxadores.
Jaqueline: Muito atuais e com design sofisticado, é uma marca que está a cada dia melhor posicionada no mercado. Alessandra: A Todeschini acompanha muito bem o projeto proposto e nos dá respaldo.
Juliana: A primeira palavra que me vem à cabeça é sofisticação, junto com aconchego. E quem consegue unir essas duas características, não poderia trazer um resultado melhor. É só entrar no showroom da loja, que se consegue entender do que estou falando. Sem contar com a inovação e a história de mais de 80 anos de mercado.
OI: Que futuro vocês preveem para a arquitetura e os profissionais da área?
Juliana: Um futuro cheio de trabalho, projetos, parcerias bacanas, experiências únicas, inovação, boom de informação e tendências pós-pandemia que só tendem a melhorar, a cada dia, o cotidiano do ser humano dentro e fora de suas casas.
Alessandra: Um futuro de obras lindas e inovadoras.
Anapaula: Acredito que a arquitetura está sendo modificada pelos novos tempos. Já estamos no futuro. O mundo de hoje não vê mais o desenvolvimento que não seja em comunhão com a natureza. Um olhar mais vívido para a sustentabilidade. O mundo exige que construamos estruturas mais inteligentes e eficientes. Acredito que os profissionais terão necessariamente que se adaptar a esse futuro que já começou fazendo a ponte entre essa tecnologia e o cliente, humanizando o processo.
Jaqueline: Estamos no auge da construção, o mercado imobiliário cresceu horrores nos últimos dois anos. Não consigo prever para frente, mas aproveito todas as oportunidades de deixar registrados os nossos projetos com amor e primor.
Mariana: Um futuro onde somos, cada vez mais, valorizados e reconhecidos. Isso já mudou muito hoje e todos já reconhecem a importância de um arquiteto em uma obra. Espero que isso melhore cada vez mais.
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