Por redação
O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou no fim da tarde da última segunda-feira (12) que a autoridade monetária está estudando mudanças no cartão de crédito. "Cartões puxam o spread muito para cima. A inadimplência [no cartão de crédito] subiu para 52%", disse. O spread é a diferença percentual entre a taxa de juros cobrada em empréstimos e a taxa paga pelos bancos em investimentos.
"No parcelamento sem juros o lojista toma a decisão de crédito e o banco toma o risco. A gente teve uma concessão de cartão de crédito muito grande. É um produto que nos preocupa, estamos conversando para ver como melhorar", reforçou em evento promovido pelo Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), em São Paulo.
Segundo ele, as pessoas "começaram a ter múltiplos cartões" e com a alta de juros se endividaram. "Estamos estudando uma forma de equacionar isso", pontuou.
Reforma tributária
Sobre a reforma tributária, Campos citou "distorções" no sistema e disse que o primeiro objetivo do projeto é a simplificação. "Acho que o projeto ainda vai amadurecer. Foi muito impressionante o que aconteceu com o arcabouço pela mobilização para votar rapidamente", comentou.
"Se vai gerar inflação, se a carga tributária for a mesma, tem que ver a distribuição entre bens, serviços e o faseamento [da proposta]. Precisa primeiro ter o desenho fechado para fazer a simulação [do impacto da reforma tributária na inflação]", complementou.
Crédito
Em relação à crise das Americanas, Campos disse que o BC está tentando entender o efeito do rombo da varejista no crédito. "O produto excedente sacado já voltou a um ritmo de normalidade nos dados. Quando eu falo com o pequeno, ele fala que não tem normalidade porque tem fases do processo que não tem mais financiamento, tem que pagar à vista", afirmou.
"A gente se questiona se parte disso é uma mudança que aconteceu depois do evento Americanas e não foi capturado [nos dados]", pontuou.
A presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano, disse que entende a discussão técnica, mas ponderou que a realidade é diferente e destacou que o setor está sofrendo com os juros altos. Ela pediu ao presidente do BC que baixe a Selic em ritmo acima de 0,25 ponto percentual.
"Tenho certeza de que quando voltar aqui em um ano, olhando em retrospectiva, a avaliação será positiva", respondeu Campos. Trajano retrucou, "vai ter muita gente quebrada [em um ano]". "A gente tem um processo em curso de melhora", continuou o titular do BC. Ele também frisou que "a coisas estão se encaminhando de forma positiva" e pediu "um pouco de paciência".