Terceira maior safra de café da história do Brasil pode ser colhida este ano
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima produção nacional em 54,36 milhões de sacas
Por redação
Brasil se prepara para alcançar a terceira maior safra de café de sua história, estimulado por um conjunto de fatores favoráveis. As condições climáticas ideais e um aumento significativo na área cultivada foram responsáveis por um melhor desempenho na produção. De acordo com as projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita estimada atingirá a marca de 54,36 milhões de sacas. Esse número representa um crescimento de 6,8% em comparação com o ano anterior. Com mais de 95% do café já colhido no final de agosto, a safra de 2023 também traz outro feito histórico: é recorde para um ano de bienalidade negativa. Como a produção de café oscila um ano de maior produção e outro de queda, o termo “negativa” corresponde ao ciclo com resultado inferior. Os melhores desempenhos do grão na série histórica da Conab, iniciada em 2001, foram nas temporadas de 2018 e 2020, mas ambos os anos eram de bienalidade positiva. Se a estimativa para este ano for comparada com o volume colhido na safra de 2021, último ano de bienalidade negativa, o aumento na produção de 2023 chega a 13,9%. No Centro-Sul, responsável por 87,94% da produção estimada no país para este ano, a expectativa é de uma colheita de 47,8 milhões de sacas. Isso representa um incremento de 7,7% na comparação com a safra de 2022. Minas Gerais é quem mais produziu na temporada de 2023, com 28,29 milhões de sacas (52% do total do país). Em seguida, aparecem Espírito Santo (13,06 milhões), São Paulo (5,03 milhões), Bahia (3,42 milhões), Rondônia (3,04 milhões) e Paraná (687,2 mil).
Área e produtividade crescem O levantamento feito pela Conab também mostra que a área total destinada à cafeicultura no país em 2023 chega a 2,24 milhões de hectares. Desse total, 1,88 milhão estão em produção (+1,9% comparado ao ano anterior) e 362,5 mil hectares em formação (-9,3%). A maioria da área de produção brasileira (91,3%) está localizada no Centro-Sul, com 1,71 milhões de hectares – um crescimento de 2,2% em relação ao ano passado. Já a produtividade em todo o Brasil foi estimada pela Conab em 29 sacas por hectare (+4,8% em relação a 2022). O melhor resultado é nas regiões Norte e Nordeste, com 40,7 sacas por hectare de média. Entre os Estados, Rondônia lidera com 50,2 sacas por hectare.
Alta na arábica, queda no conilon A variedade arábica é responsável por 70,2% da produção de café brasileira. A estimativa é colher 38,16 milhões de sacas, um crescimento de 16,6% sobre a safra anterior. Esse desempenho, segundo a Conab, se deve ao incremento de 2,4% na área em produção aliado ao ganho estimado em 13,9% na produtividade, já que as condições climáticas foram mais favoráveis em relação aos dois últimos ciclos. Nas lavouras de conilon, porém, a estimativa é colher 16,2 milhões de sacas neste ano, uma queda de 11% comparado com 2022. O resultado se deve, sobretudo, a condições climáticas um pouco adversas no principal Estado produtor de conilon, o Espírito Santo, onde a produção tem redução de 17,5% neste ciclo em relação ao ano anterior.
Mercado de exportação No mercado internacional, o café brasileiro vive um ano de redução tanto na quantidade embarcada quanto na receita. De janeiro a agosto, o país exportou 20,2 milhões de sacas de 60 kg, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) – queda de 11,3% na comparação com igual período do ano passado. O desempenho, conforme a Conab, foi influenciado pela restrição dos estoques nos primeiros meses da temporada, após safras com a produção limitada em 2021 e 2022. Mas há sinais de reação. Só em agosto, o Brasil exportou cerca de 3,29 milhões de sacas – alta de 41,2% na comparação com igual período de 2022. Quanto aos negócios, o acumulado nos primeiros oito meses de 2023 totaliza US$ 4,42 bilhões, o que significa uma diminuição de 18,7% em relação à mesma época do ano anterior. Vale lembrar, entretanto, que a exportação de café atingiu recorde em 2022, movimentando US$ 9,2 bilhões de janeiro a dezembro.
Em 2023, o Brasil já exportou café para 143 países. Os principais destinos, em quantidade, são Estados Unidos (17%), Alemanha (13,2%), Itália (7,9%), Bélgica (6,2%) e Japão (6,1%).