Gabi Luthai: Artista com uma das maiores ascensões nas redes sociais fala sobre como veio parar em Campo Grande

Conheça a cantora que conquistou milhões de fãs nas redes sociais, faz sucesso no YouTube e escolheu Campo Grande como lar

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Por Ogg Ibrahim

A pergunta que milhares de fãs já devem ter feito: o que leva uma artista consagrada no Instagram, com mais de 2 milhões e meio de seguidores e quase 300 milhões de views em seu canal no Youtube, adotar Campo Grande como lar permanente? Não é comum ver alguém que desponta no cenário nacional da música pop, que já subiu em palcos e cantou com grandes ícones da música sertaneja do país, deixar toda a agitação dos grandes centros urbanos e “se esconder” por aqui. Mas no caso dela, a mudança em quase nada afetou sua carreira que continua em ascensão. Ela canta, compõe, dança, atua, fala sobre estilo de vida nas redes sociais, cria estratégias digitais e gerencia a própria carreira na música, no mundo da beleza e dos negócios. Tudo isso aos 28 anos de idade.

Gabi Luthai é mineira de Araxá e só saiu de lá quando foi estudar engenharia civil no Rio de Janeiro, mas o sonho sempre foi ser cantora. Começou a construir sua carreira cantando hits de vários artistas famosos e ficou conhecida, principalmente, por seus vídeos no YouTube com covers de funk, sertanejo e música pop em geral, de artistas consagrados como Naldo, Anitta, Gustavo Lima e Luan Santana. No entanto, a sua carreira decolou mesmo com músicas autorais, alguns de seus vídeos já ultrapassam 14 milhões de visualizações.

Gabi chegou para a nossa conversa irradiando simpatia e simplicidade e falou até de coisas que não costuma comentar em suas entrevistas por aí, segundo ela mesma. No nosso papo, Gabi fez questão de frisar que tem vida profissional e sucesso próprios, construídos muito antes de ter conhecido seu atual marido, também do meio artístico (Teotônio Teló, irmão de Michel). Gabi é gigante e talvez ainda não tenha total dimensão disso.

Ogg Ibrahim: Como a música começou na sua vida?

Gabi Luthai: Quando eu tinha 14 anos, uma amiga queria cantar num concurso da escola, mas não queria passar vergonha sozinha e me chamou (risos). Era pra escolher a nova vocalista do Grupo Sensação, um bandinha de pagode da escola, e acabei ganhando. A gente só ensaiava, nunca rolou show, mas foi uma experiência legal. Acabei pegando o gosto em cantar.

OI: Quando viu que era momento de investir na carreira de cantora?

GL: Eu estava com 17 anos, naquela fase de escolher que faculdade fazer. Meus testes eram muito incertos, davam de tudo: artes, exatas e humanas (risos), mas acabei passando no vestibular para engenharia civil no Rio de Janeiro e aqui em Campo Grande, na UFMS. Acabei indo pro Rio pra acompanhar uma amiga que não tinha passado aqui, mas eu sentia que a música já falava mais alto. Então criei um canal no Youtube e passei a gravar covers com voz e violão. Nos primeiros vídeos eu estava nervosa, insegura e acabei recebendo muita zoação na escola. Mas isso nunca me incomodou e eu continuei. Aí surgiu uma plataforma chamada “Ask.fm”, de perguntas e respostas. Como a gente podia responder em vídeo, um dia eu resolvi fazer uma pergunta pra mim mesma, de forma anônima: “Oi, fiquei sabendo que você toca e canta... canta alguma coisa aí”. Peguei o violão e comecei a cantar.

OI: E o que aconteceu depois disso?

GL: Nossa, virou uma loucura. A rede explodiu! Passei a ter tanto seguidor que quando encerrei a minha página, havia mais de 500 mil perguntas que eu não tinha respondido ainda.

OI: Você fechou a rede por quê? Pensou em desistir em algum momento?

GL: Pensei! Em setembro de 2012, eu tinha 2 mil seguidores no Facebook. Em dezembro, eu já estava com 93 mil e, em março do ano seguinte, eu passei de 300 mil. Foi aí que me senti sobrecarregada. Estava na faculdade, não conseguia estudar direito, muita cobrança... aí falei: “Vou parar. Não aguento mais!”. Eu não entendia direito o que era tudo aquilo. Aí veio o Lucas Lucco, que eu já conhecia, e falou: “Gabi, pelo amor de Deus, você não pode parar!”. Larguei a faculdade de engenharia e fui fazer Direito à noite, que me permitia ter o dia todo pra continuar fazendo meus vídeos.

OI: E a carreira de cantora decolou quando?

GL: Nessa época, em 2013, eu conheci uma pessoa, a quem sou muito grata, o produtor Leo Naves, de Uberaba. Ele me apresentou a Rose, dona de uma rádio de lá chamada Super Som, que me apresentou para o meu primeiro empresário, o Helinho Fazolato. E foi ele quem me levou pra Sony Music. Do início até ali foram 3 anos só!

OI: Aí, de repente, você vem parar em Campo Grande. Como foi isso?

GL: Eu já passeava aqui direto. Um pouco antes de gravar meu primeiro DVD, em 2014, eu fui convidada a assistir uma gravação aqui. Depois do show fomos pra uma balada. Chegando lá bati o olho num moço, fomos apresentados e nos apaixonamos. De lá pra cá nunca mais nos separamos (risos). Hoje ele é meu marido! Eu morava em São Paulo, mas sempre vinha pra cá. Até que, em 2019, ele decidiu que queria viajar o mundo. Pensei um pouco e acabei topando. Passamos 250 dias viajando por vários países.

OI: E o que você fez com a carreira que já estava no auge?

GL: Eu falei pra ele que estava muito feliz com minha carreira e que não podia largar, não daria pra parar um ano e viajar. Seria inviável! Eu só iria com ele se eu pudesse produzir conteúdo pro meu canal também. Aí criei o “Por aí com Gabi”, quadro em que continuei compondo, gravando, tocando e criei vídeos com conteúdo das viagens. Eu mesma roteirizei todo o conteúdo, gravei músicas em cada lugar que estivemos. Quando terminou, no final de 2019, o Teo me disse que não queria morar em São Paulo. Aí acabei mudando pra cá.

OI: O que mais te encanta aqui?

GL: Não tem outra resposta: é o céu! Lindo demais. Todo final de tarde passam araras sobre a minha casa, sempre no mesmo horário. É lindo de ver. O pôr do sol daqui também é incrível!

OI: Você tem a carreira de cantora, grava vídeos pro seu canal, dança, atua e ainda tem uma empresa de cosméticos funcionais. Onde você encontra tempo pra fazer tudo o que faz?

GL: Nem eu sei, pra mim é natural dar conta disso. Desde pequena eu sempre tive muitas atividades, mas não tenho um planejamento dia a dia. Eu planejo a semana. Toda semana eu monto a minha agenda e encaixo o que tenho de fazer, mas não tenho horário fixo pra fazer as coisas, eu vou fazendo na medida em que dá. Crio uma lista de prioridades e vou fazendo.

OI: Aonde a Gabi Luthai ainda quer chegar?

GL: Eu ainda tenho muito pela frente. Quando penso na quantidade de seguidores e de views no canal, são expressivos, mas existe um mundo muito maior. Eu ainda não estou inserida no meio de muita gente, então enxergo muito trabalho pela frente. Eu quero tocar no rádio, em todas as casas, no Brasil inteiro e não ficar somente no universo da internet. Sou muito realizada com as minhas conquistas, mas quero ir além!.

OI: E a família? Já pensa em filhos? Pensa em continuar por aqui?

GL: Já penso em filhos sim. Quero ter dois, seria ideal. Sou apaixonada pelos meus sobrinhos e fico o tempo todo com eles. Os planos de permanecer em Campo Grande continuam, não penso em sair daqui. Pra mim funciona muito essas reuniões on-line, trabalho em home office. Talvez quando os shows voltarem, a gente repensa, mas, por enquanto, vamos ficar por aqui.

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