Férias escolares: um novo momento para aprender

As brincadeiras com crianças também podem ser educativas e potencializadoras de hábitos saudáveis

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Por Ana Laura Menegat

As férias escolares são um momento de relaxamento para as crianças, mas que também podem gerar estresse, pois o convívio diário com outras crianças tende a ser reduzido. O coordenador do curso de Pedagogia da Anhanguera Campo Grande, Arão Davi Oliveira, entende que esse contato entre crianças precisa ser mantido durante esse período, pois quando isso acontece em ambientes além da escola, novos estímulos podem acontecer. “As mudanças de sujeitos e ambientes estimulam e oportunizam novas experiências socioafetivas. As brincadeiras também funcionam como zona de desenvolvimento cognitivo, as quais oportunizam desafios e a possibilidade de resolver problemas ou superar obstáculos, sejam físicos ou digitais. Esse exercício promovido pelas brincadeiras estimulam o desenvolvimento cognitivo e, em alguns casos, também estimula o campo psicomotor e afetivo social”, afirma.

Algumas das atividades a serem desenvolvidas podem ser estimuladas e propostas por adultos, de forma que a brincadeira possa estimular ainda mais a criatividade e outros aspectos cognitivos, psicomotores e afetivo-sociais da criança, como sugere Arão. A leitura e o uso de aplicativos educativos podem ser ótimos aliados para isso, de forma que o ato de ler promove desenvolvimento emocional e intelectual para a criança, além de estimular esse hábito que pode ser levado por aquela pessoa ao longo dos anos, até a vida adulta.

O estudante de psicologia da Unigran Capital, João Vítor Magalhães, enfatiza que a leitura impulsiona o pensamento lúdico, a concentração e também trabalha a paciência, porém alerta que esse incentivo deve ser feito após a criança ser alfabetizada, já que antes disso, pode gerar ansiedade nos pequenos. Caso a criança ainda não saiba ler, uma alternativa destacada pelo profissional é a leitura compartilhada, na qual o pai ou a mãe conta uma história enquanto a criança escuta e acompanha as imagens. “Antes da alfabetização, a contação de histórias é uma coisa excelente, porque a gente trabalha muito o lúdico e também a compreensão de ações e consequências de terceiros”, ressalta.

No caso dos aplicativos educativos, é uma forma de envolver essas crianças no ambiente digital, no qual elas já nasceram imersas - no caso da geração de nativos digitais. João salienta que essa alternativa precisa ter uma utilização supervisionada e com limite de tempo, mas que isso varia muito em relação às questões socioeconômicas de cada família.

Outras alternativas são as brincadeiras ao ar livre, que podem ser importantes também na luta contra o sedentarismo. Além disso, envolver as crianças em afazeres da casa, como fazer um lanche e arrumar o quarto, são fundamentais para o desenvolvimento da autonomia dela, mas João alerta que esse envolvimento em atividades domésticas é mais complexo e precisa de limites. “Fazendo com que a criança faça o que ela pode fazer, por exemplo, um sanduíche frio. Ela não precisa ter outra pessoa para fazer isso, é muito interessante para desenvolver autonomia. Mas ao mesmo tempo, deve haver alguns limites em quais atividades domésticas podem ou não serem feitas. Dentro do próprio Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) existem normas que impedem os pais de obrigarem as crianças a realizar atividades domésticas. É muito interessante quando ela tem uma finalidade, e não fazer por fazer, sempre com algo de recompensa interessante no final”, afirma João.

Na visão de Arão, as férias são períodos importantes para se estabelecerem laços entre as pessoas e podem melhorar o convívio social. “Estabelecer combinados sobre a rotina nos períodos letivos ajudam a criança e a família a conduzir o dia a dia, mas é importante destacar que durante as férias e momentos de recesso escolar a criança precisa de momentos para expandir sua criatividade e vivenciar, com outras crianças, experiências que promovam o desenvolvimento de competências socioemocionais necessárias para sua formação como sujeito social que interage com outros sujeitos de forma ética e empática” conclui o pedagogo.


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