Por Ana Laura Menegat
O percentual de pessoas com excesso de peso no Brasil é de 61,7%, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda conforme esse dado, o número de adultos com mais de 18 anos obesos é de 25,9%. Quando o enfoque muda para a população infantil, 13,2% das crianças entre 5 e 9 anos que são acompanhadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) convivem com a doença e 28% das crianças brasileiras apresentam excesso de peso.
Ao falar de obesidade, fatores genéticos, geográficos, sociais, culturais e psíquicos precisam ser levados em consideração. Quando o assunto é alimentação, o médico pediatra neonatologista e professor do curso de Medicina da Uniderp, Walter Peres, afirma que os riscos à saúde aumentam quando a criança não possui uma dieta balanceada e consome quantidades excessivas de ultraprocessados, como refrigerantes, embutidos, salgadinhos e molhos industrializados.
“A rotina alimentar ainda na primeira fase da vida é fundamental para se construir hábitos saudáveis ao longo da vida adulta. Não se trata de restrições excessivas, mas de educação alimentar e cuidados com a saúde de forma multidisciplinar para evitar síndromes metabólicas, diabetes, colesterol alto, gordura no fígado ou doença cardíaca precoce”, explica.
O médico pontua que a introdução alimentar é uma fase com elevado risco para a criança, pois determinados alimentos podem resultar em efeitos contrários. “Uma introdução alimentar inadequada favorece a ocorrência de diarreia, assim como pode levar à desnutrição ou, pelo contrário, obesidade”.
Além disso, Walter ensina que uma introdução alimentar adequada é fundamental para a criança desenvolver consciência corporal e dos alimentos. “A exposição da criança aos diferentes grupos alimentares e texturas variadas com aumento progressivo é fundamental para uma alimentação futura balanceada, variada e saudável, sem risco de seletividade”.
Ao falar sobre alimentação, o tema do sobrepeso e da obesidade também surge, não apenas voltado para o cuidado com a saúde, mas também em um âmbito social, sabendo que muitas pessoas na sociedade ainda nutrem um preconceito em relação às pessoas gordas. “Comentários (muitas vezes feitos sem maldade) podem se tornar reforços negativos para autoestima, amor-próprio e desenvolvimento. Esse estigma de peso é constantemente propagado e aceito pela sociedade, e muitos pais acreditam que a censura é uma ferramenta de motivação para a criança perder peso”, comenta.
Na visão do médico, os profissionais de saúde precisam orientar pais e mães para não comparar os filhos, não os expor e nem fazer piadas com o peso da criança. “É através do acolhimento e do diálogo que podemos ajudar as crianças com sobrepeso ou obesidade. Jamais com constrangimento e intimidação”, defende.
Uma das formas de manter os filhos saudáveis é estimular a realização de exercícios físicos e aumentar o consumo de alimentos in natura que sejam ricos em nutrientes e proteínas, como carnes frescas, ovos, frutas, legumes e verduras. Também é válido aqueles minimamente processados, no qual sofreram pequenos processos de limpeza, secagem e embalagem. “Envolver a criança no preparo da refeição é um passo para apresentar as diferentes opções de nutrientes que devem compor um prato saudável, bem como conhecer o gosto de cada um evitando a rejeição do alimento quando já posto à mesa”, aconselha.