Por Vinícius Reis
O primeiro hospital de animais silvestres da América Latina está sendo construído no Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras), na capital de Mato Grosso do Sul. Este será o primeiro hospital especializado na fauna local, beneficiando o atendimento aos animais das mais diversas espécies que vivem no Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica que forem resgatados com problemas de saúde. A previsão do fim das obras é agosto de 2022.
O CRAS recebeu mais de 300 espécies entre aves, répteis e mamíferos em 35 anos, além de aproximadamente 41 mil animais, segundo o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul). No total, são 68% aves, 20% mamíferos e 12% répteis e os animais ameaçados de extinção somam 4% em relação ao total desses números.
O novo hospital na capital vai auxiliar no desenvolvimento de pesquisas e resultados práticos, podendo até tirar animais da lista de extinção, além de tratar as espécies para que consigam voltar a viver no habitat natural com segurança e bom estado de saúde. O local vai mudar a realidade do atendimento dos cerca de 2,5 mil animais que passam todos os anos por lá. No mundo, existe outro hospital semelhante localizado nos Emirados Árabes, especializado no tratamento de camelídeos.
Ao todo, a obra do novo hospital ficou em R$ 3,8 milhões e o complexo terá 1.153,33 m² de área construída. Todos os atendimentos, como como triagem, exames, atendimento clínico, cirurgias e reabilitação serão feitos no local. O hospital terá ainda espaços administrativos, salas de cirurgia, ambientes para quarentena e laboratórios para exames.
O Tenente Coronel da Polícia Militar Ambiental, Ednilson Paulino Queiroz, explica que 129 animais foram resgatados de acidentes com veículos nos perímetros urbanos e rurais em Mato Grosso do Sul em 2021. “Os animais resgatados são encaminhados para o CRAS, nos casos de acidentes com animais, orientamos que liguem para os órgãos públicos, para que eles nos avisem e possamos fazer o resgate de forma correta. Nos casos de acidentes com morte de animais grandes, o correto é o indivíduo retirar o corpo da rodovia, para evitar outros acidentes”, explica.
Segundo a coordenadora do CRAS, Aline Duarte, a construção do novo hospital vai expandir pesquisas e auxiliar em no desenvolvimento de melhores tratamentos para os animais vítimas de atropelamento, queimadas e de maus-tratos. “Uma coisa interessante e legal também é que com o hospital, as universidades da capital vão conseguir realizar estágios para os estudantes da área, isso é muito importante para que eles conheçam o bioma e os animais da nossa fauna”, pontua.