Dia do Agricultor: entenda a importância desta profissão
Desde produções pequenas e familiares à exportação: o campo não para
Por Ana Laura Menegat
Nos solos do Mato Grosso do Sul, produtores e produtoras rurais garantem seu sustento e colaboram com a alimentação de todo o país. Entre os anos de 2020 e 2022, o estado registrou o maior incremento do Produto Interno Bruto (PIB), de 4,9% segundo o levantamento da MB Associados. Hoje é Dia do Agricultor e o técnico em agropecuária Araquem Midon defende a importância desta profissão. “O setor rural, o produtor rural, precisa ser homenageado todos os dias, porque sem eles a gente não toma café, não come o pão, não tem o leite e a carne. É um setor muito variado”.
Araquem nasceu em Aquidauana, no interior do estado, mas ao longo de sua vida também compartilhou momentos em família e de muito aprendizado na fazenda de seu avô, localizada em Corumbá. Há 19 anos o sul-mato-grossense trabalha na Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer), empresa que possui produtores de agricultura familiar como o principal público.
Conforme o Censo Agropecuário realizado em 2017 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 77% dos estabelecimentos agrícolas do Brasil foram classificados como agricultura familiar, porém, eles ocupam uma área de apenas 23% em relação às outras formas de produção no país. Além disso, o censo mostra que essa atividade conta com 10 milhões de pessoas ocupadas. “É um público que possui uma importância muito grande para os municípios do estado e do Brasil, devido à diversificação da produção, compõe uma fatia importante dentro do agro”, afirma Araquem.
O técnico explica que a agricultura familiar é caracterizada pelo perfil de produtor que possui pequenas propriedades, cuja a mão de obra predominante no local é da família, além de ser também uma vertente do agronegócio. “A agricultura familiar consegue suprir muitas lacunas de demandas e atividades que têm nos municípios do estado. Quando você fala agronegócio, você está trabalhando uma ideia de que tudo que é produzido e gera uma logística, um processamento, uma distribuição e comercialização de um produto agro, gerado dentro de uma propriedade rural, seja ela pequena, média ou grande, entra no conceito de agronegócio”.
Araquem ressalta que tanto a agricultura familiar quanto às produções agrícolas para exportação são importantes e cumprem o seu papel. A primeira, de produzir alimentos diversificados e alimentar a população dentro do Brasil, já a segunda, de produzir um alimento específico e comercializar em grande escala para fora do país. “O agro é muito diversificado, o equilíbrio existe, pois, cada propriedade desenvolve uma produção que supre uma demanda do mercado, seja ela interna ou externa. Não há motivo de ter uma rixa entre o pequeno, o médio e o grande, porque cada um produz dentro da sua capacidade e do seu perfil”.
Ele acredita que o conhecimento da realidade no campo é capaz de conscientizar as pessoas a respeito da importância deste tipo de atividade. “É um ganha pão que está garantindo o alimento de muitas outras famílias, ele não está produzindo só para ele, mas está produzindo algo que é essencial para a vida”.
Neste Dia do Agricultor, Araquem assegura que a segurança alimentar é a base prioritária e que esse tipo de atividade não pode parar. “O trabalho no setor rural é um trabalho muito pesado, porque é demandado diariamente. Conversa com um produtor de hortaliças, você vai ver que todo dia, não tem domingo, não tem feriado, tem que cuidar da lavoura. Por isso, têm aquela frase: ‘o agro não para’, porque é uma atividade que trata com seres vivos, tanto o animal como o vegetal, e o campo não tem horário comercial”.