Elas foram criadas para dar aquela “forcinha” extra para quem não tem muito o hábito de pedalar. Inicialmente produzidas com design sem graça, nada atraente, as bicicletas elétricas foram ganhando mercado e agora invadem trilhas fora da selva de pedra. Segundo levantamento da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike) e o Laboratório de Mobilidade Sustentável da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Labmob/ UFRJ), a venda de bicicletas elétricas cresceu 34% entre os anos de 2016 e 2019 no Brasil e, em 2020, mesmo com o impacto da pandemia da Covid-19, foram importadas mais de 7 mil bicicletas elétricas apenas no primeiro semestre, número 28% maior que no mesmo período do ano anterior.
Dentre os fatores desse crescimento estão a economia que se pode ter com combustível e manutenção de veículos (para quem tem carro) e, também, os custos elevados com o transporte coletivo. Mas o maior benefício desse novo meio de transporte está na melhora da qualidade de vida e da saúde com as pedaladas, além de contribuir para um planeta mais sustentável, diminuindo a emissão de gases poluentes. Conforme o estudo da Aliança Bike com o Labmob/UFRJ, 56% das pessoas trocaram o automóvel pela bicicleta elétrica como meio de locomoção para trabalhar ou estudar e 87% sentiram melhora na qualidade de vida após a troca. Para o consultor de ciclismo e empresário do setor, Jesus Brenno, a chamada e-Bike trouxe facilidades e economia. “Meu principal uso de e-bike é para me locomover até o trabalho. Antes, com bike normal, eu levava uma troca de roupa, pois chegava bem suado. Hoje não preciso mais”, explica Brenno.
No mercado, já existem vários modelos de e-bikes, que se diferenciam, principalmente, pela categoria e preço. De acordo com a sua utilização, elas custam de R$ 3.700 a R$ 60.000,00, dependendo da marca. O preço é mais salgado, 25% maior que das bicicletas convencionais, em razão da carga tributária e do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Assim, 85% do custo da bike são apenas para pagar os impostos.
Para a vendedora de bicicletas elétricas Ana Cláudia Lino, o consumidor procura o modelo elétrico para economizar tempo e combustível, e o movimento cresceu na pandemia: “Aumentou bastante a procura. Os clientes passaram a usar a bike elétrica para não andar de ônibus e correr o risco de levar a doença pra casa ou pra pessoa com quem trabalha”.
Com o cenário favorável, apesar do preço alto, a expectativa é de que o número de vendas alcance 280 mil bicicletas/ano até 2022.
Além de servir como um eficiente transporte nas cidades, as e-bikes também prometem no uso esportivo e de lazer. Na Europa, foi criada uma prova anual de MTB (Montain Bike) só para elas, e no Brasil, o 1º Campeonato Brasileiro de E-Mountain Bike, aconteceu em julho de 2019.
Assim como os carros elétricos, as bikes elétricas de marca ainda estão longe do bolso da maioria dos mortais, mas, com certeza, já estão se tornando o transporte ideal para quem gosta de aliar economia aos cuidados com a saúde.
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