Inverno mais curto: preocupação com El Niño e ondas de frio pouco intensas devem afetar negócios

Estação será úmida no Centro-Sul e seca em regiões do Nordeste. Diferentes segmentos da economia no Brasil podem ser impactadas diretamente

Por

Por redação

O inverno, que começa no Brasil nesta quarta-feira (21), às 11h58, estará sob a influência de El Niño. O que isso significa? Mudança de clima no mundo todo, com mais extremos de chuva e seca, ou mais ou menos ciclones tropicais, e aquecimento oceânico com impactos globais – inclusive a possibilidade de que 2024 seja o ano mais quente já observado na era instrumental.

Por aqui, atmosfera mais aquecida e maior umidade no Sul do Brasil devem significar que a frequência e o risco de temporais fortes de vento e granizo vão aumentar nos próximos meses, especialmente no fim do inverno, com o período mais crítico de tempo severo na primavera e no verão. Podem ocorrer muitos temporais com estragos no Sul do país. Os sistemas frontais chegarão com mais intensidade na Região Sul, com a possibilidade de algumas ondas de frio atingirem o Sudeste e o Centro-Oeste. Mas essas ondas não deverão ser muito intensas e duradouras.

As características deste inverno, no país, vão também influenciar diferentes segmentos da economia. A Nottus, empresa de inteligência de dados e consultoria meteorológica para negócios, analisou as principais tendências para a próxima estação e analisa que, tradicionalmente, são impactados diretamente nessa época do ano segmentos como o varejo, que depende da venda das coleções de inverno, alimentos e bebidas, e o setor elétrico, cujos reservatórios das hidrelétricas normalmente têm o seu nível reduzido devido à menor incidência de chuvas característica da estação.

"A expectativa é de que teremos o que se costuma chamar de um 'inverno fraco' para o varejo. Sabemos que a roupa de inverno, por exemplo, é mais cara, pesada, e precisa ser vendida nessa época, se não ocupa muito espaço do estoque, por exemplo. O setor é um dos que precisam estar preparados para os possíveis prejuízos desse inverno mais curto", avalia Desirée Brandt, meteorologista e diretora da Nottus.

Ela explica que, por conta dessa influência, a expectativa é de um inverno mais úmido no Centro-Sul do Brasil (incluindo os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul) e mais seco no centro-norte de Minas Gerais, interior da Bahia e no sul do Maranhão e do Piauí, regiões que estarão sob um risco maior de queimadas. Nas demais áreas, a expectativa é que o inverno transcorra dentro da normalidade.

"Há risco de ocorrência de alguns eventos de geada, mas com fraca intensidade e especialmente sobre as regiões turísticas, de serra e de fronteira”, complementa a especialista, alertando também sobre os impactos em potencial para o setor de turismo.

Nas áreas de vale e baixada, pode ocorrer a formação de nevoeiro ao amanhecer e episódios de inversão térmica nos grandes centros urbanos. A umidade relativa do ar pode atingir níveis críticos nas horas mais quentes do dia, especialmente na região central do Brasil, ficando abaixo de 30%, o que é considerado prejudicial à saúde, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Pesquisadores acreditam que o evento que começa este ano tem 84% de chance de exceder a força moderada até o final de 2023, e também estimam que há uma chance em quatro de este evento ultrapassar os 2°C em seu pico, o que significa entrar no território de um "super El Niño".

Os impactos do início do El Niño provavelmente ficarão para trás por alguns meses, mas serão sentidos em todo o mundo. Além de provocar consequências como mais secas na Austrália e em partes da Ásia, com potencial enfraquecimento das monções na Índia, deixando estados do sul dos EUA mais úmidos no inverno, o El Niño normalmente fortalece as condições de seca na África.


Notícias Relacionadas »