Envelhecer bem: Um caminho possível
Médico geriatra explica os caminhos para um envelhecimento
Por Ana Laura Menegat
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida do brasileiro é de 76 anos, podendo se estender para mais, dependendo das condições sociais, ambientais e de saúde de cada pessoa. Conforme o médico geriatra e professor da Uniderp, Marcos Blini, o envelhecimento saudável tem se tornado cada vez mais um objetivo das pessoas e é um processo que depende da consciência corporal. “Envolve o reconhecimento das mudanças do corpo e das perspectivas na vida. Ter um propósito faz toda a diferença na motivação do idoso em realizar suas atividades diárias”, afirma.
Blini reforça a importância de fazer atividades físicas regularmente, o que garante a força física e uma fácil locomoção sem auxílio de andadores. “Para chamar atenção a essa questão da autonomia, que tem total relação com a questão muscular, é importante sabermos o que fazer nesse sentido. Então, desde os 30, 40 anos, temos um declínio na massa muscular, mas por volta dos quase 70 anos, o peso da natureza tende à perda de massa muscular. Têm alguns cuidados que a gente pode tomar como forma de prevenção e até de ganho de massa. A primeira é a ingestão adequada de proteína, maior do que a de um paciente jovem, considerando, é claro, proporcionalmente o peso da pessoa. Então o idoso precisa passar com um nutricionista para avaliar bem esse aporte de proteína ou a necessidade de entrar com alimentos suplementos”, explica o médico.
Em um país como o Brasil, no qual as desigualdades são extremas, questões sociais e econômicas também interferem na qualidade de vida dos idosos. Blini reforça que não há políticas públicas voltadas para as questões do envelhecimento, nem em solo brasileiro, nem em perspectiva global. “Outro ponto, é que há poucos geriatras no Brasil, e estão concentrados nos grandes centros. Temos uma média de dez geriatras em todo o Estado, é muito pouco. Então, temos não só a defasagem nas políticas públicas voltadas ao tema, como no número de profissionais atuando na área”.
Isso também se relaciona com a existência do etarismo, caracterizado como preconceito contra pessoas mais velhas, o que contribui para que a sociedade brasileira tenha medo de envelhecer. Por isso, Blini reforça a importância de manter não só um corpo, mas também uma mente saudável. “Uma das coisas importantes no envelhecimento saudável é manter uma vida ativa. Parar com as atividades de rotina piora a saúde cognitiva e muscular, além da autonomia. Se a pessoa estiver ativa na sociedade tendo a preocupação de envelhecer na forma física, psíquica e social, ela tende a ter um envelhecimento saudável e ter os últimos anos de vida com autonomia”. Realizar cursos, atividades em família, trabalho voluntário e planejamento da rotina e das finanças são algumas das sugestões de Blini para promover o estímulo cerebral.
Um dos locais em Campo Grande que oferece consultas e exames em geriatria é o Centro de Especialidades Médicas (CEMED) da Uniderp. Os atendimentos são feitos por acadêmicos da instituição, contando com supervisão de profissionais. Também é possível solicitar atendimento via SUS, passando primeiro por uma unidade básica de saúde e, posteriormente, tendo encaminhamento para o CEMED.