Brasil tem situação preocupante com varíola dos macacos

Com 813 casos confirmados, a Organização Mundial da Saúde teme por surtos em todo o país

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Por Vinícius Reis

De acordo com dados do Ministério da Saúde, o Brasil já confirmou 813 casos da varíola dos macacos (monkeypox). O país está no em sexto lugar no ranking dos 10 países com maior número de casos.

A líder técnica da Organização Mundial da Saúde (OMS), Rosamund Lewis, disse em coletiva de imprensa nesta terça-feira (26) que a situação no país “é muito preocupante” e que os casos podem estar subnotificados, principalmente por não haver testes suficientes à disposição. O número de diagnósticos representa um aumento de 33% em comparação com a última sexta-feira (22), quando eram 607 casos confirmados em todo o país.

Atualmente, a doença foi detectada em 75 países, somando mais de 16 mil casos. O total de mortes chegou a cinco, segundo a OMS. Espanha, Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e França figuram entre as cinco nações com maior número de infectados.

O Ministério da Saúde destacou, por meio de nota, que a doença é prioridade para a pasta e que faz constante monitoramento e analises da situação epidemiológica para definir orientações e ações de vigilância e resposta à doença no país. “Todas as medidas hoje anunciadas pela OMS já são realizadas pelo Brasil desde o início de julho de forma a realizar uma vigilância oportuna da doença”, segundo o texto.

De acordo com um estudo publicado na última quinta (21), entre 528 casos de varíola dos macacos nos 16 países, 95% das infecções ocorreram durante o contato sexual. Os diagnósticos também se concentram na comunidade de homens que fazem sexo com outros homens. A OMS, por exemplo, já indicou que cerca de 90% dos casos são reportados nessa população.

Em um workshop sobre Vigilância, Alerta e Resposta a Emergências em Saúde Pública (VIGIAR), que aconteceu em Brasília, na segunda-feira (25), o ministro da saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que não há previsão de vacinar toda a população contra a varíola dos macacos e que a prioridade deve ser o isolamento dos casos confirmados e orientações sobre as formas de contágio. "Não há previsão de vacinação em massa em relação à monkeypox em nenhum país do mundo. São grupos específicos, que as autoridades sanitárias ainda não têm consenso", afirmou.

O Vírus

A varíola dos macacos é causada por um vírus chamado Monkeypox que pertence ao gênero ortopoxvírus da família Poxviridae. O vírus é transmitido de uma pessoa para outra por contato próximo com lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias e materiais contaminados, como roupas de cama. A doença também pode ser transmitida pelo contato com a pele durante o sexo, incluindo beijos, toques, sexo oral e com penetração com alguém que tenha sintomas.

Os sintomas

Os primeiros sintomas podem ser febre, dor de cabeça, dores musculares e nas costas, linfonodos inchados, calafrios ou cansaço. De um a três dias após o início dos sintomas, as pessoas desenvolvem lesões de pele, geralmente na boca, pés, peito, rosto e ou regiões genitais.

Para prevenir a contaminação, deve-se evitar o contato próximo com a pessoa doente até que todas as feridas tenham cicatrizado, assim como com qualquer material que tenha sido usado pelo infectado. Também é importante a higienização das mãos, lavando-as com água e sabão ou utilizando álcool gel.

Vacina

Existem duas alternativas de vacinas com eficácia para a varíola dos macacos: a Jynneos (ou Imvanex), produzida pela farmacêutica dinamarquesa Bavarian Nordic, e a ACAM2000, fabricada pela Sanofi.

No Brasil, a negociação para compra das vacinas está acontecendo, mas o objetivo é disponibilizar vacinas suficientes para os profissionais de saúde.


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