Rosa Castellano Marquez, uma mulher de cabelos cacheados e vermelhos e de risada marcante, está entre os mais de trezentos venezuelanos refugiados na capital, amparados pela Associação Venezuelana em Campo Grande (AVCG). Rosa saiu de sua terra no dia 5 de julho de 2018 e pisou em solo brasileiro pela fronteira com o estado de Roraima. Ao chegar ao Brasil, viu a cidade de Boa Vista tomada de conterrâneos morando nas ruas. “Eu comecei a chorar e todas que estavam junto comigo começaram a chorar também, porque sabíamos que teríamos que fazer o mesmo”, conta Rosa, com lágrimas nos olhos.
Após sete dias no Brasil, a Fraternidade sem Fronteiras ofereceu a Rosa um trabalho em Campo Grande, com a passagem de avião comprada pela instituição. A venezuelana chegou na Cidade Morena no dia 8 de julho de 2018, para ficar: “Quando me convidaram para vir pra cá eu pensei: ‘não vou para trás, eu vim sem ninguém e voltar sem nada não dá. Eu vou e seja o que for’”.
Francisco, companheiro de Rosa, nunca pensou em migrar e enfatiza que tudo que uma pessoa refugiada está procurando é auxílio. “Ser refugiado, para mim, é recomeçar uma vida nova. Eu nunca tinha passado por essa situação, mesmo perdido no mato [quando morava na Venezuela], eu conseguia me orientar só olhando para o céu, o sol e a lua, e sabia para onde ir. Já aqui não conhecia nada, tive que começar do zero, fazer amizade e aprender uma nova língua como se fosse uma criança na escola”.
Mirtha Virginia Carpo, presidente-fundadora da AVCG, saiu da Venezuela com o marido e a filha há 14 anos, esperando melhorias na situação sócio-político-econômica do país natal. Com a mistura do espanhol e do português, sua fala demarca as fronteiras sociais, territoriais e emocionais, que dividem a vida dos imigrantes. “Eu acho que o ser humano tem que ser migrante para compreender o que é um migrante”.
Em 2018, quando começaram a chegar mais refugiados no país, a família de Mirtha passou a dar apoio e a participar de ações através do Projeto MS Acolhe, realizado pela Fraternidade sem Fronteiras. Em 2019, ela criou a Associação Venezuelana em Campo Grande (AVCG), iniciativa que atua de forma 100% voluntária e depende de doações.
A associação ajuda com informações sobre responsabilidade social, legislações brasileiras, ensina a tirar CPF, divulga vagas de trabalho, explica como tirar CNH e onde fazer o cartão SUS. “O migrante vem com mais traumas e, quando chega aqui, quer ter trabalho, tranquilidade e estabilidade para que seus filhos possam ir para a escola e comecem a se nutrir bem. E a parte de saúde, muitos deles vêm com doença, porque não tiveram como tomar conta da saúde lá. Não havia medicamentos, dinheiro, nada”, enfatiza Mirtha.
É possível fazer doações de cestas básicas, roupas e cobertores para a instituição. Além disso, quantias em dinheiro podem ser doadas para a AVCG através do PIX: 42400884/0001-11 (CNPJ). Mais informações também podem ser obtidas pelo perfil do Instagram da associação: @avcg_ms.
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