Campo Grande está entre as três capitais com o maior número de bullying nas escolas

Cerca de 25,5% dos estudantes do Centro-Oeste afirmaram ter sofrido algum tipo de bullying

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Por Ana Laura menegat

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que Campo Grande é uma das três capitais brasileiras com maior número de estudantes do 9 ano do Ensino Fundamental que foram vítimas de bullying nas escolas. A pesquisa foi divulgada na última terça-feira (13) e conta com dados coletados em 2019.

Esta é a quarta edição da PeNSE, que possui parceria do Ministérios da Saúde e apoio do Ministério da Educação para ser realizada. Cimar Azeredo Pereira, Diretor de Pesquisas, afirma no documento que o objetivo do levantamento é fornecer “informações para o sistema de vigilância de fatores de risco e proteção para a saúde dos escolares”. A pesquisa monitorou hábitos de alimentação e de higiene pessoal, consumo de tabaco, álcool e drogas ilícitas, relação dos escolares com a família, vida sexual e consciência a respeito disso, sofrimento e/ou prática de bullying, saúde mental, imagem corporal, entre outros aspectos.

No Brasil, 4.253 escolas foram monitoradas e 4.242 analisadas. Ao trazer este dado para o Mato Grosso do Sul, os dados foram coletados em 156 escolas, 214 turmas, com 6.020 alunos matriculados e 5.846 alunos frequentes, totalizando 5.043 questionários válidos. A faixa etária analisada foi dos 13 aos 17 anos, sendo o Centro-Oeste a região com o menor percentual estimado de alunos destas idades, apenas 8,3%, enquanto a Região Sudeste apresenta 38,8%.

No ranking referente às capitais do Brasil, Campo Grande empatou com a paraense Belém na segunda colocação em termos de bullying sofrido por estudantes, tendo um percentual de 29,2% de provocações sofridas duas ou mais vezes em um intervalo de 30 dias. As capitais do MS e do PA ficaram atrás apenas de Porto Velho, em Roraima, onde 30,5% de alunos relataram terem sido vítimas desse tipo de violência.

A região Centro-Oeste apresentou também o maior percentual de escolares que informaram sofreram bullying, sendo de 25,5%. Dentre os motivos, os três maiores percentuais nacionais são referentes à aparência do corpo (16,5%), aparência do rosto (11,6%) e cor ou raça (4,6%).

A psicóloga Juliana Nowak explica que o bullying pode contribuir para o desenvolvimento de fobia social, depressão e ansiedade, além de influenciar em uma possível dificuldade de comunicação e expressão de sentimento de crianças e adolescentes. “Uma vez que os indivíduos estão expostos a estressores constantemente, existe a influência no desenvolvimento, mas não é fator determinante”.

Além disso, a profissional explica que além da escola ser um ambiente seguro, é necessário também o desenvolvimento de campanhas de conscientização a respeito do assunto e que as crianças possuam apoio da família. “É extremamente importante criar um ambiente onde o jovem seja acolhido, fortalecido e tenha apoio, uma vez que a falta disso pode gerar ideias de abandono, solidão e inutilidade”.


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